MARÇO: MÊS DE COMBATE À VIOLÊNCIA CONTRA AS MULHERES; UM COMPROMISSO TAMBÉM DO SETOR FINANCEIRO
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O mês de março, além de ser marcado pelo Dia Internacional da Mulher, é um período que nos convoca a refletir sobre uma realidade que ainda persiste em nossa sociedade: a violência contra a mulher. Esse fenômeno atinge milhares de mulheres em todo o Brasil, e impacta não apenas a vida pessoal, mas também a experiência no ambiente de trabalho, nas relações com colegas, clientes e na sua trajetória profissional.
Dados oficiais no Brasil: um panorama alarmante
Segundo o Relatório Anual Socioeconômico da Mulher (Raseam) 2025, divulgado pelo Ministério da Mulher, o Brasil registrou 1.450 feminicídios em 2024 — homicídios motivados pelo fato de a vítima ser mulher — além de 2.485 homicídios dolosos de mulheres e lesões corporais seguidas de morte, totalizando casos de violência letal contra mulheres no país.
Registros do Rasem apontam que a grande maioria das violências – cerca de 76,6% – tem o agressor do sexo masculino, e que a residência continua sendo o local onde mais ocorrem notificações de violência contra mulheres, indicando que o lar ainda é o principal cenário em que se manifestam esse tipo de agressão.

A realidade em Santa Catarina
O Observatório da Violência Contra a Mulher de Santa Catarina (OVM), plataforma oficial mantida pela Assembleia Legislativa catarinense (Alesc), reúne indicadores que confirmam a persistência do problema no estado:
Casos gerais de violência contra a mulher
Santa Catarina registrou mais de 54.000 casos de violência contra a mulher ao longo de 2025 (dados até setembro), segundo o Observatório da Violência Contra a Mulher da Alesc.
Os tipos de violência mais comuns foram ameaça (24,358 casos), lesão corporal leve (13,313) e injúria (8,521) no mesmo período.
Feminicídios e violência letal
Foram contabilizados 33 feminicídios em 2025 até setembro, conforme dados oficiais da SSP-SC via OVM.
Em março de 2025, Santa Catarina registrou o menor número de feminicídios no mês dos últimos dez anos (2 casos), o que pode refletir ações integradas de prevenção e acolhimento nas forças de segurança.
Estupros e violência sexual
No acumulado de 2025, 343 meninas e mulheres foram vítimas de estupro em Santa Catarina, segundo o painel de violência do OVM.
Dados específicos por faixa etária mostram que adolescentes de 16 anos foram um dos grupos mais atingidos.
Medidas protetivas e Justiça
Só nos primeiros sete meses de 2025, a Justiça de Santa Catarina concedeu 18.387 medidas protetivas de urgência, o que equivale a cerca de 87 por dia, de acordo com levantamento do Tribunal de Justiça (TJSC).
Ainda entre janeiro e julho, 106 pessoas foram condenadas por feminicídio ou tentativa de feminicídio no Estado, número quase 35% maior que no mesmo período anterior, segundo dados do TJSC.
Procura por proteção e Justiça
Levantamentos divulgados pelo Tribunal de Justiça indicam que mais de 600 mulheres por semana recorrem à Justiça catarinense buscando proteção contra violência doméstica e familiar, uma expressão da demanda por amparo legal e medidas de proteção no Estado.
Esses dados mostram que a violência contra a mulher em Santa Catarina em 2025 segue como um problema sério, presente em diversas formas — desde agressões físicas e ameaças até crimes letais como o feminicídio.
Por que esse tema interessa aos trabalhadores e trabalhadoras do setor financeiro?
A violência contra a mulher não é uma questão que se limita ao espaço doméstico: ela se reflete no ambiente de trabalho de diversas formas:
Impactos na saúde física e emocional podem reduzir o desempenho profissional e a presença no trabalho.
Ambientes que não reconhecem sinais de violência ou que não oferecem apoio ampliado podem deixar vítimas desamparadas.
Colegas e gestores que não estão preparados para lidar com esse tipo de situação podem, sem querer, reforçar o estigma, o medo ou a invisibilidade de casos reais.
No setor financeiro — marcado por pressões, metas, relações de poder e interações constantes — é fundamental que empresas e organizações entendam que acolhimento, informação e apoio institucional podem fazer a diferença na vida de mulheres vítimas de violência.
Compromisso coletivo com a vida e com a igualdade
O combate à violência contra a mulher exige participação ativa de toda a sociedade — e das instituições em que trabalhamos. Campanhas internas, políticas claras de apoio, canais seguros para acolhimento de denúncias e ações de conscientização são passos essenciais para transformar o ambiente organizacional e apoiar as mulheres que convivem com situações de risco.
Março é um mês de visibilidade — e também um chamado à ação permanente. Para além de números e estatísticas, existem pessoas cujas vidas podem ser salvas pela informação, pela solidariedade e por ações concretas.


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