A classe trabalhadora no centro do debate para as Eleições Gerais de 2026
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A abertura do segundo dia da 28ª Conferência Estadual dos Trabalhadores do Ramo Financeiro de SC contou com a mesa composto pela secretária adjunta de Administração e Finanças da Fetrafi-SC e dirigente do SEEB Videira, Francielli de Oliveira, a suplente do Colegiado Executivo da Federação e dirigente do SEEB de Criciúma e Região, Dircéia Locatelli, a secretária de Políticas Sociais e da Mulher da Fetrafi-SC, Simone de Abreu, e o diretor do Sindicato dos Bancários de Criciúma e Região, Paulo Afonso Floriano.
O combate à violência contra a mulher foi destaque novamente por meio de um vídeo intitulado “Feminicídio: o que é e por que esse crime exige uma lei específica?”, produzido pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), e apresentado aos participantes. Em seguida, a dirigente Simoni apresentou alguns dados sobre a realidade do feminicídio em Santa Catarina, a partir do Mapa do Feminicídio, produzido pelo MPSC.
A importância da comunicação
Na continuidade, houve a mesa de debate “A Classe Trabalhadora e as disputas nas Eleições Gerais de 2026” com a participação da jornalista convidada Amanda Miranda. Com trajetória acadêmica que inclui pós-doutorado pela Universidade de São Paulo, Amanda trouxe uma análise crítica sobre a relação entre comunicação, democracia e participação popular, com foco nas especificidades do contexto catarinense.
Amanda chamou atenção para o que definiu como um “deserto de informação”, marcado por fake news e discussões rasas, pela redução do espaço para o contraditório. “A comunicação tem sido feita de forma apocalíptica, pouco construtiva, reforçando o individualismo e enfraquecendo a dimensão coletiva”, afirmou.
Outro ponto central da fala dela foi o papel das redes sociais nesse processo. A lógica algorítmica, baseada no engajamento e na polarização, favorece conteúdos radicais e influencia diretamente a formação de opinião. “A radicalização funciona nas redes e isso tem sido explorado politicamente”, pontuou.
O laboratório do bolsonarismo
Durante o debate, foi destacado que Santa Catarina se consolidou como território estratégico nas disputas eleitorais, onde o discurso individualista ganhou força. Embora apresente bons indicadores econômicos e seja frequentemente vendido como um “modelo de sucesso”, o estado revela contradições que impactam diretamente a classe trabalhadora.
Nesse contexto, Santa Catarina aparece como um laboratório político do bolsonarismo, onde estratégias de comunicação se articulam com interesses econômicos e uso intensivo de recursos, inclusive públicos, para construir uma imagem idealizada. Essa narrativa, segundo Amanda Miranda, muitas vezes invisibiliza desigualdades.
A mesa também trouxe questões que tensionam essa imagem, como o aumento da violência de gênero, episódios de xenofobia contra migrantes e decisões políticas que impactam direitos, como ações afirmativas e políticas sociais. Também foram citados casos de seletividade institucional e controvérsias jurídicas com repercussão nacional.
E os sindicatos?
Em um cenário de fragmentação do trabalho, avanço da precarização e da pejotização, os sindicatos seguem fundamentais para a formação política e a mobilização da classe trabalhadora. “Eles podem traduzir temas complexos e organizar a luta coletiva, tratando questões como mercado financeiro e endividamento, por exemplo”, destacou Amanda.
O desafio, segundo ela, é assumir um papel ativo na disputa de narrativas. Ela explica: “Cada pessoa também é um veículo de comunicação. Quem dialoga com verdade e autenticidade amplia sua influência no debate público”.
Após a apresentação, houve roda de conversa com o público e entrega de uma lembrança da Conferência à jornalista.





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