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Primeiro dia de debate da 24ª Conferência Estadual dos Trabalhadores do Ramo Financeiro de SC

Debates giram em torno das estratégias de luta para a campanha nacional da categoria

A 24ª Conferência Estadual dos Trabalhadores do Ramo Financeiro de SC iniciou neste sábado, 28, e encerra neste domingo, 29, em Blumenau. 119 delegados foram inscritos para participar da atividade que definirá as reivindicações e estratégias de luta da categoria para a campanha salarial unificada deste ano.


Na abertura da atividade, o secretário geral da Federação dos Trabalhadores em Instituições Financeiras de Santa Catarina (Fetrafi-SC), Marco Silvano, alertou sobre a importância das eleições deste ano. “Esse é um ano de muitos desafios. Um desafio que nós temos enfrentado com sabedoria nos últimos tempos é a nossa campanha nacional dos bancários e bancárias. Além disso, será um ano de desafios para a sociedade diante dos riscos que temos pela frente em relação às eleições do executivo e do legislativo.”


Em seguida, o presidente do Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos Bancários de Blumenau e Região, Edson Heemann, que é o anfitrião do evento, explicou o significado do Ubuntu exibido em um vídeo durante o evento, que constitui uma filosofia e uma ética antiga, que significa “sou o que sou porque somos todos nós”. Para o dirigente, o principal ensinamento do Ubuntu é que “cada um de nós não precisa sair na frente para conquistar e sermos melhores uns que os outros. Podemos caminhar junto calmamente ao lado do meu colega e juntos, avançamos,” explicou o sindicalista.

Os diretores da Fetrafi-SC, Dirceia Locatelli e Denilson Machado, integraram a mesa “Organização dos Trabalhadores do Ramo Financeiro na América Latina e o Futuro da Organização Sindical”, composta pelos expositores Roberto (Betão) Von Der Osten, ex-presidente da Contraf-CUT, e o ex-diretor técnico do Dieese e assessor do Fórum das Centrais, Clemente Ganz Lúcio.


O ex-diretor técnico do Dieese e assessor do Fórum das Centrais, Clemente, falou sobre os impactos da transformação do mundo do trabalho da categoria bancária causados pelo avanço das tecnologias. “Com a pandemia, houve um aprofundamento das mudanças estruturais do mundo do trabalho. E, para o movimento sindical, o trabalho de base é dificultado pelo home office. Como se não bastassem todas essas mudanças, o Brasil ainda tem um presidente que faz tudo ao contrário do que se espera de um líder de uma nação.”


Este governo quer acabar com o sindicalismo. Estamos há 4 anos resistindo aos ataques do Bolsonaro e ainda com uma pandemia. Este governo está implementando o neoliberalismo no nosso país através de uma agenda neoliberal está sendo colocada em prática. Para Clemente, é preciso reagir! “Precisamos nos reconectar com o mundo que está fortalecendo o movimento sindical, como, por exemplo, na Espanha. No mundo inteiro, está acontecendo uma transformação que altera o que é trabalho na economia mundial por conta das altas tecnologias, que estão criando empregos com precarização do trabalho cada vez maior.”


O avanço das tecnologias propiciou a modernização das agências, reformulando a categoria. Hoje, há mais de 1 milhão e meio de trabalhadores trabalhando sem nenhuma proteção sindical, ou seja, a maioria desses trabalhadores são enquadrados como PJ, aumentando a precarização do trabalho. E finalizou alertando a todos que essa eleição significa uma disputa não apenas do jogo, mas da forma de jogar. “É preciso refundar as regras para voltar a jogar com democracia, transparência e honestidade de forma clara como já foi um dia.”

O ex-presidente da Contraf, Betão, fez uma retrospectiva de como foi a filiação internacional da CUT e porque a Central se filiou à UNI Global Union. “A filiação internacional dos bancários do Brasil a uma estrutura internacional se deu porque, quando aparece a necessidade de que o sindicato não seja apenas localmente, mas internacional porque os bancos eram internacionais, tivemos que buscar uma estrutura que nos representasse no mundo.”


Primeiramente, os bancários do Brasil se filiaram a uma estrutura internacional que reunia bancários do mundo todo para fazer o debate das tecnologias, das novas organizações do trabalho que acabou se transformando, no ano 2000, na UNI Global Union. Lá, nós fazemos o debate hoje de acordo macro, inclusive, que transfere o poder de um sindicato e um banco no país para todos os sindicatos onde este banco atua.


Betão ainda explicou como a UNI atua. “Primeiro, ela socializa as conquistas que cada sindicato dos bancários faz no país em relação a determinado banco, publica explicando como foi feito, conta o que foi negociado e dá a oportunidade de um sindicato, por exemplo, na Argentina, fazer uma acordo e compartilhar conosco como foi a negociação com os banqueiros para fazermos uma negociação parecida no Brasil.” Na avaliação de Betão, isso é muito importante na negociação no mundo contemporâneo.


A UNI também organiza nos sindicatos de bancários possibilidades de superarmos deficiências. A UNI vinha organizando os sindicatos de bancários, do setor de serviços no mundo para lutar contra velhos adversários como o avanço do neoliberalismo colocando o livre mercado na frente das pessoas, a globalização que socializa a miséria no mundo todo. As transformações do mundo do trabalho onde a tecnologia se transformou num exterminador de emprego.


Além disso, hoje, “a UNI organiza também o enfrentamento de novas crises, como a crise mundial de 2008 em torno da bolha imobiliária nos EUA e a pandemia de Covid-19 que modifica não só o mundo do trabalho, como também modifica as relações das pessoas com a sociedade que, hoje, compra por plataforma e usa a digitalização fortemente para negociar com os bancos. Então, organiza para lutar contra esses novos problemas”, encerrou.

Após algumas inscrições, os palestrantes esclareceram os questionamentos feitos pelos dirigentes sindicais. Na parte da tarde, os debates seguiram com a palestra do técnico do Dieese na subseção da Fenae.