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- Financiários definem prioridades para a Campanha Nacional 2026
Maior Conferência Nacional da história da categoria aprova minuta de reivindicações construída a partir de participação recorde na Consulta Nacional A minuta de reivindicações das financiárias e dos financiários para a Campanha Nacional 2026 foi aprovada nesta quinta-feira (6), durante a 8ª Conferência Nacional dos Financiários, realizada na sede da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), em São Paulo. O documento reúne as principais demandas da categoria para a renovação da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) e será submetido à aprovação em assembleias antes de ser entregue à Federação Interestadual das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento (Fenacrefi), dando início às negociações. A edição de 2026 entrou para a história como a maior Conferência Nacional dos Financiários já realizada, reunindo representantes de todo o país para definir coletivamente as prioridades da campanha. O recorde de participação reforçou o compromisso da categoria com a construção de uma pauta alinhada à realidade dos trabalhadores e ao fortalecimento da negociação coletiva. Esta também é a primeira campanha realizada integralmente com a nova data-base da categoria, fixada em 1º de outubro, mudança conquistada na Campanha Nacional de 2024 e que passou por um período de transição no ano passado. As prioridades da categoria foram definidas a partir da Consulta Nacional aos Financiários 2026, realizada entre 6 e 31 de julho. O levantamento registrou 601 respostas em todo o país, crescimento superior a 230% em relação à consulta de 2024. O recorde de participação na conferência foi acompanhado por um resultado histórico também na consulta, que alcançou o maior número de respostas desde sua criação, fortalecendo a legitimidade da pauta que será defendida pela Comissão Nacional dos Financiários nas negociações com a Fenacrefi. Além da consulta, a minuta incorporou as contribuições apresentadas pelos representantes das federações e sindicatos durante os dois dias de conferência, que debateram temas como saúde dos trabalhadores, organização do trabalho, perfil da categoria e cenário econômico do setor. Para o diretor executivo da Contraf-CUT e coordenador da Comissão Nacional dos Financiários, Jair Alves dos Santos, a ampla participação da categoria fortalece a legitimidade da pauta que será levada à mesa de negociação. "A pauta aprovada reflete aquilo que os financiários apontaram como prioridade. Entraremos na mesa de negociação com legitimidade e responsabilidade para defender a valorização da categoria, melhores condições de trabalho, proteção à saúde e a ampliação dos direitos." Entre as prioridades econômicas aprovadas estão o aumento real dos salários, o reajuste diferenciado para o vale-alimentação (VA) e o vale-refeição (VR), o aumento da Participação nos Lucros e Resultados (PLR), a valorização do piso salarial e o aperfeiçoamento do Plano de Cargos e Salários. Nas cláusulas sociais, os financiários definiram como prioridades a estabilidade no emprego, a manutenção dos direitos previstos na Convenção Coletiva de Trabalho, a ampliação das políticas de igualdade de oportunidades, melhorias nas condições de trabalho, fortalecimento da previdência complementar e medidas para prevenir o adoecimento e combater todas as formas de assédio no ambiente de trabalho. Durante a conferência, os participantes também analisaram estudos apresentados pelo Dieese e pela Secretaria de Saúde da Contraf-CUT, que revelaram um setor altamente concentrado economicamente e marcado pela intensificação do trabalho. Os dados mostram crescimento do número de financiários, mas também a persistência das desigualdades salariais entre homens e mulheres e o avanço dos afastamentos relacionados à saúde mental, reforçando a necessidade de incluir o tema entre as prioridades da campanha. A secretária do Ramo Financeiro da Contraf-CUT, Talita Regia da Silva, destacou que o encerramento da conferência representa o início de uma nova etapa da mobilização da categoria. "Encerramos a maior Conferência Nacional dos Financiários da nossa história. Esse recorde de participação demonstra que a categoria está mobilizada, quer participar das decisões e fortalece ainda mais a legitimidade da pauta que vamos levar à mesa de negociação. Agora, nossa responsabilidade é transformar essa força em conquistas para todos os financiários." Com a aprovação da Conferência Nacional, a minuta de reivindicações será submetida às assembleias da categoria. Após a aprovação pelos trabalhadores, a pauta será entregue à Federação Interestadual das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento (Fenacrefi), marcando o início das negociações para a renovação da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) dos financiários. Ao encerrar os trabalhos, os delegados reafirmaram o compromisso de manter a mobilização durante toda a Campanha Nacional 2026. A expectativa é de que a ampla participação registrada na conferência e na Consulta Nacional fortaleça a categoria nas negociações com a Fenacrefi em defesa da valorização dos financiários, da manutenção dos direitos e da conquista de melhores condições de trabalho. Fonte: Contraf-CUT
- Conferência Nacional dos Financiários começa com debate sobre perfil da categoria, saúde e prioridades da Campanha Nacional 2026
Consulta Nacional, perfil da categoria e condições de trabalho pautam o primeiro dia de atividades, que orientará a construção da pauta de reivindicações A Conferência Nacional dos Financiários começou na tarde desta quarta-feira (5), na sede da Contraf-CUT, em São Paulo, dando início aos debates que vão definir as prioridades da Campanha Nacional 2026. O primeiro dia foi dedicado à análise das condições de saúde dos trabalhadores, do perfil da categoria e dos resultados da Consulta Nacional aos Financiários. A abertura dos debates reforçou a importância de construir uma pauta de reivindicações alinhada à realidade da categoria. Os dados apresentados servirão de base para a definição das prioridades que serão levadas à mesa de negociação com as financeiras. A presidenta da Contraf-CUT, Juvandia Moreira, destacou que a campanha se inicia em um momento de mudanças importantes para a categoria, com a consolidação da nova data-base e o fortalecimento da organização dos financiários dentro do Ramo Financeiro. "Iniciamos mais uma Campanha Nacional dos Financiários em um momento importante para a categoria. A mudança da data-base inaugura um novo ciclo de negociações e reforça a necessidade de olharmos com atenção para a realidade desses trabalhadores. Temos uma secretaria do Ramo fortalecida, com uma dirigente que conhece de perto esse segmento e vai contribuir para aprofundarmos esse debate. A campanha é o momento de ouvir a categoria, transformar suas demandas em reivindicações e buscar avanços concretos na mesa de negociação." A presidenta do Sindicato dos Bancários e Financiários de São Paulo, Osasco e Região, Neiva Ribeiro, ressaltou que a conferência representa um espaço estratégico para definir as prioridades da categoria diante dos desafios atuais. "Esta conferência é o espaço para construirmos coletivamente a pauta que queremos defender. Estamos falando de valorização, igualdade de oportunidades, melhores condições de trabalho, saúde, reconhecimento e direitos. Mas também precisamos compreender o cenário político e econômico, porque ele influencia diretamente a vida dos trabalhadores e o resultado das nossas negociações." A secretária de Organização do Ramo Financeiro da Contraf-CUT, Talita Regia da Silva, lembrou que esta é a primeira Campanha Nacional realizada integralmente com a nova data-base da categoria, fixada em 1º de outubro. A mudança foi definida na Campanha Nacional de 2024 e passou por um período de transição em 2025, quando os financiários receberam reajustes em junho e outubro. "Estamos iniciando um novo ciclo para os financiários. A mudança da data-base foi uma conquista importante porque organiza melhor o processo de negociação e nos permite construir uma campanha mais conectada com a realidade da categoria. Nosso desafio é transformar as prioridades apontadas pelos trabalhadores em avanços concretos na Convenção Coletiva." O diretor executivo da Contraf-CUT e coordenador da Comissão Nacional dos Financiários, Jair Alves dos Santos, destacou que o processo de negociação começa pela escuta da categoria. "A campanha começa ouvindo os trabalhadores. Os dados apresentados mostram com clareza quais são as principais preocupações da categoria e apontam o caminho que devemos seguir nas negociações. Nosso compromisso é transformar esse diagnóstico em reivindicações concretas, que garantam valorização, melhores condições de trabalho e proteção à saúde dos financiários." Saúde mental e organização do trabalho entram no centro das discussões A primeira mesa temática trouxe um panorama sobre os impactos da organização do trabalho nas financeiras. O secretário de Saúde da Contraf-CUT, Mauro Salles Machado, apresentou um diagnóstico que relaciona o modelo de gestão das empresas ao crescimento dos casos de adoecimento entre os trabalhadores. Segundo Mauro, as financeiras operam com forte pressão comercial, metas agressivas, remuneração variável vinculada ao desempenho, monitoramento permanente por indicadores e equipes enxutas. Esse modelo intensifica os riscos psicossociais e favorece o surgimento de transtornos relacionados ao trabalho. Durante a apresentação, ele lembrou que, entre 2012 e 2024, foram concedidos 1.966 benefícios previdenciários e acidentários aos financiários, uma média de 151 afastamentos por ano. Os dados também mostram o avanço dos afastamentos relacionados à saúde mental, principalmente por transtornos de ansiedade, depressão e estresse. Outro ponto abordado foi a atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que passa a incluir a gestão dos riscos psicossociais. Mauro alertou que a norma somente produzirá resultados concretos se houver participação efetiva dos trabalhadores e fiscalização das empresas. "A discussão sobre saúde mental precisa deixar de ser uma pauta de bem-estar para se tornar uma pauta de organização do trabalho. Sem mudanças nas metas, na cobrança e nas condições de trabalho, não existe prevenção, apenas gestão do adoecimento." Perfil da categoria revela crescimento e desigualdades Na segunda mesa do dia, a técnica da subseção do Dieese no Sindicato dos Bancários de São Paulo, Cátia Uehara, apresentou um panorama atualizado do setor das financeiras e do perfil dos trabalhadores. Os dados mostram que o número de financiários voltou a crescer nos últimos anos, chegando a 12.077 trabalhadores em 2025, após um período de retração. São Paulo concentra cerca de 85% da categoria. As mulheres representam 53% da força de trabalho, mas recebem remuneração média 26,1% inferior à dos homens. Também permanecem expressivas as desigualdades salariais entre trabalhadores brancos e negros. Além das características da categoria, o levantamento também mostrou a concentração econômica do setor. As dez maiores financeiras acumularam lucro líquido de R$ 17,2 bilhões em 2025, com destaque para Nubank, Santander SCFI e Crefisa. "Os dados mostram uma categoria que voltou a crescer, mas que convive com desigualdades importantes. As mulheres já são maioria nas financeiras, porém continuam recebendo salários significativamente inferiores aos dos homens. Também observamos uma forte concentração econômica no setor, com poucas instituições concentrando grande parte dos ativos e dos lucros. Esses indicadores ajudam a compreender o cenário em que a negociação será realizada." Consulta Nacional aponta prioridades da categoria Encerrando a programação técnica do primeiro dia, a técnica do Dieese que assessora a Contraf-CUT, Vivian Machado, apresentou os resultados da Consulta Nacional aos Financiários 2026. O levantamento registrou a participação de 601 trabalhadores de todo o país, crescimento superior a 230% em relação à consulta realizada em 2024, o que demonstra maior engajamento da categoria na construção da campanha. Entre as prioridades econômicas apontadas pelos financiários estão o aumento real dos salários (73,5%), o aumento da Participação nos Lucros e Resultados (64,7%) e o reajuste diferenciado para vale-alimentação e vale-refeição (63,7%). Nas cláusulas sociais, destacam-se estabilidade no emprego (49,4%), manutenção dos direitos (30,1%), igualdade de oportunidades (26%) e previdência complementar (23%). A pesquisa também revelou que a cobrança excessiva por metas continua impactando diretamente a saúde da categoria. Quase metade dos respondentes (49,4%) afirmou sofrer com cansaço, fadiga e preocupação constante; 23% relataram crises de ansiedade e pânico; e 30% disseram ter utilizado medicamentos controlados, como antidepressivos e ansiolíticos, nos últimos 12 meses. "A Consulta Nacional é um instrumento fundamental para que a campanha seja construída a partir da realidade vivida pelos financiários. O aumento expressivo da participação mostra que os trabalhadores querem ser ouvidos e deixa claro que valorização salarial, estabilidade, saúde e melhores condições de trabalho continuam sendo prioridades para a categoria." As apresentações e os debates do primeiro dia forneceram o diagnóstico que servirá de base para a construção da pauta de reivindicações da categoria. A Conferência Nacional dos Financiários prossegue nesta quinta-feira (6), com a consolidação das propostas e a aprovação da minuta de reivindicações que orientará as negociações da Campanha Nacional 2026 com as financeiras. Fonte: Contraf-CUT
- Saúde Caixa: Banco apresenta proposta que chega a dobrar mensalidade
Banco quer elevar a contribuição dos titulares de 3,5% para 5,5%, dobrar o limite de comprometimento da renda de 7% para 14% e aumentar as mensalidades cobradas pelos dependentes diretos e indiretos; CEE/Caixa repudia proposta do banco para o Saúde Caixa A Comissão Executiva dos Empregados (CEE) da Caixa repudiou e recusou a proposta apresentada pelo banco para o custeio do Saúde Caixa, nesta quarta-feira (5), durante a quinta rodada de negociações específicas da Campanha Nacional dos Bancários 2026, realizada em São Paulo. Por unanimidade, todas as federações que compõem a mesa de negociações das empregadas e dos empregados exigiram que a Caixa refaça os cálculos e apresente uma nova proposta. O entendimento é que a proposta apresentada demonstra de forma clara que a maior preocupação do banco não é com seus empregados. E ao contrário do que divulgou na Intranet, a Caixa não trouxe uma solução para o Saúde Caixa, mas sim, uma proposta em que busca se isentar de sua responsabilidade pelo custeio do plano. Confira a proposta da Caixa “Modelo atual reajustado” Batizada pelo banco de “Modelo atual reajustado”, a proposta aumenta de 3,5% para 5,5% da remuneração-base a mensalidade dos titulares. O valor cobrado por dependente direto passaria de R$ 480 para R$ 870; o dependente indireto passaria de R$480,00 para R$ 930; e a mensalidade dos filhos com idade entre 24 e 27 anos subiria de R$ 800 para R$ 1.050. O limite de comprometimento da renda familiar seria dobrado, dos atuais 7% para 14%. A cobrança continuaria sendo feita em 13 parcelas anuais. “Nosso entendimento é que esta proposta é profundamente desrespeitosa com quem constrói o banco todos os dias. Ela não apresenta uma solução equilibrada para o Saúde Caixa. Simplesmente transfere a conta para os empregados, afirmou a coordenadora da CEE/Caixa, Luiza Hansen. Segundo Luiza, a proposta produziria perda efetiva de remuneração, mesmo diante da reivindicação apresentada na mesa geral de negociação com os bancos de reposição da inflação acrescida de 5% de aumento real. “Mesmo que conquistemos a inflação mais 5% de aumento real, esse reajuste do Saúde Caixa consumiria o ganho e, em muitos casos, uma parte ainda maior da renda. O resultado seria uma campanha salarial encerrada com perda de remuneração. A Caixa está dizendo que o empregado pode até receber um reajuste, mas terá de devolvê-lo (e muito mais) para continuar com o plano de saúde”, explicou. Proposta desrespeita quem constrói os resultados Para a representação sindical, a proposta é especialmente desrespeitosa porque a Caixa apresentou projeções de lucros crescentes para os próximos anos, mas desconsiderou que esses resultados são produzidos pelo trabalho diário de seu quadro de pessoal. O representante da Contraf-CUT na mesa de negociações, Lívio Santos e Assis, observou que a mensalidade dos titulares teria aumento de mais de 57%, enquanto a cobrança pelos dependentes diretos subiria mais de 81%. O teto familiar seria elevado em 100%. “É indecente que o banco proponha praticamente dobrar os valores pagos pelos usuários, mas se recuse a discutir o limite que ele próprio impôs à sua participação. A Caixa protege o seu teto e manda a conta para o empregado. Isso não é valorização do quadro de pessoal. É redução salarial e retirada de direitos”, afirmou Lívio. Ele ressaltou que o aumento poderá obrigar empregados, aposentados e pensionistas a escolher quais integrantes de suas famílias permanecerão no plano. “Não estamos discutindo uma despesa supérflua. Estamos falando do direito à saúde. Nenhum trabalhador deveria ter de escolher se mantém no plano o filho, o cônjuge ou outro dependente porque a empresa decidiu reduzir sua responsabilidade pelo custeio”, completou. Como exemplo, na apresentação feita à mesa, a própria Caixa informou que 32% dos titulares estão na faixa de renda entre R$ 10 mil e R$ 15 mil. Os trabalhadores dessa faixa, sobretudo aqueles com dois ou mais dependentes, seriam duramente atingidos e poderiam deixar o Saúde Caixa, inviabilizando o plano já em médio prazo. A representação cobrou do banco um estudo sobre a quantidade de beneficiários que abandonariam o plano caso a proposta fosse implantada. O representante da Fetrafi-RS, Lucas Cunha, também criticou a escolha do banco de concentrar o ajuste sobre os usuários. “A Caixa escolheu o caminho mais fácil: cobrar ainda mais de quem já paga. Uma proposta como essa expulsará pessoas do plano e enfraquecerá justamente os princípios que garantem sua sustentabilidade: o mutualismo, a solidariedade e o pacto intergeracional. Menos beneficiários significam uma carteira menor, mais envelhecida e com custos proporcionalmente maiores”, declarou. Para Lucas, ao apresentar aumentos dessa magnitude sem propor a ampliação de sua própria contribuição, a Caixa sinaliza que pretende se afastar progressivamente da responsabilidade pelo benefício. “O Saúde Caixa é parte da política de valorização do quadro de pessoal e foi construído pelas empregadas e pelos empregados. O banco não pode tratar o plano como uma despesa da qual pretende se livrar”, acrescentou. Usuários já pagam cerca de 46% do plano Os números do Relatório de Administração do Saúde Caixa mostram que a participação dos beneficiários já está muito acima dos 30% previstos no modelo histórico de custeio 70/30. Em 2025, a contribuição líquida da Caixa foi de aproximadamente R$ 2,02 bilhões. As mensalidades pagas pelos usuários somaram R$ 1,39 bilhão e as coparticipações chegaram a R$ 303,6 milhões. Considerados esses valores regulares, a Caixa respondeu por cerca de 54% do financiamento, enquanto empregados, aposentados e pensionistas arcaram com aproximadamente 46%. Essa distorção ocorre porque o estatuto do banco limita a participação da empresa a 6,5% da folha de pagamentos e proventos. Com o aumento das despesas assistenciais acima dos reajustes da folha, a contribuição da Caixa deixa de acompanhar os custos do plano e uma parcela crescente das despesas é transferida aos usuários. O fim desse teto estatutário e o restabelecimento efetivo do modelo 70/30 estão entre as principais reivindicações da campanha “Põe mais dinheiro, Caixa!”, aprovada no 41º Conecef. Déficit exige solução estrutural O Saúde Caixa registrou déficit operacional de R$ 627,8 milhões em 2025, resultado de despesas totais de R$ 4,39 bilhões diante de receitas de R$ 3,76 bilhões. O exercício terminou contabilmente com saldo positivo de R$ 67,1 milhões somente depois da incorporação de R$ 581,1 milhões em contribuições patronais incidentes sobre ações judiciais e acordos trabalhistas de anos anteriores e da utilização de R$ 46,7 milhões da Reserva Técnica. Para o Dieese, esses recursos extraordinários não representam melhora estrutural da situação financeira do plano. As pressões sobre os custos permanecem e decorrem do aumento da idade média dos usuários, da maior utilização dos serviços, do aumento da complexidade dos tratamentos, da incorporação de novas tecnologias e da inflação médica, que supera a inflação geral. O custo médio anual por beneficiário subiu de R$ 9.854 em 2022 para R$ 15.824,24 em 2025, aumento acumulado de 60,6%. Somente entre 2024 e 2025, o crescimento foi de aproximadamente 23,5%. A avaliação do Dieese é que essa transformação estrutural no perfil assistencial deve ser acompanhada de uma ampliação real da participação financeira da Caixa, e não de uma transferência ainda maior dos custos aos beneficiários. A situação continuou pressionada em 2026. Até maio, o Saúde Caixa acumulava déficit de R$ 222,2 milhões, com despesas próximas de R$ 1,8 bilhão. Adoecimento relacionado ao trabalho Os dados do próprio relatório também mostram um aumento expressivo da demanda por cuidados de saúde mental. Em 2025, a psicologia respondeu por 60,3% dos custos da linha de terapias. Foram realizados mais de 1,67 milhão de procedimentos, com crescimento de 48% no número de sessões. Para a CEE, os números não podem ser analisados sem considerar as condições de trabalho na Caixa, marcadas pela redução do quadro, sobrecarga, pressão por metas e adoecimento. O Dieese ressalta que, quando a organização do trabalho contribui para o adoecimento, a empresa deve assumir sua responsabilidade tanto na prevenção quanto no financiamento dos tratamentos. Nesse sentido, a representação sindical reivindica que a Caixa arque integralmente com os tratamentos relacionados às doenças classificadas como B91. No contexto previdenciário, o código identifica o benefício concedido quando a lesão ou a doença possui vínculo com o trabalho (o antigo auxílio-doença acidentário, atualmente denominado auxílio por incapacidade temporária decorrente de acidente de trabalho). A reivindicação, aprovada no 41º Conecef, busca impedir que os custos de doenças provocadas ou agravadas pelas condições de trabalho sejam transferidos ao conjunto dos usuários do Saúde Caixa. A pauta também prevê a emissão da Comunicação de Acidente de Trabalho, orientação aos trabalhadores afastados e cobertura dos medicamentos e tratamentos decorrentes do adoecimento ocupacional. “É inaceitável que o empregado seja submetido a metas, pressão e sobrecarga, adoeça dentro da empresa e depois tenha de pagar uma mensalidade ainda maior para tratar esse adoecimento. A Caixa precisa assumir os custos das doenças relacionadas ao trabalho”, reforçou Luiza Hansen. CEE já apresentou alternativas A CEE ressaltou que não se limita a rejeitar a proposta do banco, mas apresentou na própria minuta de reivindicações diferentes alternativas para enfrentar o déficit sem inviabilizar o plano e sem impor todo o ônus aos usuários. A representação também cobra contratações, inclusão dos empregados admitidos após setembro de 2018 no direito ao plano com participação da Caixa durante a aposentadoria, ampliação da rede credenciada, maior transparência e preservação do mutualismo, da solidariedade e do pacto intergeracional. Nova proposta precisa valorizar o quadro Ao final da reunião, a Caixa reconheceu que a proposta não havia sido aceita e informou que voltaria a avaliar o modelo. A CEE reiterou que espera uma nova formulação, com aumento da participação do banco e respeito à capacidade de pagamento dos beneficiários. Outras cobranças A CEE/Caixa também cobrou que o banco apresente suas devolutivas sobre as demais reivindicações apresentadas em mesa e presentes na minuta entregue ao banco. Fonte: Contraf-CUT
- BB perde a oportunidade de apresentar respostas às reivindicações dos trabalhadores
Movimento sindical exige abertura de concurso público, solução de custeio da Cassi e aperfeiçoamento do PCR, para acabar com a distorção que transformou em teto o que deveria ser piso salarial A Comissão de Empresa dos Funcionários do Banco do Brasil (CEBB) voltou a se reunir, nesta quarta-feira (5), com o Banco do Brasil, em mais uma rodada de negociações da Campanha Nacional por aumento na remuneração e melhores condições de trabalho. Os trabalhadores iniciaram a rodada reforçando as principais reivindicações: Cassi: que o banco apresente um plano de custeio, com o aumento da responsabilidade da empresa na sustentabilidade da caixa de assistência. Metas: revisão da gestão por metas, em vista do aumento de reclamações, em todo o país, de trabalhadores com dificuldades de alcaçarem as metas impostas, a ponto de sofrerem prejuízos na remuneração (PLR). Isonomia: igualdade de acesso e atendimento à Cassi e Previ para os funcionários egressos (que ingressaram no banco em razão da incorporação de outras instituições). Previ: novas melhorias Tabela PIP, para contemplar mais trabalhadores com a valorização da previdência complementar. PCS/PCR: aperfeiçoamento do Programa de Cargos e Salários (também chamado de Programa de Carreira e Remuneração), com foco na revisão de critérios de progressão, valorização do mérito, reajuste de adicionais de função e atualização dos vencimentos do funcionalismo. Poucos e sobrecarregados Os dirigentes sindicais também reforçaram a reivindicação pela abertura de concursos públicos para suprir a falta de funcionários em várias localidades do país. "Filas de atendimento, colegas sobrecarregados de funções e metas, casos de agências fechadas por falta de funcionários para atender clientes. Todos esses foram pontos que colocamos na mesa e que o banco só irá solucionar com a contratação de novos bancários e bancárias por concursos públicos", cobrou a coordenadora da CEBB, Fernanda Lopes. Os representantes dos trabalhadores registraram que as avaliações ruins de agências com déficit de funcionários acabam recaindo sobre os trabalhadores que, por sua vez, são penalizados financeiramente pelo não atingimento de metas. "Novamente incorremos, neste ponto, à questão de estresse e impactos negativos à saúde física e mental", completou a dirigente. O movimento sindical criticou ainda a contratação, por parte do BB, de correspondentes bancários. Isso porque, além de uma forma de terceirização de serviços, a disponibilidade do acesso à carteira de clientes do BB aos correspondentes fragiliza a segurança de dados. Defesa do BB como banco público A CEBB também criticou o afastamento do BB de seu papel como banco público. "O Banco do Brasil tem aplicado os juros mais altos no crédito consignado público. Então, além de isso ferir o princípio do papel social do BB, como exigir dos funcionários que batam metas de venda de crédito, oferecendo os juros mais altos?", questionou Fernanda Lopes. Devolutivas dos negociadores do BB Cassi – O banco reconheceu a urgência sobre a questão financeira da caixa de assistência. Declarou que para se alcançar uma "solução definitiva e estruturante" precisará de mais tempo. Egressos – Sobre a Cassi, não apresentaram avanços, reafirmando que ainda estão na fase de estudos de um modelo de custeio para fraquear o acesso de todos os egressos ao plano de saúde. Em relação à previdência, também não apresentaram avanços, mas se comprometeram a retomar as mesas específicas, quando irão apresentar propostas de estudos que já desenvolveram para cobrir os egressos. Metas – O banco se comprometeu a chamar uma mesa específica para apresentar um programa novo, chamado REVISA, onde as unidades teriam a oportunidade de pedir uma revisão, após o recebimento de indicadores. Cláusulas econômicas e melhores condições de trabalho Em seguida, os negociadores do BB fizeram uma apresentação na tentativa de provar que existe crescimento de carreira no banco, criticando, também, os pedidos de reajustes de verbas da minuta de reivindicações da categoria. O movimento sindical rebateu. “A minuta de reivindicações é uma construção democrática e coletiva e que envolve funcionários do país inteiro. O anseio das bases é que o banco traga como respostas propostas de reajustes que valorizam a categoria", explicou Fernanda Lopes. Os trabalhadores também exigiram que o banco revise o PCS e o piso. “Na composição do salário hoje, no BB, existe uma verba complementar de função que impede que a remuneração efetiva aumente. Então, conforme o funcionário avança na pontuação de mérito ou na carreira de antiguidade, a verba complementar é reduzida, não trazendo aumento real no salário. E esse formato, simplesmente, transformou o que deveria ser piso em teto”, pontuou o representante da Contraf-CUT na CEBB, Gustavo Tabatinga Jr. Próxima mesa Os representantes dos trabalhadores e do BB voltarão a se reunir no dia 14 de agosto. "A data-base se aproxima, então a nossa expectativa é que o banco traga finalmente, no próximo encontro, propostas concretas às nossas reivindicações e que reflitam a responsabilidade da empresa para com a valorização dos funcionários e funcionárias", concluiu Fernanda Lopes. Fonte: Contraf-CUT
- Comando Nacional e Fenaban voltam à mesa de negociações e bancos não apresentam propostas
Nesta terça-feira, 4, o Comando Nacional dos Bancários e os representantes da Fenaban voltaram à mesa de negociações, dando continuidade ao processo de debate das reivindicações da categoria. Nas rodadas anteriores, foram discutidos diversos temas de interesse dos bancários e bancárias, definidos pela categoria durante a Conferência Nacional e que compõem a Minuta Nacional de Reivindicações. Entre as principais pautas estão o fim do fechamento de agências e das demissões, a ampliação das oportunidades, a valorização dos salários e da carreira, melhores condições de trabalho, mais segurança e, principalmente, medidas efetivas de prevenção e proteção à saúde dos trabalhadores, além do combate ao assédio e às cobranças abusivas por metas. Logo no início da reunião, os representantes dos bancários cobraram respostas concretas dos bancos e reforçaram a expectativa da categoria de que a renovação da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) e dos acordos específicos resulte em avanços que representem uma justa contrapartida ao trabalho realizado diariamente por bancárias e bancários em todo o país. A convite da Fenaban, participou desta rodada Carolina Cavenaghi, da FIN4SHE, empresa especializada em inclusão e valorização das mulheres nas organizações. O debate abordou a importância da diversidade no ambiente de trabalho e a necessidade de ampliar a contratação, a capacitação, a igualdade de oportunidades e a ascensão das mulheres no Sistema Financeiro. Ao tratar das questões econômicas, os representantes dos bancos apresentaram uma série de dados para sustentar a alegação de que o Sistema Financeiro enfrenta um cenário de maior concorrência, o que, segundo eles, dificultaria o atendimento às reivindicações de valorização dos pisos, salários, benefícios e da Participação nos Lucros e Resultados (PLR). Diante desse cenário, afirmaram que ainda não reuniam condições de apresentar uma proposta econômica, assumindo o compromisso de construir e apresentar, na próxima rodada de negociações, uma proposta global para a renovação da Convenção Coletiva de Trabalho. O Comando Nacional contestou os argumentos apresentados, ressaltando que comparações setoriais precisam considerar as características específicas de cada atividade econômica. Também reforçou que, diante dos elevados lucros obtidos pelos bancos, a valorização da categoria não representa um custo excessivo, mas sim o justo reconhecimento do trabalho de milhares de bancárias e bancários que constroem esses resultados diariamente. Para o presidente do Sintrafi Floripa, Cleberson Eichholz, a postura dos bancos reforça a necessidade de intensificar a mobilização. "Nenhum direito é conquistado apenas na mesa de negociação. Se os bancos alegam dificuldades para apresentar uma proposta econômica, cabe à categoria demonstrar, por meio da mobilização, que a valorização dos trabalhadores, a preservação dos empregos e melhores condições de trabalho são prioridades inegociáveis. Quanto maior for nossa participação, maior será nossa força para avançar nas negociações." Já o coordenador da Fetrafi-SC, Marco Silvano, destacou a importância de os bancários acompanharem de perto as atividades organizadas pelo movimento sindical. "É fundamental que a categoria acompanhe as atividades dos sindicatos e participe dos espaços de debate e mobilização. Reforçamos o convite para que todos estejam presentes na Audiência Pública que será realizada na ALESC. A defesa dos empregos, das agências e de um sistema financeiro comprometido com a sociedade depende do envolvimento de cada bancária e de cada bancário." Diante da ausência de uma proposta econômica e do compromisso assumido pela Fenaban de apresentar uma proposta global na próxima rodada, prevista para o dia 13 de agosto, o Comando Nacional reforçou que somente uma categoria mobilizada será capaz de pressionar os bancos a avançarem nas negociações. Agora é o momento de fortalecer a unidade, ampliar a participação nas atividades promovidas pelos sindicatos e ocupar todos os espaços de mobilização. Somente com organização, unidade e pressão será possível conquistar valorização, preservar empregos, ampliar direitos e garantir uma proposta compatível com a importância da categoria para os resultados do sistema financeiro.
- Conferência Nacional dos Financiários começa nesta quarta (5) e define prioridades da Campanha Nacional 2026
Representantes de todo o país se reúnem em São Paulo para debater saúde, condições de trabalho e construir a minuta de reivindicações que será apresentada à Fenacrefi A Conferência Nacional dos Financiários 2026 começa nesta quarta-feira (5), na sede da Contraf-CUT, em São Paulo, reunindo dirigentes sindicais e representantes das federações de todo o país para debater os principais desafios da categoria e definir as prioridades da Campanha Nacional dos Financiários deste ano. Durante os dois dias de atividades, os participantes discutirão temas fundamentais para os trabalhadores do setor, como saúde e condições de trabalho, além de analisar os resultados da Consulta Nacional dos Financiários e construir a minuta de reivindicações que orientará as negociações com a Federação Interestadual das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento (Fenacrefi). A abertura contará com a participação da presidenta da Contraf-CUT, Juvandia Moreira, da presidenta do Sindicato dos Trabalhadores do Ramo Financeiro de São Paulo, Osasco e Região, Neiva Ribeiro, do diretor executivo da Contraf-CUT e coordenador da Comissão Nacional dos Financiários, Jair Alves dos Santos, e da secretária de Organização do Ramo Financeiro da Contraf-CUT, Talita Regia da Silva. Na primeira tarde de atividades, a programação prevê um debate sobre saúde e condições de trabalho, conduzido pelo secretário de Saúde do Trabalhador da Contraf-CUT, Mauro Salles Machado. Em seguida, técnicas do Dieese apresentarão os resultados da Consulta Nacional dos Financiários e dados atualizados sobre o setor, que servirão de base para a definição das prioridades da campanha. Na quinta-feira (6), as federações apresentarão os informes dos debates realizados em suas bases. Depois, será realizada a mesa dedicada à construção da minuta de reivindicações, com assessoria jurídica da Contraf-CUT e do Sindicato dos Trabalhadores do Ramo Financeiro de São Paulo, Osasco e Região. O encontro será encerrado com a definição do calendário da campanha, da assembleia da categoria e dos encaminhamentos para a entrega da pauta de reivindicações à Fenacrefi. "A Conferência Nacional dos Financiários é o principal espaço de construção coletiva da nossa campanha. É aqui que reunimos a experiência dos trabalhadores de todas as regiões do país para definir uma pauta que reflita as necessidades reais da categoria. Nosso objetivo é fortalecer a organização dos financiários e chegar à mesa de negociação com reivindicações consistentes, capazes de garantir valorização, melhores condições de trabalho e mais direitos para todos", afirma Jair Alves dos Santos, diretor executivo da Contraf-CUT e coordenador da Comissão Nacional dos Financiários. Para a secretária de Organização do Ramo Financeiro da Contraf-CUT, Talita Regia da Silva, a conferência reafirma o compromisso da categoria com a construção democrática da campanha. "A Conferência Nacional é o momento em que a categoria transforma a realidade vivida nos locais de trabalho em propostas concretas de luta. É um espaço democrático de construção coletiva, que fortalece nossa organização e prepara os financiários para uma campanha nacional capaz de responder aos desafios do setor e conquistar avanços em direitos, valorização e melhores condições de trabalho", destaca Talita Regia da Silva. Confira a programação 5 de agosto (quarta-feira) 13h45 – Credenciamento 14h – Abertura Juvandia Moreira – Presidenta da Contraf-CUT Neiva Ribeiro – Presidenta do Sindicato dos Trabalhadores do Ramo Financeiro de São Paulo, Osasco e Região Jair Alves dos Santos – Diretor executivo da Contraf-CUT e coordenador da Comissão Nacional dos Financiários Talita Regia da Silva – Secretária de Organização do Ramo Financeiro da Contraf-CUT 15h – Mesa 1 | Saúde e Condições de Trabalho Mauro Salles Machado – Secretário de Saúde do Trabalhador da Contraf-CUT 16h15 – Intervalo 16h30 – Mesa 2 | Apresentação dos resultados da Consulta Nacional dos Financiários e dados setoriais Cátia Uehara – Técnica do Dieese Vivian Machado – Técnica do Dieese 17h30 – Encerramento do primeiro dia 6 de agosto (quinta-feira) 9h30 – Informes dos debates locais (federações) 10h30 – Mesa 3 | Debate e propostas para construção da minuta de reivindicações dos financiários Dra. Cynthia Valente – Advogada e assessora jurídica do Sindicato dos Trabalhadores do Ramo Financeiro de São Paulo, Osasco e Região Dr. Jefferson Martins – Advogado e assessor jurídico da Contraf-CUT 12h30 – Intervalo 12h45 – Encaminhamentos: calendário, assembleia e entrega da minuta 13h – Encerramento da Conferência. Fonte: Contraf-CUT
- Após pressão sindical, Itaú confirma vigilantes em todos os Espaços Itaú de Negócios até outubro
Decisão é resultado da mobilização do movimento sindical e de sucessivas cobranças da COE Itaú, que denunciou os riscos à segurança de bancários, bancárias e clientes nas unidades sem vigilância Ao longo dos últimos anos, o movimento sindical travou uma intensa luta para garantir mais segurança nos Espaços Itaú de Negócios. Como resultado dessa mobilização, o Itaú informou que todas essas unidades passarão a contar com vigilantes até o mês de outubro, atendendo a uma reivindicação histórica dos trabalhadores. Desde o início da transformação das agências em Espaços Itaú de Negócios, sindicatos de todo o país denunciaram a ausência de vigilantes e os riscos a que bancários, bancárias e clientes estavam submetidos. Durante esse período, foram realizadas paralisações, protestos, manifestações e diversas ações para cobrar uma solução definitiva do banco. Em diferentes regiões do país, a falta de segurança resultou em situações graves, como assaltos a clientes e funcionários, golpes em caixas eletrônicos, atos de vandalismo e episódios de violência dentro das unidades. Além das mobilizações, o movimento sindical promoveu audiências públicas, realizou reuniões com Secretarias de Segurança e apresentou denúncias aos órgãos competentes, reforçando a necessidade de garantir condições adequadas de proteção para quem trabalha e utiliza os serviços bancários. A reivindicação também foi levada à mesa de negociação pela Comissão de Organização dos Empregados (COE) do Itaú e integrou a pauta específica entregue ao banco em 1º de julho, após o Encontro Nacional dos Bancários e Bancárias do Itaú, realizado em 19 de junho, em São Paulo. Segundo o banco, até outubro todos os Espaços Itaú de Negócios estarão com vigilantes, ampliando a proteção aos trabalhadores e aos clientes. Para a coordenadora da COE Itaú, Valeska Pincovai, a decisão representa uma importante vitória da organização e da persistência do movimento sindical. "Essa é uma conquista da nossa mobilização, da nossa luta e da insistência do movimento sindical em mostrar ao Itaú que a vida das pessoas precisa estar acima do lucro. Conseguimos sensibilizar o banco de que não era mais aceitável expor clientes e trabalhadores a situações de risco e violência. Os bancários já convivem diariamente com a pressão por metas e pelo adoecimento causado pela organização do trabalho, e ainda eram obrigados a enfrentar o medo constante da falta de segurança. A instalação de vigilantes em todos os Espaços Itaú de Negócios é uma vitória coletiva e demonstra que a negociação e a mobilização dos trabalhadores são capazes de transformar a realidade." Fonte: Contraf-CUT
- CEBB cobra avanços para funcionários do Banco do Brasil em negociação nesta quarta-feira
Jornal Espelho detalha situação da Cassi e está disponível nas publicações do site e no acesso interno O Banco do Brasil e a Comissão de Empresa dos Funcionários do Banco do Brasil (CEBB) voltam a se reunir nesta quarta-feira (5), em São Paulo, para mais uma rodada de negociação no âmbito da Campanha Nacional Unificada das Bancárias e dos Bancários 2026. Nas rodadas anteriores, a CEBB apresentou e defendeu a pauta específica dos funcionários do BB, construída a partir das demandas da categoria e das necessidades identificadas no cotidiano de trabalho. Para esta nova reunião, a representação dos trabalhadores vai cobrar respostas e avanços em temas como valorização da carreira, melhorias nas funções, condições de trabalho, combate às metas abusivas, inclusão e igualdade, além de uma solução definitiva para o custeio da Caixa de Assistência dos Funcionários do Banco do Brasil (Cassi). Entre as principais reivindicações está o fortalecimento da carreira dos funcionários, com revisão de distorções, valorização das funções e reconhecimento dos trabalhadores que contribuem diariamente para os resultados da instituição. A CEBB também tem cobrado mudanças na organização do trabalho, diante do aumento da pressão por metas e da sobrecarga enfrentada pelos funcionários. Os representantes dos trabalhadores defendem medidas de prevenção ao adoecimento e a construção de um ambiente de trabalho mais saudável. Outro ponto destacado nas negociações é a valorização de áreas e funções fundamentais para o funcionamento do Banco do Brasil, como os atendentes da Central de Relacionamento BB (CRBB), assistentes da Diretoria de Operações (DIOPE) e dos Centros de Serviços (CESUP), além da efetivação dos trabalhadores que assumem caixas como assistentes. A inclusão e a igualdade de oportunidades também fazem parte da pauta dos funcionários. A CEBB reivindica avanços nas políticas de diversidade, com medidas que garantam ambientes mais inclusivos e que atendam às demandas de trabalhadores com deficiência, mulheres, pessoas negras e demais grupos representados na instituição. A saúde dos funcionários segue como uma das principais preocupações da negociação. A CEBB tem cobrado do Banco do Brasil uma solução para os problemas relacionados à Cassi, garantindo sustentabilidade financeira, qualidade no atendimento e preservação do modelo de assistência construído pelos funcionários ao longo dos anos. Para a coordenadora da CEBB, Fernanda Lopes, a negociação desta quarta-feira é mais uma oportunidade para o banco apresentar respostas concretas às reivindicações dos trabalhadores. “Os funcionários do Banco do Brasil são responsáveis por construir diariamente os resultados da instituição. Nesta negociação, vamos cobrar avanços que valorizem a carreira, melhorem as condições de trabalho e garantam respeito à saúde dos trabalhadores. O banco precisa reconhecer a importância de quem faz a instituição funcionar.” A negociação desta quarta-feira faz parte da fase decisiva da Campanha Nacional Unificada das Bancárias e dos Bancários 2026, que busca renovar a Convenção Coletiva de Trabalho e os acordos específicos da categoria. Situação da Cassi A Contraf-CUT disponibiliza, nas publicações do site e no acesso interno, o jornal Espelho com informações sobre a situação da Cassi, incluindo o debate sobre o custeio da Caixa de Assistência dos Funcionários do Banco do Brasil e as cobranças do movimento sindical por uma solução que preserve a sustentabilidade do plano e a qualidade do atendimento aos associados. Fonte: Contraf-CUT
- Audiência Pública na Alesc vai debater impactos do fechamento de agências bancárias em Santa Catarina
A Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc) promove, na quarta-feira, dia 5 de agosto, às 18h30, no Plenarinho Deputado Paulo Stuart Wright, uma Audiência Pública para discutir os impactos econômicos e sociais provocados pelo fechamento de agências bancárias no estado. O encontro reunirá representantes de entidades sindicais, movimentos sociais, organizações populares, trabalhadores, especialistas e a sociedade civil para debater um processo que vem transformando profundamente o acesso da população aos serviços bancários. A iniciativa busca ampliar o debate sobre as consequências da redução da rede física de atendimento, que afeta não apenas bancários e bancárias, mas também aposentados, pessoas idosas, agricultores familiares, comerciantes, pequenos empreendedores e moradores de municípios do interior, onde o encerramento de uma agência muitas vezes significa a necessidade de percorrer longas distâncias para acessar serviços financeiros essenciais. Bancos acumulam lucros recordes enquanto reduzem atendimento Os dados reforçam a dimensão do problema. Enquanto os cinco maiores bancos que operam no país registraram lucro líquido de R$ 255,3 bilhões em 2025, o sistema financeiro promoveu o fechamento de 1.345 agências e extinguiu 12.815 postos de trabalho nos últimos 12 meses. Atualmente, 47,6% dos municípios brasileiros já não possuem nenhuma agência bancária. Em Santa Catarina, a retração também é expressiva. O número de pontos de atendimento caiu de 958 unidades, em 2015, para 611 em 2025, uma redução de 347 agências ao longo da última década. O cenário evidencia o avanço da concentração dos serviços bancários, ao mesmo tempo em que aumenta a sobrecarga dos trabalhadores e dificulta o acesso da população ao atendimento presencial. A digitalização forçada amplia a exclusão financeira de milhões de brasileiros, especialmente daqueles com menor acesso à tecnologia. Mais de 19,7 milhões de pessoas vivem em localidades sem qualquer agência bancária próxima. Além disso, pesquisas do Banco Central apontam maior incidência de golpes entre usuários de serviços digitais, reforçando preocupações relacionadas à segurança e à vulnerabilidade dos clientes. Prejuízos vão além da precarização do atendimento O fechamento de agências bancárias vai muito além da redução do atendimento financeiro e provoca impactos diretos sobre a economia dos municípios. Sem uma unidade bancária, comerciantes, microempreendedores e profissionais liberais perdem circulação de clientes e recursos, enquanto aposentados, beneficiários de programas sociais e demais moradores são obrigados a buscar atendimento em cidades vizinhas. Nesses deslocamentos, o dinheiro que antes movimentava supermercados, farmácias, lojas, prestadores de serviços e pequenos negócios passa a ser gasto em outros centros urbanos, enfraquecendo o comércio local, reduzindo oportunidades de trabalho e comprometendo a renda das famílias. Essa perda econômica também afeta as finanças municipais, com queda na arrecadação do ISS sobre serviços bancários e comerciais, redução da participação no ICMS e aumento da dificuldade de arrecadação de tributos próprios. O resultado é o aprofundamento das desigualdades regionais, à medida que a riqueza produzida nos pequenos e médios municípios deixa de circular localmente e passa a fortalecer os grandes centros, concentrando investimentos, empregos e o desenvolvimento econômico. Participação da sociedade é fundamental A Audiência Pública representa uma oportunidade para que diferentes segmentos da sociedade apresentem suas experiências e contribuam para a construção de propostas capazes de enfrentar os impactos do fechamento das agências bancárias. A Fetrafi-SC destaca que a defesa do atendimento presencial está diretamente relacionada à cidadania, à inclusão social, ao desenvolvimento regional e à proteção dos direitos da população, especialmente das pessoas que dependem do atendimento para acessar benefícios, crédito, financiamentos e outros serviços essenciais. Também estão em pauta a preservação dos empregos bancários e a melhoria das condições de trabalho da categoria, diante da intensificação das metas e da sobrecarga provocada pela redução das equipes. Por isso, a entidade convida sindicatos, movimentos sociais, organizações populares e toda a sociedade civil organizada a participarem da audiência, fortalecendo um debate que ultrapassa os interesses da categoria bancária e envolve o direito da população a um sistema financeiro acessível, seguro e comprometido com o interesse público.
- Lucro do Santander cai 9,5% no primeiro semestre, enquanto banco elimina mais de 6,5 mil empregos
Mesmo com lucro de R$ 6,8 bilhões no Brasil e receitas crescentes com tarifas bancárias, banco mantém política de cortes de pessoal e fechamento de agências O Banco Santander registrou lucro líquido gerencial de R$ 6,802 bilhões no primeiro semestre de 2026, resultado 9,5% inferior ao obtido no mesmo período do ano passado. Em relação ao primeiro trimestre deste ano, quando o banco lucrou R$ 3,788 bilhões, a queda foi ainda maior, de 20,4%. A carteira de crédito ampliada alcançou aproximadamente R$ 714,8 bilhões, crescimento de 5,8% em 12 meses e de 1,3% na comparação com o trimestre anterior. O principal destaque foi o financiamento ao consumo, especialmente o crédito para veículos, que avançou 15,3% no período. As receitas com prestação de serviços e tarifas bancárias também cresceram, totalizando R$ 10,949 bilhões, alta de 4,5% em relação ao primeiro semestre de 2025. Ao mesmo tempo, as despesas com pessoal, incluindo a Participação nos Lucros e Resultados (PLR), caíram 2,5%, somando R$ 6,122 bilhões. Com isso, as receitas de tarifas foram suficientes para cobrir 186,8% das despesas com pessoal. A holding Santander encerrou junho de 2026 com 47.327 empregados, após eliminar 6.591 postos de trabalho em 12 meses, sendo 2.334 vagas fechadas apenas no primeiro semestre deste ano. No mesmo período, a base de clientes cresceu em 3,5 milhões, alcançando 72,3 milhões de clientes, enquanto o banco fechou 178 agências e 179 Postos de Atendimento Bancário (PABs). Para a coordenadora da Comissão de Organização dos Empregados (COE) do Santander, Ana Marta Lima, os números demonstram que o banco insiste em uma estratégia equivocada de gestão, especialmente no que diz respeito à política de pessoal. “O banco continua reduzindo postos de trabalho, ampliando a terceirização e fechando agências como forma de cortar custos. Essa estratégia sobrecarrega quem permanece nas unidades, compromete a qualidade do atendimento prestado à população e ignora a contribuição dos trabalhadores para os resultados da empresa”, afirma. Na avaliação da secretária de Relações Internacionais da Contraf-CUT e funcionária do Santander, Rita Berlofa, os resultados reforçam a necessidade de o banco rever sua política para os trabalhadores brasileiros. “Apesar da redução no Brasil, o Grupo Santander registrou lucro global de € 7,328 bilhões no primeiro semestre, alta de 14,9% em relação ao mesmo período de 2025. A operação brasileira respondeu por 14,9% do resultado mundial do grupo, demonstrando a importância do país para os resultados da instituição.” Fonte: Contraf-CUT
- Super Caixa precisa ser negociado e reconhecer o trabalho de todo o quadro de pessoal do banco
Contraf-CUT, CEE/Caixa e Fenae defendem o princípio “vendeu, recebeu”, pagamento para todos os que contribuem com os resultados, regras transparentes e fim de indicadores que reduzem ou eliminam a premiação A representação sindical das empregadas e dos empregados da Caixa Econômica Federal reivindica que o Super Caixa e todos os programas que tenham impacto na renda do quadro de pessoal sejam negociados previamente com as entidades sindicais. A cobrança, que já vinha sendo feita desde a criação do programa, agora integra a pauta de reivindicações da Campanha Nacional dos Bancários 2026 e tem como objetivo garantir critérios justos, transparentes e construídos com a participação de quem conhece a realidade do trabalho no banco. Para a Comissão Executiva dos Empregados (CEE) da Caixa, o programa deve partir de duas premissas: o princípio “vendeu, recebeu” e o reconhecimento de que os resultados são construídos coletivamente. Na prática, quem comercializa produtos da Caixa Seguridade, Caixa Asset e de outras empresas do conglomerado contribui para gerar receitas para o banco. A reivindicação é que a comissão seja destinada diretamente aos empregados responsáveis pela comercialização. Com relação ao bônus, hoje pago apenas para cargos gerenciais e de superintendência, a CEE defende que o reconhecimento não pode se limitar a quem aparece diretamente na venda. As equipes responsáveis pelo atendimento social, pelos serviços operacionais, pelo suporte administrativo e por outras atividades essenciais permitem que parte do quadro se dedique aos negócios. Todos contribuem para o resultado e, por isso, todos devem ter direito ao bônus. “Não existe resultado individual dentro de uma empresa com a dimensão e a responsabilidade social da Caixa. Enquanto alguns empregados comercializam produtos, outros atendem beneficiários de programas sociais, resolvem problemas operacionais, dão suporte às unidades e garantem que o banco funcione. O resultado é coletivo e precisa ser reconhecido dessa maneira”, afirmou a coordenadora da CEE/Caixa, Luiza Hansen. Prêmio ou remuneração: impacto na renda é real A Caixa sustenta que o Super Caixa é um programa de “premiação por liberalidade” e não uma forma de remuneração. O regulamento do primeiro semestre de 2026 registra expressamente essa classificação e afirma que os pagamentos não teriam natureza salarial. O documento condiciona ainda a existência da premiação à obtenção de lucro líquido contábil pelo banco no período de apuração. Para a representação dos trabalhadores, porém, a denominação escolhida pelo banco não elimina os efeitos concretos desses valores na renda e na organização financeira das famílias. “Para quem trabalha, não importa o nome que a Caixa atribui ao pagamento. Esses valores interferem na renda, no orçamento familiar e na capacidade de planejamento dos empregados. Por isso, as regras não podem ser definidas unilateralmente, alteradas durante a apuração ou apresentadas somente depois que o trabalho já foi realizado”, ressaltou Luiza. O programa vem sendo criticado desde sua implantação pela ausência de negociação coletiva, pela complexidade das regras e pela dificuldade de os trabalhadores preverem quanto, e até mesmo se receberão. Regras precisam ser conhecidas antes do ciclo A CEE cobra que todas as regras sejam definidas e divulgadas antes do início do período de apuração. Os critérios não podem ser alterados durante o ciclo, e os empregados precisam ter acesso permanente às informações utilizadas para calcular sua habilitação, pontuação e pagamento. A representação também reivindica mensuração objetiva e com grau de complexidade equivalente para os diferentes segmentos do banco, incluindo rede de atendimento, centralizadoras, áreas-meio e matriz. O empregado não pode ser submetido a indicadores sobre os quais não possui controle ou ser penalizado por problemas de sistemas, infraestrutura, dimensionamento de pessoal e decisões administrativas do próprio banco. O regulamento geral do primeiro semestre de 2026 condiciona a habilitação integral das unidades ao cumprimento simultâneo de requisitos no Alcance.Caixa e de resultados mínimos nos indicadores de Negócios Sustentáveis e satisfação dos clientes. Também estabelece que os valores apresentados no painel durante o ciclo são apenas preliminares e que o pagamento pode ocorrer em até 90 dias depois da divulgação do balanço e da formalização dos resultados. Para as entidades, esse modelo reduz a previsibilidade e dificulta a conferência dos cálculos pelos empregados. “Vendeu, recebeu” No Bloco Sinergia, destinado à comercialização de produtos da Caixa Seguridade e da Caixa Asset, o regulamento prevê gatilhos, habilitadores, classificações e redutores que podem diminuir ou até eliminar o pagamento, mesmo quando houve venda. No módulo Seguridade, por exemplo, empregados com resultado inferior a 71 pontos no indicador de Negócios Sustentáveis deixam de receber a premiação. Quem fica entre 71 e 94,99 pontos sofre redução de faixa, independentemente do resultado obtido no Time de Vendas. O regulamento também prevê limites individuais, redutores orçamentários e critérios relacionados ao momento em que a chamada FEE de premiação é repassada à Caixa pelas empresas de seguridade. A CEE reivindica a retirada dos indicadores de Negócios Sustentáveis e de satisfação dos clientes como redutores dos valores apurados. Para a representação, quem realizou a comercialização e gerou receita para o conglomerado precisa receber. “Vendeu, recebeu. É um princípio simples e justo. Não é aceitável que o empregado entregue o resultado e depois perca o pagamento por um indicador que depende de fatores externos, por uma falha operacional ou por uma regra modificada ao longo do programa”, afirmou o presidente da Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa (Fenae), Sergio Takemoto. O Bloco Conexão, voltado principalmente a funções gerenciais das redes comerciais, também utiliza cálculos baseados em indicadores, medianas, faixas de classificação e multiplicadores. As regras preveem, ainda, redutor linear caso o valor total apurado ultrapasse o orçamento definido para o bloco. Indicadores não podem virar instrumentos de punição Para a CEE, indicadores como Negócios Sustentáveis e CSAT não podem transformar um programa apresentado como reconhecimento em um mecanismo de punição. Além de retirar renda, esse modelo intensifica a pressão por resultados e aumenta a insegurança, a competição interna e o risco de adoecimento. Problemas anteriores demonstram que os empregados podem ser prejudicados por situações que não dependem de seu desempenho. Em fevereiro, após cobranças das entidades, a Caixa precisou abrir a possibilidade de regularização de documentos pendentes em 656 unidades. A falha de registro afetava o indicador utilizado no Super Caixa e poderia deixar equipes inteiras sem pagamento, apesar do trabalho realizado e dos resultados entregues. “O programa deveria estimular a cooperação e reconhecer o esforço das equipes. Quando o banco utiliza indicadores pouco transparentes para reduzir ou zerar pagamentos, o efeito é o contrário: gera frustração, disputa interna e adoecimento. Precisamos de um modelo construído por meio do diálogo, que valorize as pessoas e não crie novas injustiças”, declarou Takemoto. Resultados mostram contribuição dos empregados Dados divulgados pela própria Caixa Seguridade reforçam a contribuição do quadro de pessoal. Em maio de 2026, os prêmios de seguros emitidos pelas empresas ligadas à Caixa cresceram 8,5% em relação ao mesmo mês de 2025, enquanto o restante do mercado avançou 5,9%. No acumulado dos cinco primeiros meses do ano, o crescimento da Caixa foi de 8,3%, diante de 6,9% do mercado sem a instituição. O relatório mensal da Caixa Seguridade é elaborado com base nos dados públicos da Superintendência de Seguros Privados (Susep). “Esses números não aparecem sozinhos. São resultado do trabalho diário dos empregados, que atendem a população, orientam os clientes, comercializam produtos e sustentam o funcionamento do banco. É contraditório comemorar o crescimento dos negócios e, ao mesmo tempo, criar barreiras para reconhecer quem tornou esse crescimento possível”, observou Luiza. Negociação é indispensável A cobrança por negociação do Super Caixa não é recente. Desde 2025, Contraf-CUT, CEE/Caixa, Fenae, Apcefs, federações e sindicatos denunciam a falta de transparência e reivindicam que as regras sejam debatidas antes de sua implantação. Em abril de 2026, as entidades voltaram a cobrar respostas formais e defenderam a mesa de negociação como espaço para construir um programa que garanta pagamento pelo trabalho realizado. A representação dos empregados seguirá defendendo: Negociação prévia de qualquer programa que gere renda; Reconhecimento do trabalho coletivo; Aplicação do princípio “vendeu, recebeu”; Regras simples, objetivas e definidas antes da apuração; Acesso permanente aos dados e às fórmulas de cálculo; Proibição de mudanças durante o ciclo; Retirada de redutores que penalizem quem entregou resultados; Proteção da saúde e combate à pressão por metas abusivas. As negociações com a Caixa fazem parte da Campanha Nacional dos Bancários 2026. Empregadas e empregados devem acompanhar o site e as redes sociais da Contraf-CUT, da Fenae, das Apcefs e dos sindicatos para receber informações atualizadas sobre as mobilizações e as mesas de negociação. Outra possibilidade é se inscrever nos grupos de WhatsApp da Contraf-CUT. Receba notícias das negociações com a Caixa https://chat.whatsapp.com/Fosc4juP7wbGchVPmqgsLz Receba notícias gerais da Campanha Nacional dos Bancários 2026 https://chat.whatsapp.com/FjXsBIuHe9x68Xrvnnd5X9 Fonte: Contraf-CUT
- Bancos lucram mais com digitalização, mas clientes e trabalhadores pagam a conta
Investimentos ampliam rentabilidade, mas eliminam empregos, concentram atendimento nos canais digitais e ampliam desafios de inclusão financeira A imagem histórica das agências bancárias — marcada por filas persistentes, guichês de vidro e o som rítmico de autenticadoras de papel — está sendo rapidamente substituída por uma realidade silenciosa movida por algoritmos e interfaces digitais. O setor financeiro brasileiro consolidou, em 2025, uma transição profunda em sua estrutura operacional, impulsionada por um investimento massivo de R$ 47,8 bilhões em tecnologia apenas neste exercício. A anatomia do serviço bancário começa a apresentar uma mudança importante: os canais digitais (mobile e internet banking) já concentram parte relevante das operações bancárias, relegando o atendimento presencial a uma fração residual e altamente especializada do cotidiano bancário. E mesmo esse chamado resíduo não pode ser desconsiderado: apenas no ano de 2025, foram realizadas 7,2 bilhões de transações em agências bancárias físicas. A Retração do Atendimento Físico e o Êxodo das Agências O encolhimento da rede física não é apenas uma busca por eficiência, mas uma reconfiguração geográfica e estratégica – na prática, o número cada vez menor de agências físicas em operação reflete a migração dos clientes para ecossistemas de autoatendimento, gerando o que analistas chamam de “desertificação bancária” em certas regiões. A análise demográfica revela nuances críticas: 19,7 milhões de brasileiros residem em municípios sem agências tradicionais, esses cidadãos podem recorrer a serviços alternativos, como os Postos de Atendimento Bancário (PABs – que possuem uma estrutura muito mais enxuta em relação às agências tradicionais) e cooperativas de crédito. Assim, o contingente sem qualquer ponto físico de atendimento cai para 5,6 milhões de pessoas em 926 municípios. Contudo, a dependência do Estado permanece inalterada nas periferias econômicas: nas regiões Norte e Nordeste, os bancos públicos são responsáveis por 100% da oferta de crédito imobiliário, evidenciando que a retração privada não é acompanhada por uma digitalização inclusiva nessas praças. O Perfil Profissional em Mutação A digitalização não alterou apenas o consumo, mas a própria natureza da ocupação bancária. O fechamento das agências físicas provocou uma queda drástica nas funções operacionais e administrativas, refletindo o enxugamento da mão-de-obra e a redução dos custos com a justificativa de modernização do atendimento e a preferência dos clientes pelos serviços digitais. Entre 2015 e 2025, as ocupações em queda livre nos bancos privados foram: Supervisores administrativos: -85%Atendentes de agência: -68%Caixas de banco: -58%Gerentes de agência: -33% Enquanto os balcões esvaziam, as áreas de infraestrutura e desenvolvimento vivem uma expansão explosiva. O “bancário” moderno hoje é, em larga escala, um arquiteto de dados ou desenvolvedor. O recrutamento para áreas de tecnologia registrou saltos de quatro dígitos em funções estratégicas na última década. A Explosão das Carreiras Digitais (2015–2025) Uma análise mais aprofundada sobre os dados revela que, em linhas gerais, um em cada quatro empregos apresenta algum grau de exposição à inteligência artificial, com diferentes níveis de exposição – conforme o potencial de automatização e a variabilidade das tarefas. Além disso, o setor financeiro deve investir R$ 1,4 bilhão apenas em infraestrutura e soluções tecnológicas – e a consequência é a saturação dos profissionais em tecnologia, diante de uma estrutura cada vez mais enxuta mas que precisa apresentar os mesmos resultados. A Estratégia por Trás dos Números: Rentabilidade e Eficiência O desempenho financeiro dos principais bancos brasileiros em 2025 reflete a pressão por eficiência. O lucro líquido total dos cinco maiores bancos mais o Nubank atingiu R$140,7 bilhões, um crescimento de 0,6%, em relação ao ano anterior. Este resultado “andando de lado” explica-se pelo setor público: o Banco do Brasil sofreu uma queda de 45,4% no lucro, impactado pela taxa básica de juros do Brasil (Selic) e pela elevação da PDD (Provisão para Devedores Duvidosos) no segmento do agronegócio. Em contrapartida, os bancos privados (Itaú, Bradesco e Santander) lucraram R$ 87,1 bilhões (alta de 16,9%). O destaque de eficiência vem do Nubank, cujo ROE (Retorno sobre o Patrimônio Líquido) atingiu 33%, impulsionado por um custo médio mensal de atendimento de apenas US$ 0,80 por cliente ativo. Em razão da competitividade, essa métrica pressiona os bancos tradicionais a acelerar a digitalização do atendimento e a reduzir custos com estruturas físicas. Desafios da Transição: Riscos Cibernéticos e Desigualdade A digitalização ampliou a superfície de ataque para crimes financeiros. Em resposta, os bancos investiram R$ 5 bilhões em cibersegurança, focando em golpes como o do “falso funcionário”. A governança tornou-se central após a “Operação Carbono Oculto”, que revelou esquemas de lavagem de dinheiro em fintechs que movimentaram R$ 26 bilhões. Desde agosto de 2025, as instituições de pagamento são obrigadas a entregar a “e-Financeira”, fechando brechas de fiscalização sob a ótica do Privacy by Design e da LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais). Por outro lado, o setor ainda falha na equidade: a remuneração média da mulher bancária é cerca de 20% da remuneração do homem bancário. Em cargos de liderança, as mulheres recebem remuneração média 25% inferior à dos homens. Conforme a análise da Peers Consulting, o futuro do atendimento físico não reside na transação comum — que já pertence ao código —, mas na especialização. As agências remanescentes estão se transformando em pólos de consultoria estratégica e negócios de alta renda, em detrimento da necessidade de clientes que não estão enquadrados em tal faixa de atendimento e de idosos. Para o profissional, a sobrevivência depende de uma requalificação profissional agressiva. O banco dos dias atuais não é mais um lugar de guichês; é um ecossistema de dados onde a consultoria humana especializada, apoiada em uma estrutura de capital eficiente e governança rígida, é o último e mais valioso diferencial competitivo – o que faz do diálogo social para garantir transições justas e condições de trabalho dignas para os profissionais um ponto estratégico. Leia também: O custo social da reestruturação bancária no Brasil Fonte: Tatiane Correia, do Jornal GGN













