Buscar

Reestruturações no Santander geram protestos da categoria bancária em SC

Manifestações realizadas em todo o país levaram o banco a se abrir para o diálogo

Sindicatos de todo o país realizaram na manhã desta terça-feira, 26, protestos em agências do banco Santander contra a extensão do horário de atendimento gerencial e também contra todo o processo de reestruturação promovido pelo banco, com a extinção dos cargos de gerentes de atendimento, demissões e terceirizações de diversos setores.


Em Santa Catarina, dirigentes do Sindicato dos Bancários de Florianópolis (Sintrafi) estiveram na agência do Santander do Kobrasol, no município de São José, para dialogar com os trabalhadores e os clientes. O atendimento atrasou em uma hora nesta quarta, 27. De acordo com Luiz Fernando, diretor do Sintrafi e funcionário do banco, o Santander tem feito tentativas recorrentes de abrir as agências e sobrecarregar os trabalhadores. “Reduzindo os postos de trabalho e acumulando funções aos poucos trabalhadores que restam, a atitude do Santander representa um desrespeito aos direitos dos trabalhadores que gerará sobrecarga e até adoecimento”, destacou.



Também houve manifestação em Blumenau. O SEEB Blumenau realizou paralisações nas Agências Centro de Blumenau e também em Pomerode das 8h às 11h na terça-feira, 26. O presidente do Seeb Blumenau e Região, Edson Heemann, explicou que “nacionalmente, o Santander tem sido o banco que mais tem ‘inventado moda’ no sistema bancário, além de ter criado situações que invariavelmente desrespeitam a jornada de trabalho de seus empregados. Iniciou em 2019 com aquela história de ‘trabalho voluntário’ aos sábados, usando mão de obra de seus funcionários - sem remuneração - para fazer negócios. Em 2020 e 2021, descumpriu a sua promessa de não demitir seus empregados durante a pandemia.



Após os protestos, o banco entrou em contato com a Comissão de Organização dos Empregados (COE) do Santander e se comprometeu a fazer uma conversa presencial para tentar chegar a uma solução para o caso.

A reestruturação

O Santander vem promovendo há anos uma reestruturação com demissões, falta de contratação de funcionários, terceirizações de setores inteiros, automatização de funções, extinção do cargo de gerente de atendimento (o que levou à sobrecarga dos gerentes de negócios e serviços), ampliação do horário de atendimento gerencial das 9h às 17h.

Dados do balanço do Santander mostram que, em um ano, a carteira digital do banco cresceu 17%; no mesmo período houve crescimento de 8% de clientes tradicionais. Em cinco anos, do primeiro trimestre de 2016 ao primeiro trimestre de 2022, a média de clientes por funcionário cresceu de 656 para 1.116. No período houve aumento de 166% no número de clientes e redução de 2,1% no número de funcionários.

Fonte: Contraf-CUT, Sintrafi e SEEB Blumenau com edição da Fetrafi-SC