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Mapeamento das condições de trabalho é debatido pelo Dieese

Atualizado: 30 de mai.

Neoliberalismo e impactos deste sistema foram abordados pelo Dieese na 24º Conferência Estadual dos Trabalhadores do Ramo Financeiro de Santa Catarina

Na tarde deste sábado, 28, foi dada sequência à 24ª Conferência Estadual dos Trabalhadores do Ramo Financeiro de SC, realizada em Blumenau. O debate da tarde ficou a cargo de Filipe Barreiros, técnico do Dieese na subseção da Fenae, que refletiu o neoliberalismo e os impactos deste sistema para a categoria dos bancários e bancárias.


Segundo Filipe Barreiros, a Reforma Trabalhista deixou, em 2019, mais de 12 milhões de pessoas desempregadas e a recente expansão do emprego no setor bancário se deu principalmente nos setores mais precarizados e desprotegidos. Ainda conforme Filipe, é a partir do neoliberalismo que devemos olhar o trabalho no setor bancário.


Entre os dados apresentados pelo técnico do Dieese, chamou a atenção o número de agências fechadas. Desde 2013, foram mais de cinco mil agências fechadas, o que colocou a Fetrafi-SC na segunda colocação, empatada com a Federa-RJ, entre as regiões mais afetadas por esses fechamentos. Ainda conforme os dados do Dieese, em 2013, 43% dos bancários eram escriturários, tendo uma diminuição desse número em 2019, para 29%. Já em relação aos cargos de gerência, em 2013 eram 19% de bancários, tendo um aumento para 23% em 2019.

Conforme explica o diretor de Comunicação da Fetrafi-SC, Denilson Machado, a diminuição de escriturários está ligada à exploração dos trabalhadores do setor financeiro. “Os bancos têm diminuído o número de escriturários e aumentado os números de gerentes. Isso acontece porque os cargos na gerência fazem todos os trabalhos e funções, o que aumenta a demanda para esses profissionais e diminui o número de trabalhadores nos bancos. Com o aumento de cargos na gerência, o número de horas trabalhadas também se excede, por isso não existem praticamente mais os bancários de carga horária de 6h. Hoje, os bancários, em sua maioria, estão trabalhando 8h e essa é uma maneira de os bancos explorarem os seus trabalhadores”, salienta Denilson.

Os dados apresentados pela Dieese demonstraram como a classe dos trabalhadores e trabalhadoras do setor bancário vem sofrendo nos últimos anos, seja por falta de estrutura para trabalhar, como por cobrança de metas abusivas e falta de valorização.


Adoecimento dos bancários


Segundo Filipe, as doenças mentais cresceram junto com o neoliberalismo. “As condições de trabalho são difíceis em toda estrutura de economia que a gente vive. No setor bancário, a responsabilização vai para o individual, sendo que deveria ser para o coletivo. Essas cobranças abusivas fazem com que a categoria dos bancários e bancárias adoeça”, salienta Filipe.


É preciso lembrar que, com a chegada da pandemia, a estrutura de trabalho do setor bancário mudou drasticamente, o que também influenciou nesse adoecimento. O home office, que já era pensado pelos bancos antes da pandemia para reduzir custos, ao mesmo tempo que trouxe um conforto maior ao trabalhador, fez com que eles tivessem um aumento de custos em casa, como luz e internet.


Filipe destacou que, conforme pesquisa do Dieese, os principais problemas identificados pela categoria com o teletrabalho foram a falta de estrutura para trabalhar em casa, falta de equipamento, aumento de jornada de trabalho, isolamento, aumento de custo e, principalmente, a ausência de auxílio financeiro.


Os dados demonstrados na Conferência levantam novamente o debate sobre a saúde mental dos bancários, pauta de extrema importância para a categoria. Além da palestra com o técnico do Dieese, na tarde deste sábado foram realizados encontros específicos por bancos, entre eles: Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Banrisul, Santander, Itaú Unibanco e Bradesco. Nesta parte da Conferência, foram debatidas as pautas que serão levadas para o Encontros Nacionais de Trabalhadores de Bancos Privados e Congressos de Bancos Públicos.


A programação continua no domingo, 29, com a votação para eleger os delegados que irão participar do Congresso Nacional dos Trabalhadores do Setor Bancário. A cobertura completa da Conferência está nas redes sociais da Fetrafi-SC e do Sintrafi Florianópolis e Região.