Buscar

Mais uma manobra do BB desrespeita os funcionários e os acordos firmados


O dia de ontem, 24, foi de grande apreensão para o funcionalismo do BB em todo o país.

De acordo com orientação encaminhada aos gestores, a Direção determinou o retorno imediato dos bancários afastados pelos riscos da Covid-19, com exceção das funcionárias grávidas.


Para os representantes do banco, o período mais crítico da pandemia provocada pelo novo coronavírus foi superado a partir do avanço da vacinação, justificando ainda que as demais instituições financeiras já adotaram o retorno ao trabalho presencial.


Na tarde desta quarta-feira, 24, representantes dos sindicatos que compõem a Fetrafi-SC se reuniram com o gerente da Gepes em SC, Luiz Felipe Pires, para tratar das inúmeras mensagens de colegas do BB questionando a forma atabalhoada na condução do processo de retorno.


Já no início da reunião, o representante da Gepes informou que a volta do horário normal de atendimento das agências exige mais funcionários, pois os que estão no atendimento presencial estão sobrecarregados. Mas os representantes dos trabalhadores entendem que a situação de aglomeração e filas no atendimento não são decorrentes somente do coronavírus, visto que esta situação já era verificada bem antes de março de 2020, quando foi decretada a pandemia no Brasil.


Estes problemas são consequências da política de reestruturações, dos PAQs e PDEs, do fechamento de agências e redução do quadro de funcionários do BB. E não se pode responsabilizar o grupo autodeclarado de risco, pois, segundo informações obtidas, são cerca de 9.000 funcionários em teletrabalho atualmente no BB.


Caso todos retornem ao trabalho presencial, isto representaria cerca de menos de um funcionário em média em cada local de trabalho. “Por isso, exigimos a realização de concurso público e a contratação de mais funcionários para que o BB possa continuar cumprindo seu relevante papel social na economia. O desmonte do BB tem a ver com a política de privatizações e estado mínimo que vem sendo implantada pela área econômica do governo”, destacou Marco Silvano, secretário geral da Federação dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Fetrafi-SC).

De acordo com o próprio comunicado encaminhado aos gestores, os administradores deveriam reunir suas equipes e planejar a transição entre o fim do trabalho remoto e o presencial. Estabelecia ainda o retorno gradativo nos meses de novembro e dezembro, observando os percentuais mínimos de 50% neste mês de novembro, 75% na primeira quinzena de dezembro e alcançando 100% de retorno até o fim de dezembro.


Dessa forma, os funcionários e gestores poderiam se organizar para um retorno seguro e responsável. Mas não é isto que se verifica. Em muitos locais de trabalho, não existem mobiliário e equipamentos suficientes para recepcionar os colegas que estão retornando, enquanto em outros prefixos, não tem espaço suficiente para garantir o distanciamento determinado pelos protocolos de segurança, fazendo com que haja aglomeração dos funcionários.


Outra grave questão apontada pelos dirigentes sindicais é a inexplicável ausência de formalização por parte dos gestores, apenas informando por telefone da necessidade de comparecimento às unidades.


Também não se justifica a não realização da testagem de todos os envolvidos, além de exames de retorno, fundamentais para garantir a segurança e a saúde dos trabalhadores.


Durante a reunião, os dirigentes cobraram maior rigor por parte dos gestores no cumprimento dos protocolos sanitários, além de medidas que garantam a efetiva vacinação de todo o quadro funcional, pois é inadmissível que a irresponsabilidade de alguns coloque em risco a vida dos colegas do BB. Lembrando que, para alguns grupos de pessoas, o ciclo vacinal somente se efetiva com a dose de reforço.


Como sabemos, os riscos da pandemia não serão superados por decreto e muito menos pela negação da sua gravidade. Considerando-se, ainda, que novas ondas de contaminação pelo coronavírus atingem outros países, fazendo com que seus governos retomem medidas de restrição e controle da pandemia que foram flexibilizadas anteriormente.


De acordo com o representante da Gepes, todas as situações de excepcionalidade que impeçam o retorno imediato devem ser informadas e formalizadas aos gestores, que podem, sim, negociar prazos para garantir um processo mais tranquilo na transição.


As situações dos colegas que fazem parte dos grupos de risco e que possuem orientação médica nesse sentido devem ser encaminhadas para análise por e-mail para gepes.sc.pcmso@bb.com.br.

Avaliação de desempenho e descomissionamento por produtividade


A representação dos funcionários reforçou o que já foi cobrado pela Comissão de Empresa do BB (CEBB) no sentido de que as avaliações de desempenho levem em consideração a situação excepcional de trabalho e a retração da economia durante a pandemia.


Estes fatores precisam ser levados em consideração pelos avaliadores, pois uma avaliação de desempenho ruim pode afetar tanto a vida profissional dos funcionários, bem como o psicológico das pessoas, causando doenças pela cobrança de metas descabidas e pelo assédio moral exercido pelos gestores.


O Acordo Coletivo de Trabalho Emergencial (Pandemia Covid-19) aprovado em julho de 2020 pelos funcionários em assembleia e negociado entre o movimento sindical e a direção do BB prevê a anistia de 10% do saldo total de horas negativas a compensar e prazo de compensação de horas negativas de 18 meses.


Além disso, foi firmado um compromisso na mesa de negociações que não haverá descomissionamentos por desempenho enquanto durar a pandemia, que será acompanhado pelas entidades sindicais para o fiel cumprimento do que foi acordado em mesa.


Avaliação jurídica


A reunião foi acompanhada pela representante da assessoria jurídica da Federação e do Sindicato de Florianópolis, Dra. Susan Zilli.


Muito embora a Justiça do Trabalho não tenha concedido nenhuma liminar no sentido de garantir a segurança dos bancários no início da pandemia, a assessoria está avaliando os possíveis encaminhamentos jurídicos a serem adotados de forma coletiva e estudando se cabe uma notificação por descumprimento de ACT.


Essa movimentação também depende de orientação do Comando Nacional. Uma ação conjunta pelos diversos sindicatos e federações pode ser bem mais efetiva do que uma ação individual de uma base sindical somente.


Encaminhamentos e orientações


Na reunião, exigimos que o pedido de retorno seja comunicado formalmente aos funcionários.


Cobramos que o banco realize exames de retorno, que garanta a completa vacinação do quadro de funcionários e que determine rigor no cumprimento dos protocolos e medidas sanitárias.


Que somente sejam desconectados os acessos ao teletrabalho quando do efetivo retorno ao presencial.


Que sejam garantidos prazos para tratar as situações de excepcionalidade e canal para análise dos casos onde a orientação médica indique a manutenção do afastamento.


Por: Sindicato dos Bancários de Florianópolis e Região