14 de jun. de 2025
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27ª Conferência debate os impactos da atualidade na categoria bancária
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Conjuntura atual mundial e relação entre crises ambientais, sociais e econômicas são temas do debate.
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O segundo dia da 27ª Conferência Estadual dos Trabalhadores do Ramo Financeiro de SC iniciou neste sábado, 14, com os dirigentes da Fetrafi-SC, Dircéia Locatelli e Luiz Gubert, convidando o economista e mestre em Relações Internacionais, Daniel da Cunda, e o economista do Dieese, Nelson Karam, para compor a mesa. Logo após, foi exibido o vídeo “A Era dos Extremos”, referência do Concurso de Fotografia Jacir Zimmer, que está sendo promovido pela Federação.
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Em sua fala, Daniel da Cunda afirmou que “a conjuntura mundial mudou e não teremos mais um mundo como estávamos acostumados. Há transformações profundas e estruturais no sistema internacional, de reorganização, de rearranjo produtivo, institucional e sobretudo político, com muitos conflitos, muitas questões que mudam a nossa forma de nos posicionar no mundo diante de tantas mudanças. Nesse sentido, as tarifas, por exemplo, do presidente Trump significam um duro golpe no sistema multilateral de comércio e países como o Brasil, por exemplo, vão ter que se reorganizar diante dos impactos na economia global que isso gera. No caso brasileiro, estamos sofrendo várias consequências das tarifas, sobretudo na indústria do aço e do alumínio, mas estamos diante de uma situação também, de iminência de queda no ritmo de crescimento econômico do Brasil e também uma perda de popularidade do governo diante de indicadores que aparentemente são positivos, no entanto não estão sendo sentidos pela população dessa maneira.”
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Ele ainda destacou os desafios da transição da situação brasileira para a contemporaneidade, bem como os desafios dos trabalhadores. “É fundamental encampar pressões contra processos de privatização de serviços públicos nas esferas federal, estadual e municipal, porque elas representam um duro golpe sobre o salário indireto dos trabalhadores, a possibilidade de acessar serviços públicos com qualidade.” E finalizou dizendo que “precisamos trabalhar cada vez mais na organização da classe trabalhadora porque esse contexto mundial de agitação deve servir de combustível, até porque muita coisa pode mudar e podemos tomar os rumos da mudança. Podemos tomar sob as nossas mãos a condução do nosso próprio destino nesse cenário de alterações estruturais pelo mundo.”
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Já o economista do Dieese, Nelson de Chueri Karam, abordou a interligação entre crises ambientais, sociais e econômicas, partindo da realidade da categoria bancária. Destacou a concentração de riqueza e a urgência de superar a separação entre natureza e humanidade: “Precisamos superar a ideia de que os recursos naturais são inesgotáveis e isso passa, também, pelo mundo do trabalho.”
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Ao relacionar a pauta ambiental ao contexto brasileiro e catarinense, alertou para os impactos das mudanças climáticas no emprego, especialmente com o aumento da temperatura e perda de postos de trabalho. “O setor financeiro tem participação nesse processo, já que a maior parte do financiamento que vai para as atividades sustentáveis ou insustentáveis passa por ele.” Karam encerrou reforçando a importância da COP30, em 2025, e concluiu: “O meio ambiente também é um setor de disputa.”
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Ao final da manhã, houve uma apresentação cultural com o comediante Michelangelo Mendonça. Logo após, os participantes puderam se inscrever para fazer suas intervenções.
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