Entre a civilização e a barbárie: por que votar no dia 25

Frequentemente, encontramos no YouTube vídeos que comparam capitalismo e socialismo recorrendo a simplificações, espantalhos ideológicos e falsas equivalências. O objetivo parece ser menos compreender a realidade do que conquistar audiência, alimentar polarizações ou defender acriticamente determinado sistema econômico.
O debate relevante não consiste em escolher entre modelos abstratos, mas em discutir que sociedade queremos construir, quem se beneficia do crescimento econômico e como a riqueza produzida deve ser distribuída.
Dois projetos de país
É nesse contexto que devemos compreender a disputa política brasileira.
De um lado, está o projeto representado pelo Presidente Lula, comprometido com políticas de bem-estar social, saúde pública universal, educação gratuita e de qualidade, redução das desigualdades sociais e de renda, tributação progressiva e fortalecimento das instituições públicas. Um projeto que também pressupõe a defesa da soberania nacional, da democracia e da capacidade do Estado de promover o desenvolvimento e proteger os direitos da população.
De outro, Flávio Bolsonaro apresenta propostas de forte ajuste fiscal, com cortes de gastos públicos da ordem de 1,5% a 2% do PIB para produzir superávits, desindexação e congelamento do salário-mínimo, privatizações em larga escala e redução ou extinção de subsídios sociais. Medidas dessa natureza podem aprofundar a recessão, comprometer serviços públicos e ampliar as desigualdades, tal como ocorre na Argentina neste momento.
Não se trata de desconsiderar a importância do equilíbrio das contas públicas, mas de questionar quais interesses essas medidas procuram preservar e quem pagará a conta. Quais serão seus efeitos sobre o emprego, a renda, os serviços públicos e as condições de vida da maioria da população?
Os riscos desse projeto, defendido por setores do sistema financeiro e do empresariado, não se limitam às políticas sociais e aos serviços públicos. Alcançam diretamente as relações de trabalho, os direitos conquistados historicamente e a capacidade de organização dos trabalhadores.





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