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  • 28ª Conferência Nacional dos Bancários aprova pauta e define eixos de lutas da Campanha Nacional Unificada

    Pauta de reivindicações foi construída em conferências estaduais, regionais, congressos por bancos, consulta com 54.952 bancários e bancárias e na 28ª Conferência Nacional da categoria, concluída neste domingo, em São Paulo Mais de 630 delegados e delegadas (372 homens e 261 mulheres) e 140 convidados, representantes da categoria bancária, de norte a sul do país, aprovaram, neste domingo (21), a pauta de reivindicações da Campanha Nacional Unificada. A votação foi o último ato de uma série de atividades realizadas durante os três dias da 28ª Conferência Nacional dos Bancários, na capital paulista, com base em debates construídos ao longo de meses em conferências estaduais, regionais, congressos por bancos e na Consulta Nacional dos Bancários que, neste ano, bateu recorde com a participação de 54.952 respondentes de todo o país. "Foram recebidas mais de 70 propostas, e a grande maioria foi incorporadas à minuta de reivindicações, que será levada às mesas de negociações, nesta Campanha Nacional Unificada, para a renovação da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) da categoria", explicou o assessor jurídico da Contraf-CUT, Jefferson Martins Oliveira. A coordenadora do Comando Nacional dos Bancários e presidenta da Contraf-CUT, Juvandia Moreira, reforçou que a minuta de reivindicações expressa as preocupações da categoria, “como aumento real, valorização e proteção do emprego bancário, combate ao assédio moral, às metas abusivas, por um ambiente de trabalho saudável e para que as transformação estruturais do setor decorrentes da implementação das novas tecnologias resultem em benefícios para a categoria, não em fechamento de agências e postos de trabalho”. “Saímos desta plenária revigorados, mais unidos e dispostos para seguir em frente na luta pela manutenção e avanço em direitos às bancárias e bancários de todo o país. A luta da categoria bancária é a luta de toda a classe trabalhadora. Quando nós avançamos, inspiramos toda a nossa classe a seguir avançando”, completou a dirigente. “Mais uma vez construímos nossa pauta de forma democrática, a partir das demandas e anseios da categoria e dos intensos debates na nossa Conferência Nacional. Nesses três dias discutimos questões fundamentais como a melhoria das condições de trabalho e de saúde nos bancos, uma das prioridades apontada pelos bancários na Consulta. Reforçamos ainda a luta por qualidade de vida, por mais tempo de lazer e com a família. E claro: a luta por valorização. Queremos remuneração digna, com aumento real nos salários, PLR, VA e VR”, destacou a presidenta do Sindicato, Neiva Ribeiro, coordenadora do Comando Nacional dos Bancários. A seguir, os principais eixos da pauta de reivindicações, que será entregue dia 24 de junho pelo Comando Nacional dos Bancários à Federação Nacional dos Bancos (Fenaban): 5% de aumento real no salário e nas demais verbas, como PLA, VA e VR; Fim das metas abusivas; Manutenção do formato atual da PLR (percentual do salário mais parcela fixa e adicional); Manutenção dos direitos conquistados; Manutenção da mesa única, da CCT pra toda a categoria e dos direitos já conquistados; Defesa do emprego bancário; Defesa dos bancos públicos; Distribuição melhor dos ganhos da tecnologia, e pelo fim do monitoramento excessivo no teletrabalho, preservando a privacidade do bancário. Os delegados e delegadas também aprovaram neste domingo (21) os seguintes eixos de luta política para o próximo período: Por um sistema financeiro mais regulado; Importância das eleições de 2026 e de apoio a candidaturas comprometidas com a classe trabalhadora, para a Presidência da República, governos estaduais e do Distrito Federal e, com especial atenção, para Câmara dos Deputados e Senado; Organização do movimento: autorregulação e comunicação; Segurança tecnológica para os clientes. As moções aprovadas foram: Em defesa da dignidade, da saúde e pela valorização das trabalhadoras e trabalhadores aposentados e idosos no setor bancário; Por uma dupla missão para o Banco Central do Brasil - Estabilidade de preços e proteção de emprego; De repúdio às práticas antissindicais, à precarização do trabalho e ao desmonte do atendimento pelo banco Santander; Manifesto de solidariedade ao povo bolivariano e à Cuba. Lutar contra o imperialismo. E as resoluções: Contras os ataques à democracia e soberania nacional, e pela reeleição do presidente Lula; Contra a PEC 65/2023, independência do Banco Central, e que afasta a instituição do controle democrático, priorizando os interesses do setor financeiro em detrimento do desenvolvimento social. A resolução inclui ainda posicionamento contra a porta-giratória no Banco Central e pela redução dos juros bancários. Fonte: Contraf-CUT

  • Campanha Nacional dos Bancários 2026 terá identidade visual marcada por esperança, unidade e luta

    Mote “Bancárias e bancários feitos de esperança, movidos pela luta” reforça defesa da vida, da dignidade e dos direitos na mobilização da categoria A Contraf-CUT apresentou a identidade visual, a arte e o mote da Campanha Nacional dos Bancários 2026, na manhã deste domingo (21), no início do último dia da 28ª Conferência Nacional das bancárias e dos bancários. Com a frase “Bancárias e bancários feitos de esperança, movidos pela luta”, a campanha busca traduzir, em linguagem visual e política, a força coletiva da categoria na defesa de direitos, da valorização do trabalho e de melhores condições de vida. O objetivo é fortalecer a unidade nacional da categoria durante a Campanha Nacional dos Bancários 2026. A mesa foi coordenada pela presidenta da Fetec-CUT/SP, Aline Molina, que convidou para compor a mesa o presidente do Sindicato dos Bancários de Pernambuco, Fabiano Moura, e vice-presidente do Sindicato dois Bancários de São José do Rio Preto, Hilário Ruiz de Oliveira. A proposta parte da ideia de que a vida deve estar acima de metas, indicadores e resultados. A arte valoriza a diversidade de rostos, trajetórias e experiências que compõem a categoria bancária, com cores fortes, elementos gráficos plurais e o símbolo de mãos que se encontram, representando unidade, acolhimento, solidariedade e ação coletiva. Para o secretário de Comunicação da Contraf-CUT, Elias Hennemann Jordão, a identidade visual da campanha não é apenas uma peça estética, mas uma síntese política do momento vivido pela categoria. “A campanha afirma que somos feitos de esperança porque acreditamos na capacidade de transformação da luta coletiva. Mas também deixa claro que essa esperança não é passiva: ela se move pela organização, pela mobilização e pela defesa concreta de salário, emprego, PLR, saúde, direitos e dignidade no trabalho”, afirmou. Segundo Elias, o mote foi pensado para dialogar com a categoria em todos os espaços: nos locais de trabalho, nas ruas, nas redes sociais e nas mesas de negociação. “A comunicação precisa mobilizar, criar pertencimento e mostrar que cada bancária e cada bancário faz parte dessa construção. A arte traduz a pluralidade da categoria e reforça que o trabalho deve ser instrumento de realização, e não de adoecimento, apagamento ou opressão”, destacou. A identidade também permitirá desdobramentos para os principais eixos da campanha, como aumento real, PLR, emprego, direitos, saúde e melhores condições de trabalho. A primeira parta das peças da campanha serão disponibilizadas para federações e sindicatos no final da tarde do dia 23 de junho (terça-feira). As demais peças, dos eixos da campanha e demais temas abordados serão disponibilizadas no decorrer da campanha, conforme os temas forem sendo debatidos. Fonte: Contraf-CUT

  • Categoria debate sobre estratégia de comunicação e organização durante 28ª Conferência Nacional dos Bancários

    Mobilização das bases em todo o país é fundamental para manter direitos e lutar por novas conquistas A quarta mesa de debates da 28ª Conferência Nacional dos Bancários traçou estratégias de comunicação e organização da categoria bancária para a Campanha Nacional dos Bancários 2026, sob a coordenação de Neiva Ribeiro, presidenta do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região e coordenadora do Comando Nacional dos Bancários. Também fizeram parte da mesa o presidente do Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos Bancários e do Ramo Financeiro no Estado de Mato Grosso, João Luiz Dourado; o secretário de Comunicação da Federação dos Trabalhadores e Trabalhadoras em Instituições Financeiras do Rio Grande do Sul – Fetrafi Rio Grande do Sul, Juberlei Bacelo; e o presidente do Sindicato dos Bancários de Feira de Santana, Eritan Machado. “Precisamos pensar de forma criativa sobre como fazer esta campanha acontecer. É fundamental levar as informações aos bancários e bancárias, fortalecer nossa organização e contar com a participação de cada trabalhador na divulgação e na mobilização. Uma campanha vitoriosa se constrói com informação, engajamento e unidade da categoria”, destacou Neiva Ribeiro. Neiva ressaltou que a comunicação é uma ferramenta estratégica para aproximar a categoria das negociações e ampliar a participação dos trabalhadores nas atividades da campanha. Segundo ela, além de informar, é preciso criar formas de interação que permitam aos bancários e bancárias se reconhecerem como protagonistas do processo de mobilização e da construção das conquistas da categoria. Dourado reforçou a importância do debate. “Precisamos construirmos a estratégia de comunicação e as formas de fazer chegar às nossas bases as nossas pautas e posição sobre cada uma delas, mobilizando a categoria”, disse. Juberlei destacou a importância da Conferência Nacional para organização da categoria. “Sabemos o quanto isso é importante diante do mundo que estamos vivemos. A organização é fundamental para construirmos uma campanha vitoriosa”, afirmou. Eritan lembrou que vivemos em um mundo em transformação, que caminha para multipolaridade. “Mas também temos uma situação crítica na categoria, que nos impõe o desafio de mantemos os colegas mobilizados para manter seus empregos e os direitos que conquistamos ao logo da história”, observou. O debate seguiu até o encerramento deste segundo dia da 28ª. Conferência Nacional dos Bancários, que segue até este domingo (21), quando serão aprovados o plano de lutas da categoria e a minuta de reivindicações que será entregue à Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) no próximo dia 24 de junho. Fonte: Contraf-CUT

  • Lucros recordes do sistema financeiro e endividamento das famílias marcam os desafios da campanha salarial 2026

    Em meio a um cenário de juros elevados e lucros extraordinários, palestrantes do 28ª Congresso Nacional dos Bancários buscam responder às mudanças estruturais do setor, como a ascensão das fintechs e o impacto da tecnologia na saúde e qualificação dos trabalhadores A terceira mesa de debates da 28ª Conferência Nacional dos Bancários, realizada neste sábado (20), foi aberta com a palestra do doutor em Economia Social e do Trabalho pela Unicamp e técnico do Dieese, Gustavo Cavarzan, que apresentou o cenário de profundo paradoxo econômico em que a Campanha Nacional Unificada 2026 acontece: enquanto o Sistema Financeiro Nacional (SFN) registra lucros extraordinários, a maior parte da população brasileira enfrenta um comprometimento severo de sua renda, por conta do endividamento e das altas taxas de juros. De acordo com dados do Dieese, o setor financeiro tem se sustentado, em grande medida, pelo crédito caro oferecido às famílias para consumo corrente que, por sua vez, é influenciado pela política monetária do Banco Central de manutenção da taxa básica de juros (Selic) em patamares elevadíssimos nos últimos anos. "A qualidade de vida dos brasileiros tem sido diretamente impactada por essa política monetária. A Selic encontra-se em um patamar sete vezes maior do que no início de 2021, o que provocou uma forte elevação nos juros bancários e a desaceleração do crédito livre", explicou Cavarzan. Crédito livre é a modalidade de empréstimo ou financiamento onde as taxas de juros e as regras são negociadas livremente entre a instituição financeira e o cliente. "Esse cenário é agravado pelo aumento do endividamento das famílias, que disparou no governo Bolsonaro e se mantém em patamares elevados desde então, com destaque que esse endividamento não foi direcionado à formação de patrimônio, como a compra da casa própria, mas ao consumo básico, concentrando-se em linhas mais caras do mercado”, completou o economista. Cavarzan destacou que, atualmente, o cartão de crédito é o principal vilão, atingindo 84,9% das famílias endividadas. "Fatores como a desregulamentação do SFN (com a ampliação de fintechs ofertando crédito de forma desproporcional), digitalização dos hábitos de consumo, com cadastro de cartão de crédito em diversos aplicativos de consumo (comida, mercado, transporte, magazines etc.) e legalização das BETS/jogos online em 2018 e sua expansão desde então, ajudam a entender por que, embora o rendimento médio real no Brasil tenha crescido 12% desde o período pré-pandemia, após o pagamento das dívidas com o sistema financeiro, esse crescimento real cai atualmente para apenas 3%", observou o economista. Cavarzan apontou ainda que a quantidade de cestas básicas adquiridas pelo salário mínimo por ano em abril deste ano é semelhante à adquirida em abril de 2019. Além disso, somente em 2024, o Brasil conseguiu retomar o PIB per capita no patamar que estava em 2014. “A deterioração econômica em setores importantes, provocadas pelos governos Temer e Bolsonaro, ainda estão sendo superadas. Em outras palavras, apesar do bom desempenho recente de indicadores macroeconômicos, estamos apenas retomando patamares de uma década atrás. Portanto, ainda que o governo Lula 3 siga apresentando bom desempenho nos indicadores macroeconômicos, a população não está satisfeita, afinal boa parte dos seus rendimentos está sendo drenada pelas altas taxas de juros, atrapalhando a percepção da melhora macroeconômica por parte das famílias", reforçou. Lucros no topo, renda na base Em contraste com a dificuldade financeira das famílias, o setor financeiro vem registrando rentabilidades extremamente elevadas, ano após ano. Entre 2020 e 2025, o lucro líquido do SFN cresceu 114%, com destaque para os bancos digitais, que registraram salto de 2.137% no lucro, seguido pelas cooperativas com 180% de aumento. Os bancos privados e públicos também mantiveram tendência de alta, com crescimento de 114% e 46%, respectivamente. "Esse desempenho sólido ocorre no mesmo momento em que o setor se acopla à realidade do endividamento da população, extraindo resultados de linhas de crédito com alto comprometimento da renda das famílias", reforçou Cavarzan. Mudanças estruturais e a tecnologia no setor bancário A segunda palestrante da mesa, a mestre em Economia Política pela PUC-SP e também técnica do Dieese, Rosangela Vieira, destacou que o mercado de trabalho bancário passa por uma reestruturação agressiva, baseada na redução de custos operacionais e na digitalização. "Entre 2024 e 2025, os cinco maiores bancos fecharam 1.345 agências, totalizando queda de 37% na rede física, considerando esse período. Mas reestruturação não reflete uma retração no setor, que teve lucro líquido de R$ 124 bilhões em 2025, mas sim uma mudança de estratégia para focar em alta renda e no atendimento digital", pontuou a pesquisadora. Rosângela destacou ainda que, paralelamente à eliminação de postos tradicionais, está ocorrendo a migração para áreas tecnológicas. "Enquanto as funções tradicionais de bancários sofreu uma redução de 24 mil postos (-57%), houve um aumento expressivo de 21 mil novos postos nas áreas de Tecnologia da Informação (+175%)", frisou, completando que a mudança de postos está alterando o perfil da categoria, já que parte significativa das novas vagas não segue a estrutura sindical tradicional. "Em 2025, os bancos públicos concentravam 42% do emprego bancário no país. Durante os governos Temer e Bolsonaro, esse percentual foi reduzido para 22%, o que corresponde a uma perda de 21,1 mil postos de trabalho por ano. Caso esse ritmo de redução tivesse sido mantido durante o terceiro governo Lula - o que não ocorreu - o estoque de emprego dos bancos públicos seria cerca de 60,6 mil postos inferior ao observado em 2025, de 174,4 mil postos", calculou a economista. Rosângela Vieira também apresentou dados que mostram a consolidação das cooperativas e fintechs no Sistema Financeiro Nacional. "Entre 2013 e 2025, a carteira de crédito e rede de atendimento das cooperativas subiu de 2% para 7% e saiu de 11% para 29% do SFN, respectivamente. Entre as fintechs, o fenômeno de expansão é semelhante. Só para dar exemplo do nome mais destacado, de 2021 até 2025, o Nubank aumentou em 75 milhões a base de clientes e multiplicou sua receita em 20 vezes, com lucro superior ao de bancos tradicionais, como Santander e Caixa", pontuou. Mulheres perdem espaço e outros impactos da IA generativa Um dos pontos de destaque da terceira mesa de debates da 28ª Conferência dos Bancários foi o impacto de gênero nas demissões. Rosângela Vieira destacou que as mulheres estão perdendo postos de trabalho de forma desproporcional, por conta da natureza das vagas eliminadas e das criadas. "Nos postos tradicionais que estão sendo extintos, as mulheres representam 62% da força de trabalho. Em contrapartida, nas novas vagas de tecnologia, que estão em expansão, a participação feminina é de apenas 24%, evidenciando a exclusão tecnológica do setor", reforçou. A economista reforçou que as novas tecnologias também estão acelerando a substituição de funções administrativas e de atendimento básico (que tiveram redução de 57% entre 2015 e 2025) por cargos voltados a TI. Avanços e desafios Gustavo Carvazan concluiu que o movimento de redução estrutural (fechamento de postos de atendimento e de trabalho) deve seguir avançando na categoria, diante da consolidação dos novos atores (fintechs e cooperativas) e inovações tecnológicas. Rosângela Vieira, por sua vez, complementou que as mudanças na organização do trabalho, provocadas pelos mesmos fatores, intensificam os desafios relacionados às metas, saúde dos trabalhadores e à qualificação profissional. A 28ª Conferência Nacional dos Bancários segue até domingo (21). Ainda neste sábado, a quarta mesa de debates vai tratar sobre estratégia de comunicação e organização da categoria para a Campanha Nacional 2026. Fonte: Contraf-CUT

  • Consulta Nacional dos Bancários 2026 mostra força da categoria e aponta prioridades para a Campanha Nacional

    Levantamento com quase 55 mil respostas reforça centralidade de aumento real, PLR, emprego, saúde, combate às metas abusivas e proteção diante das mudanças tecnológicas Neste texto você vai ler Consulta Nacional dos Bancários 2026 recebeu 54.952 respostas em todo o Brasil Número representa crescimento de 64% em relação a 2025 e de 17% em comparação com 2024 Aumento real de salário foi apontado por 93% dos respondentes como prioridade econômica Manutenção de direitos, emprego, plano de saúde e combate ao assédio moral lideram as prioridades sociais Saúde mental aparece como alerta central: 72,6% dizem que o ambiente de trabalho nos bancos impacta negativamente a saúde mental Para 92,9%, o financiamento da luta sindical deve ser responsabilidade de todos os bancários, já que todos se beneficiam das conquistas Leia a íntegra do texto A Consulta Nacional dos Bancários 2026 confirmou a disposição da categoria em participar da construção da pauta de reivindicações da Campanha Nacional. O levantamento, realizado entre 17 de abril e 31 de maio, recebeu 54.952 respostas em todo o país e foi apresentado na segunda mesa de debates da 28ª Conferência Nacional dos Bancários, neste sábado (20), pela economista Vivian Machado, técnica do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). A mesa de debates foi coordenada pela recém-eleita presidenta do Sintraf-AP, Bruna Athayde, que tambpem contou com a participação de Reginaldo Breda, da Feeb/SP-MS, Adriana Nalesso, da Federa-RJ e Gheorge Vitti, do Sindicato dos Bancários do ABC. O resultado representa um crescimento expressivo da participação da categoria. Em comparação com 2025, quando foram registradas 33.482 respostas, o aumento foi de 64%. Em relação a 2024, quando a consulta recebeu 46.824 participações, a alta foi de 17%. Para Vivian Machado, os números demonstram que a consulta se consolidou como instrumento estratégico da Campanha Nacional dos Bancários. “A participação de quase 55 mil bancários e bancárias mostra que a categoria compreende a importância de dizer diretamente quais são suas prioridades. A consulta dá base concreta para a construção da pauta, fortalece a representação sindical e permite que a negociação coletiva parta da realidade vivida nos locais de trabalho”, afirmou a economista. Segundo os dados apresentados, 66% dos respondentes trabalham em agências e 32% em departamentos. Por banco, a maior participação veio do Banco do Brasil, com 24,3% das respostas, seguido por Caixa Econômica Federal, com 21,4%; Itaú-Unibanco, com 18,4%; Bradesco, com 16,3%; Santander, com 6,7%; Banrisul, com 2,8%; Banco do Nordeste, com 1,6%; e outros bancos, com 8,6%. Aumento real lidera prioridades econômicas Entre as cláusulas econômicas, a principal prioridade apontada pela categoria foi o aumento real de salário, indicado por 93% dos respondentes. Em seguida aparecem aumento da PLR, com 63%; aumento maior para o vale-alimentação e o vale-refeição, com 51%; aumento do piso da categoria, com 31%; Plano de Cargos e Salários, com 25%; igualdade salarial, com 10%; aumento da ajuda de custo para home office, com 3%; e aumento do auxílio combustível, com 2%. A pesquisa permitiu também identificar diferenças por banco. O aumento real aparece como prioridade amplamente majoritária em todas as instituições pesquisadas, chegando a 96% entre empregados do Banco do Brasil e da Caixa. A PLR tem destaque maior nos bancos privados, com 72% no Itaú-Unibanco, 70% no Bradesco e 70% no Santander, além de 68% na Caixa. “Os resultados mostram que a categoria quer recuperar e ampliar poder de compra, mas também quer valorização do trabalho por meio da PLR, dos vales e de políticas de carreira. A pauta econômica não pode ser tratada apenas como reajuste. Ela envolve renda, reconhecimento, participação nos resultados e combate às desigualdades”, avaliou Vivian. Direitos, emprego e saúde estão no centro da pauta social Nas cláusulas sociais, a manutenção de direitos aparece como a principal prioridade, citada por 65% dos respondentes. Emprego foi indicado por 45%; plano de saúde, por 39%; combate ao assédio moral, por 35%; jornada de quatro dias semanais, por 30%; igualdade de oportunidades, por 24%; previdência complementar, por 19%; e impacto das inovações tecnológicas, por 17%. A análise por banco mostra diferenças importantes. Entre os empregados da Caixa, o plano de saúde aparece como prioridade para 71% dos respondentes, resultado que evidencia a centralidade do Saúde Caixa para a categoria. No Banco do Brasil, a manutenção de direitos foi apontada por 77%. Já nos bancos privados, o emprego tem peso maior, com 58% no Bradesco, 53% no Itaú-Unibanco e 58% no Santander. Para Vivian Machado, os dados revelam uma pauta social fortemente conectada com as condições concretas de trabalho. “A categoria está dizendo que quer manter direitos, proteger empregos e garantir saúde. Isso tem relação direta com o avanço da digitalização, com a pressão por resultados, com a redução de postos de trabalho e com o aumento do adoecimento. A Campanha Nacional precisa responder a esse conjunto de preocupações”, destacou. Tecnologia precisa vir acompanhada de proteção ao emprego e valorização A consulta também perguntou quais deveriam ser os temas prioritários para a negociação coletiva diante dos avanços tecnológicos no setor bancário. A garantia de emprego foi indicada por 72% dos respondentes. Em seguida aparecem aumento de remuneração como forma de repartir os ganhos oriundos da inovação tecnológica, com 51%; qualificação e requalificação profissional, com 45%; garantia de revisão humana em decisões de gestão do trabalho tomadas com base em dados obtidos por meio de IA, como contratações, punições, desligamentos e avaliações, com 41%; redução da jornada de trabalho, com 26%; e limitação de tecnologias de monitoramento excessivo no trabalho, com garantia de privacidade, com 24%. Para a economista do Dieese, o resultado evidencia que a categoria não rejeita a tecnologia, mas exige que os ganhos de produtividade sejam distribuídos e que a inovação não seja usada para intensificar o trabalho ou eliminar direitos. “A inovação tecnológica não pode ser apropriada apenas pelos bancos na forma de redução de custos e aumento de lucros. A categoria reivindica proteção ao emprego, qualificação, remuneração, revisão humana das decisões e limites ao monitoramento. Esse é um ponto fundamental da negociação coletiva no setor financeiro”, afirmou Vivian. Metas abusivas e saúde mental acendem alerta Um dos pontos mais preocupantes da consulta está relacionado aos impactos da cobrança excessiva pelo cumprimento de metas. A preocupação constante com o trabalho foi apontada por 67% dos respondentes. Cansaço e fadiga constante aparecem com 59%; desmotivação e vontade de não ir trabalhar, com 47%; crises de ansiedade ou pânico, com 42%; dificuldade em dormir, mesmo aos finais de semana, com 39%; medo de “estourar” ou perder a cabeça, com 24%; crises constantes de dor de cabeça, dores de estômago ou gastrite nervosa e dor ou formigamento nos ombros, braços ou mãos, com 21% cada. A consulta também revelou que 40% dos respondentes usaram medicamentos controlados, como antidepressivos, ansiolíticos ou estimulantes, nos últimos 12 meses. Além disso, 72,6% afirmaram que o ambiente de trabalho no banco em que atuam traz impactos negativos para a saúde mental dos trabalhadores e trabalhadoras. Apenas 14,3% disseram que não há impactos negativos e 12,6% responderam que não sabem. Vivian Machado ressaltou que os dados reforçam a necessidade de tratar saúde mental, metas abusivas e organização do trabalho como temas centrais da Campanha Nacional. “Quando 72,6% da categoria aponta impacto negativo do ambiente bancário sobre a saúde mental, não estamos diante de casos isolados. Estamos diante de um problema estrutural de gestão, metas, pressão e intensificação do trabalho. A negociação coletiva precisa enfrentar esse modelo que adoece”, disse. Segundo a economista, a leitura dos dados por banco mostra que o problema é generalizado no setor. No Banco do Brasil, 81% dos respondentes afirmaram que o ambiente de trabalho impacta negativamente a saúde mental. Na Caixa, o índice foi de 76%. No Bradesco, 71%. No Itaú-Unibanco e no Santander, 69%. Home office cresce, mas ainda exige regulação A consulta também identificou mudanças na organização do trabalho. Embora 65,6% dos respondentes tenham informado que não realizam nenhum dia de home office, 20,3% disseram trabalhar remotamente três ou mais dias por semana. Em 2025, esse percentual era de 14,9%. Para Vivian Machado, o crescimento do home office reforça a necessidade de regras coletivas mais robustas sobre jornada, condições de trabalho, custos, direito à desconexão e proteção à saúde. “O teletrabalho se tornou parte da realidade bancária, mas não pode ser tratado como favor ou solução individual. É preciso garantir estrutura adequada, controle de jornada, ajuda de custo, proteção contra sobrecarga e respeito ao direito à desconexão”, observou. Consulta reforça importância da organização sindical Outro dado relevante da pesquisa é a percepção da categoria sobre o financiamento da luta sindical. Para 92,9% dos respondentes, o financiamento da luta para manutenção e conquista de direitos deve ser responsabilidade de todos os bancários, pois todos se beneficiam das conquistas. Apenas 6,1% responderam que essa responsabilidade deve ser apenas dos sócios do sindicato, mesmo que todos sejam beneficiados. A associação ao sindicato também aparece de forma expressiva: 64% dos respondentes informaram ser sindicalizados. Outros 30% disseram que não são associados e 6% não informaram. Para Vivian Machado, o resultado mostra que a categoria reconhece o papel da negociação coletiva na garantia de direitos históricos, como reajuste salarial, PLR, vales, jornada, planos de saúde, cláusulas de proteção social e mecanismos de combate ao assédio e à discriminação. “Os dados mostram que a categoria identifica que os direitos não surgem espontaneamente. Eles são fruto de organização, negociação e mobilização. Quando a maioria afirma que o financiamento da luta deve ser responsabilidade de todos, há um reconhecimento político importante: as conquistas coletivas precisam de sustentação coletiva”, afirmou. Dados vão subsidiar a pauta da Campanha Nacional 2026 A Contraf-CUT destaca que os resultados da Consulta Nacional serão fundamentais para a elaboração da minuta de reivindicações da categoria e para orientar as negociações da Campanha Nacional dos Bancários 2026. A presidenta da Contraf-CUT e coordenadora do Comando Nacional dos Bancários, Juvandia Moreira, tem reforçado que a força da campanha depende da participação da categoria, desde a consulta até os debates nas bases, conferências e mobilizações nos locais de trabalho. A partir dos dados apresentados pelo Dieese, a avaliação é que a categoria chega à Campanha Nacional com uma pauta ampla, que combina valorização econômica, manutenção de direitos, defesa do emprego, enfrentamento às metas abusivas, proteção à saúde mental, regulação das tecnologias, combate ao assédio e fortalecimento da negociação coletiva. “Uma consulta dessa dimensão não apenas mede opinião. Ela organiza prioridades, revela problemas e aponta caminhos para a ação sindical. A Campanha Nacional ganha força quando a pauta nasce da escuta direta dos bancários e bancárias”, concluiu Vivian Machado. A 28ª Conferência Nacional dos Bancários segue até domingo (21). Na próxima mesa, o doutor em Economia Social e do Trabalho e mestre em História Econômica pela Unicamp, Gustavo Cavarzan, e mestre em Economia Política pela PUC-SP, Rosângela Vieira, ambos do Dieese, traçarão a conjuntura do Sistema Financeiro Nacional e do emprego no ramo financeiro. Fonte: Contraf-CUT

  • Conjuntura internacional, guerra tecnológica e desafios do desenvolvimento pautam segundo dia da 28ª Conferência Nacional dos Bancários

    Economista José Kobori analisou a transição para uma nova ordem mundial, a ascensão da China, a financeirização da economia e os obstáculos ao desenvolvimento brasileiro A análise da conjuntura internacional e dos desafios para o desenvolvimento do Brasil foi tema da primeira mesa do segundo dia da 28ª Conferência Nacional das Bancárias e dos Bancários, realizada na manhã deste sábado (20), no Hotel Holiday Inn Parque Anhembi, em São Paulo. Com o tema “Conjuntura: debatendo os rumos do Brasil e da classe trabalhadora”, a atividade foi coordenada por José Eduardo Rodrigues Marinho, presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Empresas do Ramo Financeiro no Estado do Ceará. A mesa contou ainda com a participação de Claudio Merçon Vieira, secretário-geral do Sindicato dos Bancários do Espírito Santo; Elvira Ribeiro Madeira, secretária-geral do Sindicato dos Bancários do Ceará; e Cristiane Paula Zacarias, presidenta do Sindicato dos Bancários de Curitiba e Região. O convidado para o debate foi o economista, professor, empresário e escritor José Kobori, que apresentou uma análise sobre as transformações geopolíticas em curso e os impactos sobre a economia mundial e o desenvolvimento dos países. Nova ordem mundial, disputa tecnológica e riscos geopolíticos Ao analisar as transformações em curso na economia global, José Kobori afirmou que política e economia são indissociáveis e que as mudanças na ordem mundial sempre foram impulsionadas por disputas de poder e interesses econômicos. “Política é economia e economia é política. Não existe economia separada das grandes decisões políticas e geopolíticas”, afirmou. Segundo o economista, a reorganização do mundo após a Segunda Guerra Mundial deu origem a uma ordem liderada pelos Estados Unidos, consolidada posteriormente pelo acordo de Bretton Woods. Já a partir das décadas de 1970 e 1980, a chamada revolução neoliberal promoveu a liberalização financeira e abriu caminho para uma nova fase do capitalismo. “A revolução neoliberal iniciou esse período que conhecemos como capitalismo financeiro. O dinheiro passou a gerar dinheiro, e a economia real foi perdendo espaço para a especulação e para os ganhos financeiros”, explicou. Na avaliação de Kobori, a abertura dos mercados e a desregulamentação financeira fizeram com que bancos e fundos de investimento passassem a exercer um papel predominante nas economias ocidentais, enquanto as grandes corporações passaram a priorizar a valorização das ações e os retornos aos investidores em detrimento da produção e da inovação. Para o economista, a própria estratégia adotada pelos Estados Unidos contribuiu para esse processo. Segundo ele, durante a Guerra Fria, os norte-americanos estimularam o desenvolvimento de países asiáticos para conter a influência da União Soviética. “Quem destruiu a economia industrial norte-americana foram os próprios Estados Unidos. E foram eles que ajudaram a economia chinesa e outros países da Ásia a se desenvolverem, porque, naquele momento, o grande adversário era a União Soviética”, disse. O caminho chinês Kobori destacou que a ascensão da China não foi fruto do acaso, mas resultado de um amplo debate interno e de um planejamento de longo prazo. “Os chineses estudaram todos os economistas. Houve um grande debate na China sobre qual seria o melhor caminho para o desenvolvimento do país”, afirmou. Segundo ele, os chineses rejeitaram a cartilha neoliberal e seguiram uma trajetória gradual de desenvolvimento, priorizando primeiro a agricultura, depois a industrialização, os investimentos em ciência e tecnologia e, somente após consolidar sua capacidade produtiva, o fortalecimento da defesa nacional. “A China construiu primeiro sua capacidade produtiva e tecnológica. Sua expansão econômica não se dá pela imposição cultural ou religiosa, mas pelas relações comerciais”, observou. Kobori ressaltou que, ao contrário dos países que seguiram as recomendações do Consenso de Washington, a China manteve o controle estatal sobre setores estratégicos e utilizou o investimento público como motor do crescimento econômico. “A China não seguiu a cartilha neoliberal. Enquanto vários países se desindustrializaram, ela e a Coreia do Sul fizeram o caminho contrário e se industrializaram”, afirmou. O economista também criticou as restrições ao gasto público e defendeu o papel do Estado no desenvolvimento. “Se você proíbe o Estado de gastar dinheiro, sua economia não vai crescer nunca. Essa é uma cartilha que os Estados Unidos disseminaram pelo mundo para manter a hegemonia, mas a China não seguiu esse caminho”, disse. Segundo Kobori, o país asiático utiliza há décadas o déficit fiscal como instrumento para ampliar sua capacidade produtiva. “Faz quase 40 anos que a China gasta mais do que arrecada, porque entende que é isso que permite ao país crescer e ampliar sua capacidade produtiva”, ressaltou. Nova ordem mundial e desafios para o Brasil Na avaliação do professor, as transformações em curso apontam para uma transição da hegemonia unipolar norte-americana para uma ordem multipolar, na qual a China desponta como principal potência econômica do século XXI. “O mundo está mudando de eixo. A guerra hoje é tecnológica, envolvendo inteligência artificial, semicondutores e o domínio das plataformas digitais. Quem controlar essas tecnologias terá vantagem econômica e geopolítica”, afirmou. Kobori alertou ainda que processos de mudança de hegemonia costumam ser marcados por tensões e conflitos. “Nós estamos vivendo uma transição histórica. E toda transição de poder gera tensões. Existe, inclusive, um grande risco de surgirem novos conflitos, especialmente na Europa, porque as mudanças na ordem mundial raramente ocorrem de forma pacífica”, alertou. Ao abordar o caso brasileiro, o economista afirmou que o país perdeu a oportunidade de se consolidar como potência industrial e tecnológica. Segundo ele, o Brasil dos anos 1980 possuía um parque industrial mais robusto do que o da China e da Coreia do Sul, mas acabou ficando para trás. “O Brasil era mais industrializado do que a China e a Coreia do Sul nos anos 1980. Depois da revolução neoliberal, nós nos desindustrializamos”, afirmou. Entre os principais entraves ao desenvolvimento brasileiro, Kobori apontou a predominância do capital financeiro sobre o setor produtivo, a concentração da economia na exportação de commodities e a falta de investimentos em ciência, tecnologia e educação. “Não existe país de primeiro mundo que tenha se desenvolvido apenas exportando soja e carne. O desenvolvimento exige indústria, ciência, tecnologia e planejamento de longo prazo”, concluiu. Dólar, Pix e soberania nacional José Kobori também abordou a hegemonia do dólar e afirmou que, embora a moeda norte-americana continue sendo central para a economia mundial, o processo de transição para uma ordem multipolar tende a reduzir gradualmente sua predominância. Segundo o economista, a perda da liderança absoluta dos Estados Unidos não significa o desaparecimento do dólar, mas uma mudança lenta e complexa na arquitetura financeira internacional. Kobori também destacou o Pix como uma ferramenta estratégica para a soberania nacional e digital do Brasil. Na avaliação do professor, o sistema de pagamentos desenvolvido pelo Banco Central deixou de ser apenas um meio de transferência de recursos para se tornar uma infraestrutura essencial para o país. “O Pix é uma questão de soberania nacional. O Brasil passou a ter uma infraestrutura própria de pagamentos, reduzindo a dependência de empresas estrangeiras e mantendo o controle sobre dados e transações financeiras”, afirmou. Segundo Kobori, em um cenário em que os dados representam poder econômico, possuir uma estrutura nacional de pagamentos significa preservar informações estratégicas e reduzir a dependência de grandes empresas internacionais. O economista observou ainda que o sucesso do sistema brasileiro gerou reações de empresas estrangeiras e pode se tornar alvo de pressões comerciais e geopolíticas. “A disputa pelo controle dos meios de pagamento e dos dados é uma disputa por soberania. O Pix deixou de ser apenas uma ferramenta financeira para se tornar uma questão estratégica para o país”, destacou. A 28ª Conferência Nacional das Bancárias e dos Bancários segue até domingo (21). Na sequência da programação deste sábado, a economista do Dieese Vivian Machado apresentou os resultados da Consulta Nacional dos Bancários 2026, que subsidiam a construção das reivindicações da categoria para a Campanha Nacional deste ano. Fonte: Contraf-CUT

  • 28ª Conferência Nacional dos Bancários é aberta em clima de unidade e mobilização

    Abertura do encontro reuniu lideranças sindicais e representantes de entidades nacionais, que destacaram a defesa dos direitos, a renovação da CCT e a importância da mobilização da categoria diante dos desafios do mundo do trabalho Enquanto milhões de brasileiros se preparavam para acompanhar o segundo jogo da Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 2026, bancárias e bancários de todo o país davam início a outra disputa importante: a construção da Campanha Nacional 2026. Na noite desta sexta-feira (19), representantes da categoria participaram da abertura da 28ª Conferência Nacional dos Bancários, realizada no Hotel Holiday Inn Parque Anhembi, em São Paulo. Antes do início das saudações, foi feita a leitura do manifesto da Contraf-CUT de tolerância zero para casos de violência e assédio. O documento foi apresentado pela comissão formada por Fernanda Lopes, secretária da Mulher da Contraf-CUT; Elaina Brasil, secretária de Formação da Contraf-CUT; e Rosalina Amorim, dirigente da Executiva da entidade. Desafios da campanha e defesa da democracia Para a presidenta da Contraf-CUT e coordenadora do Comando Nacional dos Bancários, Juvandia Moreira, a categoria terá grandes desafios pela frente em 2026. “Temos uma luta corporativa, que é renovar nossa Convenção Coletiva de Trabalho e os acordos específicos. Os bancários querem aumento real, querem uma PLR maior. Esse é o nosso papel e vamos travar essa luta. Mas podemos fazer o melhor acordo coletivo do país, com 85% das cláusulas acima da lei. Se não discutirmos o Brasil e não reelegermos o presidente Lula, se elegermos um presidente fascista, nossas conquistas estarão em risco”, afirmou. “Então, temos duas grandes tarefas neste ano. E a principal é impedir que o Brasil retroceda. Por isso, o lema desta conferência é ‘Pelos bancários e pelo Brasil’. Não lutar pelo Brasil é não lutar pelos bancários”, completou. Neiva Ribeiro, presidenta do Sindicato dos Trabalhadores em Empresas do Ramo Financeiro de São Paulo, Osasco e Região e coordenadora do Comando Nacional dos Bancários, destacou a grande responsabilidade dos delegados e delegadas da 28ª Conferência Nacional dos Bancários. “Temos o desafio de renovar a nossa Convenção Coletiva de Trabalho (CCT), uma das mais importantes do Brasil, que reúne a negociação dos bancos públicos e privados na mesma mesa; de renovar os acordos específicos por banco; e de reeleger o presidente Lula e uma bancada com pelo menos metade de trabalhadores e trabalhadoras no Senado”, disse. Neiva lembrou que, ao longo dos Encontros Nacionais dos bancos privados e dos Congressos Nacionais dos bancos públicos, realizados nos últimos dias, a categoria atualizou suas pautas e estratégias de luta e organização, além de debater as eleições presidenciais. “Sem a reeleição de Lula e a defesa da democracia e da soberania brasileira, não teremos negociações coletivas fortes, nem um movimento sindical forte e organizado”, acrescentou. “Na nossa Campanha Nacional e na campanha eleitoral, precisamos recuperar a capacidade de sonhar e pensar em um Brasil melhor, para os nossos filhos e para o futuro. As pessoas estão exaustas, e o debate sobre o fim da escala 6x1 nos mostrou que elas querem viver melhor, com mais tempo livre para cantar, dançar e fazer o que quiserem. Precisamos lutar para que uma parte da produtividade gerada pela tecnologia volte para os trabalhadores na forma de mais tempo livre, melhores salários e melhores condições de trabalho”, concluiu. Por mais agências bancárias nas cidades O deputado estadual Luiz Claudio Marcolino (PT-SP) falou sobre um projeto apresentado por ele na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) para garantir que todos os municípios paulistas contem com pelo menos uma unidade bancária. “Cidades com pelo menos 10 mil habitantes precisam ter, no mínimo, um posto de atendimento bancário. E os bancos que fecharam unidades nesses municípios terão que reabrir as agências”, afirmou. Marcolino também ressaltou a importância dos bancos públicos. “A Caixa e o Banco do Brasil têm recursos que podem ser investidos em todos os municípios. E estamos dialogando com os prefeitos sobre a necessidade de defendermos os bancos públicos”, disse. Centrais sindicais reforçam mobilização Representando as centrais sindicais, o presidente da CUT Brasil, Sérgio Nobre, chamou atenção para a necessidade de ampliar o combate ao feminicídio e fortalecer as mobilizações em defesa dos direitos da classe trabalhadora. Ele destacou a campanha pelo fim da escala 6x1 sem redução salarial e a importância da defesa da NR-1 diante do aumento dos casos de adoecimento mental. “O movimento sindical está chamando uma grande mobilização para o dia 30. E queremos todos e todas nessa luta. Mais da metade dos afastamentos do trabalho estão relacionados a doenças psíquicas e é por isso que os empresários estão tão ferozes contra a NR-1. Espero que vocês saiam daqui energizados para fazer uma grande campanha salarial e conquistarem mais uma vitória”, afirmou. O secretário-geral da CTB, Ronaldo Luiz Rodrigues Leite, destacou que o segundo semestre será marcado pelas campanhas salariais de diversas categorias e defendeu que a luta pelo fim da escala 6x1 seja incorporada em todas elas. “Reafirmar a luta pelo fim da escala 6x1 precisa ser uma bandeira que perpassa a campanha de todas as categorias”, afirmou. A secretária-geral da Intersindical Central da Classe Trabalhadora, Nilza Pereira, ressaltou a necessidade de resistência diante do aumento do adoecimento provocado pelo assédio e destacou a importância das eleições para garantir avanços. “Precisamos seguir avançando com resistência. As eleições deste ano serão fundamentais para garantir representantes comprometidos com a classe trabalhadora”, disse. Também saudaram a conferência o presidente da Confederação Nacional do Ramo Químico (CNQ) e o presidente da Fenae, Sergio Takemoto. “Não existe saída se não houver unidade da classe trabalhadora. E precisamos estar unidos, pois não basta reeleger o presidente Lula, precisamos eleger deputados e senadores. Não tem saída se não mudarmos o Parlamento”, afirmou o dirigente da CNQ. Takemoto alertou para os impactos da digitalização e da inteligência artificial no setor financeiro e ressaltou a importância do movimento sindical. “Os sindicatos não são apenas instrumentos de defesa dos direitos conquistados. São organizações fundamentais para construir respostas coletivas aos problemas que afetam os trabalhadores”, afirmou. Unidade para enfrentar os desafios da categoria Representando as correntes políticas do movimento sindical bancário, as intervenções convergiram para a defesa da unidade e da mobilização em torno da renovação da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT). Pela Articulação Bancária, o presidente do Sindicato dos Bancários de Belo Horizonte e Região, Ramon Peres, destacou que a digitalização do setor tem aprofundado problemas como metas abusivas, assédio moral, fechamento de postos de trabalho e adoecimento mental. “Temos que fortalecer nossa organização, ampliar o diálogo com a categoria e construir uma estratégia nacional para enfrentar os impactos das transformações no sistema financeiro”, afirmou. Representando a CTB, Andreia Sabino Macedo, presidenta da Federação dos Bancários da Bahia e Sergipe (Feeb-BA/SE), reforçou que a renovação da CCT é prioridade da categoria, mas lembrou que a luta dos bancários está ligada à defesa dos direitos de toda a classe trabalhadora. “O Brasil tem 104 milhões de trabalhadores e teremos de lutar pelos bancários e por toda a classe trabalhadora. Se não conseguirmos colocar no Congresso Nacional pessoas comprometidas com as nossas lutas, teremos ainda muitas dificuldades”, afirmou. Pela Intersindical, Carlos Pereira de Araújo, coordenador-geral do Sindicato dos Bancários do Espírito Santo, ressaltou que a categoria deve ser protagonista da Campanha Nacional. “Se não houver uma proposta respeitosa por parte dos bancos, teremos de construir uma mobilização forte, com possibilidade até de greve, para conquistar o que é nosso por direito”, afirmou. A presidenta do Sindicato dos Bancários do Pará e representante da CSD, Tatiana Cibele da Silva Oliveira, destacou a necessidade de fortalecer as estratégias de mobilização e comunicação e ampliar a participação da categoria. “É necessário chamar a base para construir o dia a dia da Campanha Nacional junto com os sindicatos”, disse. Representando a Feeb SP/MS, Ana Stela Alves de Lima ressaltou a importância do trabalho de base e da participação da categoria nas eleições. “Não basta fazermos campanha pelas redes sociais. Temos de estar nas agências e departamentos administrativos dos bancos para conquistar o voto de cada bancário e de cada bancária”, afirmou. Encerrando as saudações das correntes políticas, Nilton Damião Esperança, presidente da Fetraf-RJ/ES e representante do Fórum, destacou que a unidade será decisiva para os desafios da campanha. “Só poderemos mudar o cenário, nos bancos públicos e privados, com muita união”, afirmou. Negociação coletiva como instrumento de resistência O secretário regional da UNI Américas, Márcio Monzane, destacou a importância da negociação coletiva em um cenário marcado por mudanças profundas no sistema financeiro e pela ofensiva de setores contrários aos direitos dos trabalhadores. “Diante da retirada de direitos, do fechamento de postos de trabalho e das agências bancárias, a negociação coletiva é a nossa última barreira. Por isso, precisamos de sindicatos, federações e confederações fortes, como a Contraf-CUT”, afirmou. Monzane alertou ainda para a atuação da extrema direita na tentativa de enfraquecer a representação sindical e defendeu a continuidade de um projeto comprometido com a democracia e com os direitos sociais. Ao longo do fim de semana, delegados e delegadas de todo o país irão debater e aprovar as prioridades que orientarão a Campanha Nacional 2026, em um contexto marcado pela defesa da Convenção Coletiva de Trabalho, da saúde dos trabalhadores e do fortalecimento da organização sindical. Fonte: Contraf-CUT

  • Encontro Nacional do Bradesco aprova pauta de reivindicações e plano de lutas para a Campanha Nacional 2026

    Debates sobre conjuntura política, emprego, fechamento de agências e os desafios da transformação do sistema financeiro marcaram a atividade realizada em São Paulo Representantes dos trabalhadores do Bradesco de todo o país se reuniram nesta sexta-feira (19), em São Paulo, para o Encontro Nacional dos Funcionários do Bradesco. Com o tema "Mais valorização, direitos e futuro", a atividade reuniu cerca de 100 delegados e delegadas, que aprovaram a pauta de reivindicações específicas e o plano de lutas e ação da categoria. O encontro antecedeu a 28ª Conferência Nacional dos Bancários, realizada entre os dias 19 e 21 de junho, também na capital paulista. A coordenadora da Comissão de Organização dos Empregados (COE) do Bradesco, Erica de Oliveira destacou a importância do encontro para consolidar as reivindicações dos trabalhadores e preparar a mobilização da categoria. “Foi um dia de debates intensos e fundamentais para a construção da nossa luta. Analisamos a conjuntura nacional, discutimos a importância das eleições para o futuro dos trabalhadores e os desafios colocados para a Campanha Nacional dos Bancários. Também revisamos a pauta de reivindicações e aprofundamos o debate sobre temas que preocupam a categoria, como as demissões, o fechamento de agências e a renovação do acordo de remuneração variável. Saímos deste encontro mais fortalecidos e preparados para levar nossas propostas e defender os interesses dos trabalhadores na Conferência Nacional”, destacou. Conjuntura política e democracia A abertura dos debates contou com uma análise de conjuntura apresentada pela presidenta da Contraf-CUT e uma das coordenadoras do Comando Nacional dos Bancários, Juvandia Moreira. Em sua exposição, ela ressaltou a importância histórica do movimento sindical na construção da democracia brasileira e na defesa dos direitos da classe trabalhadora. Juvandia relembrou diferentes períodos da história recente do país, marcados por arrocho salarial, retirada de direitos e enfraquecimento da organização sindical, além do avanço de discursos de ódio e intolerância. “A luta sindical sempre esteve diretamente ligada à conquista de direitos e à construção de um futuro mais seguro para os trabalhadores e suas famílias. Nada foi conquistado sem mobilização. É preciso analisar o cenário atual e eleger representantes comprometidos com a democracia, a soberania nacional e os direitos dos trabalhadores”, afirmou. Os desafios da Campanha Nacional Na sequência, a presidenta do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região e uma das coordenadoras do Comando Nacional dos Bancários, Neiva Ribeiro, abordou os desafios da Campanha Nacional 2026 e os impactos das transformações do sistema financeiro sobre o emprego bancário. Segundo Neiva, o Bradesco vive o terceiro ano de seu plano estratégico de reestruturação, marcado pelo fechamento de agências e pela busca de um modelo de negócios semelhante ao adotado pelos demais bancos. “O movimento sindical continua sendo uma força fundamental para enfrentar os desafios impostos pela transformação digital e pela reestruturação do setor financeiro. Mas também é nosso papel cobrar a regulamentação do sistema financeiro, com isonomia regulatória, fiscal e trabalhista entre bancos tradicionais e fintechs, a redução das taxas de juros, o fortalecimento dos bancos públicos e a defesa da democracia”, destacou. A dirigente lembrou ainda da campanha “Eu Quero Mais Agências”, lançada pelo Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região em resposta ao fechamento de unidades em todas as regiões da capital paulista. “Precisamos dialogar com a sociedade, fortalecer a esperança e mostrar que é possível construir um futuro com mais direitos, valorização e oportunidades. A unidade da categoria será fundamental para alcançarmos novas conquistas”, concluiu. Desempenho do banco O encontro contou ainda com uma apresentação do economista e técnico do Dieese Gustavo Cavarzan, assessor do Comando Nacional dos Bancários nas negociações com o Bradesco. O especialista apresentou os números do banco e analisou os resultados obtidos pela instituição, fornecendo subsídios para os debates sobre as reivindicações dos trabalhadores. Ao final da atividade, os participantes reforçaram a importância da negociação nacional dos bancários, considerada uma das mais abrangentes do país por reunir trabalhadores de bancos públicos e privados em uma mesma mesa de negociação, possibilitando avanços coletivos em direitos, salários e condições de trabalho. O encontro foi encerrado com a aprovação da pauta de reivindicações específicas e do plano de lutas e ação que orientarão a atuação dos representantes dos trabalhadores na Campanha Nacional dos Bancários 2026. Fonte: Contraf-CUT

  • Encontro Nacional dos Funcionários do Itaú define reivindicações específicas para 2026

    Fim do fechamento de agências físicas, garantia do emprego e impactos da Inteligência Artificial na organização do trabalho e na saúde dos trabalhadores estiveram no centro dos debates Representantes dos trabalhadores de todas as regiões do Brasil participaram, nesta sexta-feira (19), do Encontro Nacional dos Funcionários do Itaú Unibanco, realizado em São Paulo. O evento reuniu 88 delegados e delegadas, além de 20 convidados, para debater a conjuntura política e econômica, os impactos da Inteligência Artificial (IA) sobre o emprego, o andamento das negociações com o banco e as propostas específicas para a Campanha Nacional dos Bancários de 2026. “Nosso encontro foi muito positivo, principalmente por aprovar uma pauta de reivindicações bastante completa, com propostas para enfrentar os principais problemas que estamos vivenciando no Itaú”, avaliou a coordenadora nacional da COE/Itaú, Valeska Pincovai. “A união demonstrada aqui vai fazer a diferença, e tenho certeza de que saímos ainda mais fortalecidos para continuar a luta e a defesa dos nossos direitos”, completou. Valeska destacou que a principal preocupação dos trabalhadores atualmente é a saúde, diante do aumento dos casos de adoecimento na categoria. “A cobrança pelo cumprimento das metas, o assédio moral e o medo de perder o emprego diante do fechamento de tantas agências têm adoecido os funcionários. E o banco demonstra um descaso total em relação a isso, ao dificultar o afastamento dos trabalhadores que necessitam de tratamento de saúde”, afirmou. A coordenadora também chamou atenção para a situação dos aposentados e as dificuldades de permanência no plano de saúde após o encerramento da vida laboral. “Outra luta importante é a questão dos aposentados. Quando o trabalhador se aposenta, muitas vezes não consegue manter o plano de saúde em razão dos custos, o que representa uma injustiça depois de tantos anos de dedicação ao banco”, ressaltou. Ao final do encontro, os participantes aprovaram a pauta de reivindicações específicas, incorporando todas as propostas apresentadas pelas federações. O documento unificado será entregue ao Itaú em 2 de julho, marcando o início das negociações específicas da Campanha Nacional dos Bancários de 2026. Cenário político e os desafios para a democracia Na primeira mesa do Encontro Nacional, a presidenta do Instituto Lula e ex-presidenta do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, Ivone Silva, iniciou sua análise de conjuntura ressaltando a importância da Campanha Nacional dos Bancários. No entanto, destacou que, em 2026, a missão da categoria ultrapassa a defesa de suas pautas específicas. “Nós sabemos que defender os nossos direitos passa por defender a democracia no Brasil e garantir a eleição de um governo democrático que esteja ao lado dos trabalhadores”, afirmou. Segundo Ivone, essa tarefa se dará em um cenário complexo. Ao analisar a conjuntura global, ela apontou que o avanço da extrema direita no mundo e no Brasil está associado às múltiplas crises do capitalismo, que desmontaram o Estado de bem-estar social e aprofundaram as desigualdades. “Com isso, há uma perda generalizada da confiança nas instituições democráticas, como o governo e os sindicatos. E essa descrença tem impactos diretos sobre o governo Lula”, observou. “Mesmo com uma conjuntura marcada por avanços e bons índices econômicos no terceiro mandato de Lula, as pesquisas mostram que 42% das pessoas consideram que a economia brasileira está pior do que há seis meses. Ou seja, o governo tem resultados sólidos, mas não consegue repetir a experiência subjetiva de mobilidade social vivida nos dois primeiros mandatos. O desempenho econômico não se traduz automaticamente em popularidade”, acrescentou. Lucros recordes e redução da estrutura física do banco A segunda mesa teve início com a apresentação da economista do Dieese e assessora da COE/Itaú nas negociações com o banco, Cátia Uehara, que analisou os resultados de 2025 e do primeiro trimestre de 2026. Segundo a economista, os cinco maiores bancos em operação no Brasil registraram, juntos, lucro próximo de R$ 124 bilhões em 2025. Nesse cenário, o Itaú se destacou ao alcançar lucro recorde de R$ 46,8 bilhões, crescimento de 13,1% em relação ao ano anterior. Nos três primeiros meses de 2026, o banco já acumula lucro de R$ 12,2 bilhões. Ao abordar a evolução dos postos de trabalho e da rede física, Cátia ressaltou que o sistema financeiro vem reduzindo sua estrutura sem comprometer a lucratividade. “Os bancos estão conseguindo apresentar resultados bastante significativos com menos pessoas. Em apenas 12 meses, Banco do Brasil e bancos privados fecharam quase 13 mil postos de trabalho no país”, destacou. Segundo ela, somente a holding Itaú extinguiu 3.535 postos de trabalho entre 2024 e 2025, encerrando dezembro de 2025 com um quadro de 82.693 trabalhadores. A economista também destacou que o Itaú fechou 2.439 agências em dez anos e que a instituição mantém mais de 700 iniciativas de Inteligência Artificial generativa em desenvolvimento. “Os processos implementados até o momento já geraram a redução de 300 mil horas de trabalho pelos agentes de IA”, observou. Inteligência Artificial, monitoramento digital e as demissões em massa Após a análise do balanço, a assessora jurídica do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região e da COE/Itaú, Cynthia Valente, abordou os impactos da Inteligência Artificial sobre o emprego e relembrou o processo de demissões em massa ocorrido em setembro de 2025. “Fomos surpreendidos por um processo de demissão em massa no Itaú, que utilizou ferramentas digitais para monitorar seus trabalhadores e alegou baixa aderência como justificativa para desligar mais de mil bancários, a maior parte deles lotados no Ceic, em São Paulo”, resumiu. Segundo Cynthia, não houve negociação prévia com a representação dos trabalhadores e, diante da intransigência do banco, foi necessário recorrer ao Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região. “O Itaú insistia que os trabalhadores não estavam trabalhando, especialmente aqueles que estavam em trabalho remoto. Como a negociação não avançou, tivemos de adotar medidas mais firmes”, explicou. A mediação resultou em um acordo aprovado em assembleia por 89,3% dos participantes e garantiu indenizações para os trabalhadores desligados. “Consideramos uma ação bastante vitoriosa, porque em uma ação coletiva os trabalhadores dificilmente teriam uma resposta tão rápida ou mesmo a garantia de receber esses valores”, avaliou. Negociações permanentes e as prioridades da campanha A terceira mesa do encontro foi dedicada ao andamento das negociações permanentes com o Itaú. Valeska Pincovai apresentou as principais reivindicações debatidas com o banco, com destaque para o fechamento de agências e os programas de avaliação de desempenho Gera e Evolui. “Em síntese, temos reiterado nas negociações nossas reivindicações por garantia do emprego e pelo fim do fechamento de agências; por mais saúde mental e pelo combate às metas abusivas e ao assédio moral; além de condições dignas de trabalho, transparência e valorização dos trabalhadores”, resumiu. Valeska também apresentou os avanços garantidos no Acordo Coletivo de Trabalho renovado em janeiro de 2026 e os resultados obtidos pela Comissão de Conciliação Voluntária após as demissões em massa ocorridas em 2025. Saúde, Gera e os grupos de trabalho específicos Na sequência, foram apresentados informes sobre o andamento dos grupos de trabalho específicos. A coordenadora do GT de Saúde, Rosângela Lorenzetti, fez um balanço das discussões e dos encaminhamentos em curso, enquanto os representantes da COE atualizaram os participantes sobre as negociações relacionadas ao programa Gera e aos demais temas em debate permanente com o banco. As discussões reforçaram a importância da mesa de negociação permanente e da mobilização dos trabalhadores para enfrentar os desafios colocados pela reestruturação do banco, pelo avanço da Inteligência Artificial e pela necessidade de garantir emprego, saúde e melhores condições de trabalho para todos os funcionários do Itaú. Fonte: Contraf-CUT

  • Santander reuniu trabalhadores de todo o país para definir prioridades da Campanha Nacional 2026

    Debates sobre conjuntura política, os impactos da reestruturação do banco e a aprovação de novas reivindicações marcaram o encontro nacional realizado em São Paulo O Hotel Holiday Inn Parque Anhembi, em São Paulo, se transformou nesta sexta-feira (19) em um espaço de debates e construção coletiva. 75 delegadas e delegados, representantes dos trabalhadores do Santander de todas as regiões do país, se reuniram no Encontro Nacional dos Funcionários do Banco Santander para discutir os desafios da categoria, preparar a 28ª Conferência Nacional dos Bancários e consolidar as propostas que integrarão a minuta de reivindicações da Campanha Nacional 2026. As delegações começaram a chegar ainda na quinta-feira (18), quando teve início o credenciamento dos participantes. Na manhã de sexta, a abertura oficial do encontro contou com a saudação das correntes sindicais e entidades representativas. Conjuntura política e os desafios para 2026 A primeira mesa de debates trouxe uma análise da conjuntura política, econômica e social e seus reflexos para a categoria bancária, com a participação da vereadora paulistana Luna Zarattini (PT), a mulher mais votada da história do partido na capital paulista, com 100.921 votos nas eleições municipais. Educadora popular e militante, Luna atribuiu o resultado histórico ao trabalho realizado nas periferias e à mobilização dos movimentos populares e das comunidades Ao abordar a importância da renovação política, a parlamentar defendeu a combinação entre novas lideranças e a continuidade das lutas históricas dos trabalhadores. “Acho importante ter renovação da política, com gente jovem entrando cada vez mais, mas sem esquecer de tudo que foi feito. Temos que seguir o legado e as lutas coletivas dos que vieram antes de nós. É assim que a gente vai construir o futuro”, afirmou. Durante sua exposição, Luna também criticou a lógica de austeridade fiscal e defendeu que o orçamento público seja direcionado para investimentos em áreas sociais, como saúde, educação, habitação e programas de distribuição de renda. Para ela, a ampliação dos direitos sociais e trabalhistas exige maior participação popular e enfrentamento das políticas que privilegiam grandes corporações. A vereadora destacou ainda a importância das eleições de 2026 para a continuidade de políticas públicas e citou medidas em debate, como a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil mensais, a regulamentação do trabalho por aplicativos e o debate sobre o fim da jornada 6x1. “É óbvio que esse legado do PT, esse legado do presidente Lula, assusta as elites nacionais e as elites internacionais. E a gente já tem avanços importantes, como a isenção do Imposto de Renda até R$ 5 mil por mês, cobrando do andar de cima. O avanço que a gente tem também em discussões que estão na mesa, como a questão do empreendedorismo, dos entregadores, dos motoristas de aplicativo, e ainda dizer que o Lula bateu no peito para encarar a luta pelo fim da jornada 6x1”, destacou. Segundo a parlamentar, será necessário ampliar a mobilização popular e fortalecer a representação no Congresso Nacional para viabilizar novos avanços sociais. “A gente vai precisar avançar ainda mais em todos os programas sociais que temos. Vamos precisar de mais pressão popular para aumentar nossas bancadas, reverter essa cara de Congresso inimigo do povo e garantir que um eventual quarto mandato do presidente Lula seja um governo de avanços, como ele pode ter”, afirmou. Luna encerrou sua participação ressaltando que a disputa política em curso exigirá unidade e organização dos setores progressistas. “A gente precisa ter o entendimento de que a disputa política que estamos travando é séria, forte e combativa. Com certeza teremos reação do lado de lá, por isso precisamos de muita união para avançar em diversos aspectos para o nosso país”, concluiu. Lucros, reestruturação e os impactos para os trabalhadores Na sequência, técnicas do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) apresentaram uma análise sobre o desempenho do Santander e as transformações em curso no modelo de negócios da instituição. Os estudos, apresentados por Rosângela Vieira e Paula Reisdorf, apontaram que, mesmo em um cenário econômico de crescimento moderado e juros elevados, o banco tem mantido elevados níveis de rentabilidade ao mesmo tempo em que acelera a digitalização, fecha unidades físicas e reduz postos de trabalho. Segundo Rosângela Vieira, embora o Santander tenha registrado lucro líquido recorrente de R$ 3,8 bilhões no primeiro trimestre de 2026, a estratégia adotada pela instituição está baseada em um modelo mais seletivo e automatizado, voltado aos clientes de alta renda e sustentado por uma forte redução de custos. “O banco continua extremamente rentável, mas essa rentabilidade vem acompanhada de uma profunda transformação operacional. A aposta em clientes de maior renda, na digitalização e no uso crescente da inteligência artificial tem sido acompanhada pelo fechamento de agências e pela redução dos quadros de pessoal”, destacou. A técnica do Dieese observou que a instituição encerrou, somente em 2025, 323 agências e 256 postos de atendimento, além de reduzir em 10% o número de empregados efetivos, enquanto ampliou em 11% o contingente de terceirizados. “Os trabalhadores que permanecem no banco convivem com um aumento das atribuições, maior pressão por metas e um ambiente cada vez mais desgastante. Esse processo tem reflexos diretos sobre a saúde física e mental dos bancários e aumenta os riscos de adoecimento”, alertou. Paula Reisdorf chamou a atenção para a mudança estrutural ocorrida no grupo Santander ao longo da última década. Segundo ela, a instituição promoveu uma verdadeira “desbancarização” da força de trabalho, transferindo atividades para subsidiárias e empresas controladas que não estão enquadradas na categoria bancária. “Em 2015, cerca de 90% dos trabalhadores do grupo eram bancários. Hoje, essa proporção caiu para aproximadamente 50%. O banco criou ou adquiriu dezenas de empresas e deslocou uma parcela importante das atividades para estruturas com custos menores e direitos reduzidos”, explicou. A técnica destacou que trabalhadores dessas subsidiárias estão submetidos a jornadas mais extensas e benefícios significativamente inferiores aos garantidos pela convenção coletiva dos bancários. “Há uma clara estratégia de substituição de empregos bancários por vínculos mais precarizados. Enquanto os custos com pessoal do banco diminuíram, as despesas com empregados das controladas cresceram mais de 120% nos últimos anos, evidenciando a transferência das atividades para estruturas mais baratas”, afirmou. Paula também ressaltou que o Santander lidera o fechamento de unidades físicas entre os países em que atua. Entre 2019 e o primeiro trimestre de 2026, a instituição encerrou 63% das suas agências no Brasil. Após um período de expansão entre 2020 e 2024, o banco eliminou quase seis mil postos de trabalho em 2025 e outros 554 apenas nos primeiros meses deste ano. “Os números mostram um modelo de negócios cada vez mais enxuto, automatizado e dependente da terceirização. A questão que se coloca é quais serão os limites desse processo e quais os impactos sobre os trabalhadores e sobre o atendimento à população”, concluiu. Construção da pauta e prioridades para a campanha No período da tarde, os participantes se dedicaram à discussão e consolidação das propostas que irão compor a minuta específica de reivindicações dos trabalhadores do Santander, que será entregue ao banco na segunda-feira (21). Também foram definidos os encaminhamentos e as estratégias que orientarão a Campanha Nacional dos Bancários 2026. A coordenadora da Comissão de Organização dos Empregados (COE) do Santander, Ana Marta Lima destacou que o encontro reforçou a importância da construção coletiva das reivindicações e do fortalecimento da mobilização para a renovação do Acordo Coletivo de Trabalho. “Este encontro mostrou, mais uma vez, a capacidade de organização dos trabalhadores do Santander. Conseguimos construir uma pauta que dialoga com os desafios atuais da categoria, incorporando novas demandas relacionadas à saúde, defesa do emprego e às condições de trabalho. Agora, nosso compromisso é transformar essas reivindicações em avanços concretos na renovação do Acordo Coletivo, fortalecendo direitos e ampliando conquistas para todos os bancários”, afirmou. Fonte: Contraf-CUT

  • Funcionários do Mercantil definiram reivindicações e estratégias para a Campanha Nacional 2026

    Saúde, valorização profissional, defesa do emprego e fortalecimento da organização sindical estiveram no centro dos debates realizados em São Paulo Representantes dos trabalhadores do Banco Mercantil do Brasil de todo o país se reuniram nesta sexta-feira (19), em São Paulo, para o Encontro Nacional dos Funcionários do BMB. A atividade integrou o calendário preparatório da 28ª Conferência Nacional dos Bancários e da Campanha Nacional 2026, consolidando as principais reivindicações específicas dos empregados da instituição e as estratégias de mobilização para o próximo período. Durante o encontro, os participantes acompanharam uma análise do balanço do primeiro trimestre do banco e debateram as demandas prioritárias dos trabalhadores. Entre os temas aprovados para compor a minuta específica estão o combate às metas abusivas e ao assédio moral, melhorias no plano de saúde, ampliação dos programas de vacinação para dependentes, criação de auxílio farmácia, vale combustível com reembolso de pedágios, fortalecimento da segurança bancária e medidas para garantir os direitos de trabalhadores adoecidos ou vítimas de assaltos. Também foram aprovadas propostas relacionadas à defesa do emprego, redução da rotatividade, contratação de mais funcionários, implementação de um Plano de Carreira, Cargos e Salários (PCS), criação de um programa próprio de Participação Complementar nos Resultados (PCR), ampliação do auxílio educacional e combate à discriminação, com foco em diversidade e inclusão. Outro eixo importante das discussões foi a organização sindical. Os representantes defenderam a retomada das homologações nos sindicatos, a ampliação do acesso dos dirigentes sindicais aos locais de trabalho e o fortalecimento dos canais de comunicação com os funcionários. O coordenador do encontro, Marco Aurélio Alves ressaltou que as discussões permitiram construir uma pauta conectada com a realidade dos trabalhadores do Mercantil e alinhada aos desafios da categoria bancária. “Este encontro reafirmou a importância da participação dos trabalhadores na construção das reivindicações. Conseguimos consolidar propostas que tratam de saúde, emprego, remuneração, qualificação e condições de trabalho, além de fortalecer a nossa organização para a Campanha Nacional 2026. A unidade e a mobilização serão fundamentais para transformar essas demandas em conquistas concretas para os funcionários do Mercantil”, afirmou. Segundo Marco Aurélio, o fortalecimento da COE do BMB e a construção coletiva das estratégias serão essenciais para enfrentar os desafios impostos pelo sistema financeiro e garantir avanços para os empregados do banco. “Estamos construindo uma campanha que busca preservar direitos, ampliar conquistas e defender um ambiente de trabalho mais saudável e justo. O envolvimento dos trabalhadores em todo esse processo é o que dá força às nossas reivindicações e nos permite negociar em melhores condições”, concluiu. Fonte: Contraf-CUT

  • 41º Conecef aprova plano de lutas e reivindicações das empregadas e empregados da Caixa

    Propostas em defesa da Caixa pública, do Saúde Caixa, da valorização dos trabalhadores, da remuneração variável justa, da equidade racial e de melhores condições de trabalho foram debatidas e aprovadas para integrar a minuta de reivindicações da Campanha Nacional dos Bancários 2026 Leia neste texto 41º Conecef reuniu 281 delegadas e delegados, em São Paulo, entre os dias 17 e 19 de junho; Congresso debateu 583 propostas vindas das bases de todos os estados e do Distrito Federal; Deliberações aprovadas vão compor a minuta de reivindicações das empregadas e empregados da Caixa na Campanha Nacional dos Bancários 2026; Pauta inclui defesa da Caixa pública, Saúde Caixa, valorização dos empregados, carreira, remuneração variável, equidade racial, saúde e condições de trabalho; Plenária também aprovou moções políticas e uma resolução de apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva; Ao final dos trabalhos, foi apresentada a campanha Saúde Caixa Sem Teto, em defesa da sustentabilidade do plano e do fim do limite de custeio de 6,5% da folha. Leia a matéria na íntegra As empregadas e os empregados da Caixa Econômica Federal definiram, nesta sexta-feira (19), em São Paulo, o plano de lutas e as reivindicações específicas que serão defendidas pelo movimento sindical nas negociações com o banco durante a Campanha Nacional dos Bancários 2026. As deliberações foram aprovadas na plenária final do 41º Congresso Nacional das Empregadas e dos Empregados da Caixa Econômica Federal (Conecef), que reuniu 281 delegadas e delegados de todo o país, entre os dias 17 e 19 de junho. Ao longo do congresso, foram debatidas 583 propostas apresentadas pelas bases nos encontros estaduais e regionais. As reivindicações aprovadas abrangem temas centrais para o futuro da categoria e da própria Caixa, como a defesa do banco 100% público, o fortalecimento do Saúde Caixa, a melhoria das condições de trabalho, a valorização dos empregados, carreira, remuneração variável, Funcef, igualdade de oportunidades, equidade racial e combate a todas as formas de violência e assédio. As propostas aprovadas no Conecef vão integrar a minuta de reivindicações das empregadas e empregados da Caixa, que será entregue ao banco para a abertura das negociações específicas da Campanha Nacional dos Bancários 2026. Para o coordenador da Comissão Executiva dos Empregados (CEE) da Caixa, Felipe Pacheco, o 41º Conecef cumpriu um papel decisivo na organização da categoria para a campanha deste ano. “O 41º Conecef expressou a realidade vivida pelas empregadas e empregados da Caixa em todo o país. Debatemos o sistema financeiro nacional, o papel dos bancos públicos, a defesa da Caixa, o Saúde Caixa, a saúde e as condições de trabalho, a remuneração variável, a carreira e a valorização dos trabalhadores. À luz desses debates, analisamos as propostas vindas da base e construímos uma pauta forte, representativa e conectada com o dia a dia das unidades. Cada empregada e cada empregado vai se enxergar nessa pauta, porque ela nasce das demandas concretas da categoria”, afirmou. Felipe também destacou que a força da campanha dependerá da capacidade de mobilização nos locais de trabalho. “A aprovação da minuta é uma etapa fundamental, mas a negociação só avança com organização e pressão da categoria. A Caixa precisa respeitar a CEE, valorizar a mesa de negociação e responder às reivindicações apresentadas pelas empregadas e empregados. Vamos para a campanha com unidade, disposição de luta e clareza de que defender os direitos dos trabalhadores é também defender a Caixa pública e seu papel social”, completou. Defesa da Caixa pública e valorização dos empregados A defesa da Caixa 100% pública esteve entre os eixos centrais do congresso. As delegadas e os delegados reafirmaram que o banco deve ser fortalecido como instrumento de desenvolvimento econômico e social, responsável por políticas públicas fundamentais para a população brasileira, como habitação, crédito popular, saneamento, infraestrutura, programas sociais, gestão do FGTS, loterias e inclusão bancária. As propostas aprovadas também apontam para a necessidade de recomposição do quadro de pessoal, fim do fechamento de unidades, melhoria das condições de atendimento, fortalecimento da rede física e respeito à missão pública da Caixa. Para o movimento sindical, não há Caixa forte sem valorização de quem trabalha no banco. Coletivo Caixa Preta apresenta manifesto por equidade racial Durante o 41º Conecef, o Coletivo Caixa Preta apresentou o manifesto “Movimento Caixa Preta: um manifesto dos empregados negros da Caixa Econômica Federal”, com propostas para enfrentar o racismo estrutural, ampliar a representatividade negra e garantir igualdade de oportunidades dentro do banco. O documento afirma que a presença negra na Caixa ainda não reflete a composição da sociedade brasileira e denuncia a baixa representatividade de trabalhadoras e trabalhadores negros em cargos de liderança e nos espaços de tomada de decisão. Para o coletivo, uma instituição pública como a Caixa deve refletir a diversidade do povo brasileiro, tanto no atendimento à população quanto na estrutura interna de gestão. O manifesto reivindica a adoção de políticas efetivas de promoção da diversidade racial, com plano estratégico, divulgação de resultados, programas de mentoria e formação para preparar empregados negros para progressão na carreira e assunção de cargos de liderança. Também cobra transparência nos processos de promoção e ascensão, com critérios justos que reconheçam o talento e a competência dos profissionais negros em igualdade de condições. Outro ponto defendido pelo Coletivo Caixa Preta é o monitoramento permanente das políticas afirmativas, com representação negra nos comitês de diversidade, acompanhamento das metas e apresentação periódica dos resultados à direção do banco e ao conjunto dos empregados. O manifesto também propõe capacitação antirracista regular e obrigatória para todos os níveis da instituição, da base à alta gestão, com formação sobre racismo estrutural, cultura afro-brasileira e inclusão. Além disso, reivindica política de consequência no âmbito administrativo para a responsabilização de praticantes de atos discriminatórios. Para as delegadas e os delegados do Conecef, a pauta da equidade racial precisa ser tratada como compromisso concreto da Caixa, com negociação, metas, transparência e acompanhamento pela representação dos trabalhadores. A defesa de uma Caixa pública, inclusiva e socialmente comprometida passa, necessariamente, pelo enfrentamento ao racismo institucional e pela valorização das empregadas e empregados negros. Saúde, condições de trabalho e combate ao assédio As condições de trabalho também ocuparam lugar central nos debates. As propostas aprovadas tratam da sobrecarga nas unidades, da falta de empregados, das metas abusivas, das mudanças unilaterais nos modelos de atendimento, da pressão por resultados, do adoecimento físico e mental e da necessidade de combater o assédio moral, sexual e organizacional. O congresso reforçou a cobrança por ambientes de trabalho saudáveis, com respeito, estrutura adequada, dimensionamento de pessoal, transparência nos processos de gestão e políticas efetivas de prevenção ao adoecimento. As empregadas e empregados também reafirmaram a defesa de medidas concretas contra todas as formas de violência e assédio, com acolhimento às vítimas, responsabilização dos agressores e atuação permanente da Caixa para garantir locais de trabalho seguros e livres de discriminação. Remuneração variável, carreira e transparência A remuneração variável foi outro ponto de forte debate. As propostas aprovadas cobram que qualquer programa de bonificação ou remuneração variável seja previamente debatido e negociado com a representação dos trabalhadores, com regras claras, critérios objetivos, acompanhamento transparente e pagamento justo. O Super Caixa foi alvo de críticas pela falta de transparência, pelas mudanças constantes nas regras e por critérios que podem penalizar trabalhadores por fatores que não dependem de sua atuação direta. Para o movimento sindical, a lógica deve ser simples: vendeu, recebeu. As deliberações também apontam para a necessidade de valorização da carreira, respeito às funções, preservação da renda, fim das mudanças unilaterais e construção de políticas de desenvolvimento profissional que reconheçam a contribuição dos empregados para os resultados da Caixa. Plenária aprova moções políticas e resolução em defesa da democracia A plenária final do 41º Conecef também aprovou quatro moções e uma resolução política. A primeira foi uma moção em solidariedade a Zé Maria, presidente do PSTU, condenado a dois anos de reclusão por declarações feitas em defesa do povo palestino durante manifestação realizada na Avenida Paulista, em São Paulo. A moção repudia a condenação e afirma que a defesa do Estado palestino, o repúdio ao genocídio e a crítica política não podem ser criminalizados. Também foi aprovada a moção contra a fragmentação da Caixa Econômica Federal. O texto reafirma a defesa da Caixa como banco público, 100% estatal, preservado em sua unidade institucional, sem desmembramentos, abertura de capital, criação de subsidiárias que fragilizem o banco ou terceirização de atividades permanentes e estratégicas. A moção alerta que a fragmentação enfraquece a função social da Caixa, precariza empregos, reduz o controle público e amplia a mercantilização de serviços essenciais à população. O documento encerra com a palavra de ordem: “Nenhum pedaço a menos. Caixa 100% pública”. A terceira moção aprovada trata da valorização e da atribuição automática de função para empregadas e empregados da área de Tecnologia da Informação, especialmente lotados na Vitec. O documento denuncia a defasagem entre a complexidade das atividades desempenhadas pelos trabalhadores de TI e a remuneração atualmente recebida por parte dos novos empregados admitidos em concurso específico para a área. A moção reivindica o reconhecimento da especificidade do trabalho em tecnologia, o fim do desvio de função velado e a adoção de medidas para evitar a evasão de talentos e garantir a sustentabilidade tecnológica da Caixa. A plenária também aprovou uma moção de repúdio à decisão da Caixa de solicitar a criação de 55 novos cargos de alto e médio escalão, incluindo diretorias, superintendências e gerências nacionais, com elevado impacto financeiro para a instituição. Para os delegados e delegadas, a medida precisa ser revista e explicada com transparência, especialmente diante da necessidade de priorizar investimentos no atendimento à população, na contratação de empregados por concurso público, na valorização dos trabalhadores e na melhoria das condições de trabalho. Além das moções, o 41º Conecef aprovou resolução de apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à Presidência da República. A resolução destaca a importância da defesa da democracia, dos direitos sociais e trabalhistas, da soberania nacional, do fortalecimento dos bancos públicos e da preservação do papel estratégico da Caixa para o desenvolvimento do país. Saúde Caixa Sem Teto Ao final da votação, foi apresentada a campanha Saúde Caixa Sem Teto, em defesa da sustentabilidade do plano e do fim do limite de custeio de 6,5% da folha salarial imposto pela Caixa em seu estatuto. O Saúde Caixa foi um dos temas prioritários do 41º Conecef. A plenária aprovou reivindicações em defesa da sustentabilidade do plano, da preservação do mutualismo, da solidariedade e do pacto intergeracional, além da garantia de acesso ao plano para todos os empregados, inclusive os admitidos após 2018, no pós-emprego. Para as entidades representativas, o teto de 6,5% limita a participação do banco no financiamento do Saúde Caixa, transfere custos para os usuários e ameaça a sustentabilidade do plano no médio e longo prazo. Fonte: Contraf-CUT

Inovação para avançar
na luta pelos direitos 
dos trabalhadores

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