top of page

Audiência Pública na Alesc vai debater impactos do fechamento de agências bancárias em Santa Catarina

  • há 23 horas
  • 3 min de leitura

A Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc) promove, na quarta-feira, dia 5 de agosto, às 18h30, no Plenarinho Deputado Paulo Stuart Wright, uma Audiência Pública para discutir os impactos econômicos e sociais provocados pelo fechamento de agências bancárias no estado.


O encontro reunirá representantes de entidades sindicais, movimentos sociais, organizações populares, trabalhadores, especialistas e a sociedade civil para debater um processo que vem transformando profundamente o acesso da população aos serviços bancários.


A iniciativa busca ampliar o debate sobre as consequências da redução da rede física de atendimento, que afeta não apenas bancários e bancárias, mas também aposentados, pessoas idosas, agricultores familiares, comerciantes, pequenos empreendedores e moradores de municípios do interior, onde o encerramento de uma agência muitas vezes significa a necessidade de percorrer longas distâncias para acessar serviços financeiros essenciais.


Bancos acumulam lucros recordes enquanto reduzem atendimento


Os dados reforçam a dimensão do problema. Enquanto os cinco maiores bancos que operam no país registraram lucro líquido de R$ 255,3 bilhões em 2025, o sistema financeiro promoveu o fechamento de 1.345 agências e extinguiu 12.815 postos de trabalho nos últimos 12 meses. Atualmente, 47,6% dos municípios brasileiros já não possuem nenhuma agência bancária.


Em Santa Catarina, a retração também é expressiva. O número de pontos de atendimento caiu de 958 unidades, em 2015, para 611 em 2025, uma redução de 347 agências ao longo da última década. O cenário evidencia o avanço da concentração dos serviços bancários, ao mesmo tempo em que aumenta a sobrecarga dos trabalhadores e dificulta o acesso da população ao atendimento presencial.


A digitalização forçada amplia a exclusão financeira de milhões de brasileiros, especialmente daqueles com menor acesso à tecnologia. Mais de 19,7 milhões de pessoas vivem em localidades sem qualquer agência bancária próxima. Além disso, pesquisas do Banco Central apontam maior incidência de golpes entre usuários de serviços digitais, reforçando preocupações relacionadas à segurança e à vulnerabilidade dos clientes.


Prejuízos vão além da precarização do atendimento


O fechamento de agências bancárias vai muito além da redução do atendimento financeiro e provoca impactos diretos sobre a economia dos municípios. Sem uma unidade bancária, comerciantes, microempreendedores e profissionais liberais perdem circulação de clientes e recursos, enquanto aposentados, beneficiários de programas sociais e demais moradores são obrigados a buscar atendimento em cidades vizinhas.


Nesses deslocamentos, o dinheiro que antes movimentava supermercados, farmácias, lojas, prestadores de serviços e pequenos negócios passa a ser gasto em outros centros urbanos, enfraquecendo o comércio local, reduzindo oportunidades de trabalho e comprometendo a renda das famílias. Essa perda econômica também afeta as finanças municipais, com queda na arrecadação do ISS sobre serviços bancários e comerciais, redução da participação no ICMS e aumento da dificuldade de arrecadação de tributos próprios.


O resultado é o aprofundamento das desigualdades regionais, à medida que a riqueza produzida nos pequenos e médios municípios deixa de circular localmente e passa a fortalecer os grandes centros, concentrando investimentos, empregos e o desenvolvimento econômico.


Participação da sociedade é fundamental


A Audiência Pública representa uma oportunidade para que diferentes segmentos da sociedade apresentem suas experiências e contribuam para a construção de propostas capazes de enfrentar os impactos do fechamento das agências bancárias.


A Fetrafi-SC destaca que a defesa do atendimento presencial está diretamente relacionada à cidadania, à inclusão social, ao desenvolvimento regional e à proteção dos direitos da população, especialmente das pessoas que dependem do atendimento para acessar benefícios, crédito, financiamentos e outros serviços essenciais. Também estão em pauta a preservação dos empregos bancários e a melhoria das condições de trabalho da categoria, diante da intensificação das metas e da sobrecarga provocada pela redução das equipes.


Por isso, a entidade convida sindicatos, movimentos sociais, organizações populares e toda a sociedade civil organizada a participarem da audiência, fortalecendo um debate que ultrapassa os interesses da categoria bancária e envolve o direito da população a um sistema financeiro acessível, seguro e comprometido com o interesse público.

Comentários


Inovação para avançar
na luta pelos direitos 
dos trabalhadores

bottom of page