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Inteligência artificial e suas transformações sociais em pauta na 25ª Conferência da Fetrafi-SC



O segundo dia da 25ª Conferência Estadual dos Trabalhadores do Ramo Financeiro de Santa Catarina foi aberto com o debate sobre “Os impactos das novas tecnologias no mundo do trabalho e as transformações na sociedade a partir do desenvolvimento da Inteligência Artificial (IA)". O tema foi abordado por Paulo Rená da Silva Santarém, doutorando em Direito, Estado e Constituição na Universidade de Brasília, co-diretor executivo do Aqualtune Lab, e por Rosângela Vieira dos Santos, técnica do Dieese.


Na sua fala, Paulo Rená apresentou aspectos históricos relacionados ao processo de esgotamento da sociedade industrial e a construção da sociedade da informação. Na visão de Rená, há uma grande ilusão de que a tecnologia resolverá os problemas sociais enquanto for mantida uma visão que ignora que nem todos têm acesso às tecnologias. Ele cita como exemplo o período de pandemia, quando os recursos tecnológicos eram acessíveis apenas a determinados grupos sociais.


Rená lembra que, ferramentas de inteligência artificial não são novidade. Há muito tempo, diz ele, existem recursos de IA que vêm mudando a forma das pessoas verem o mundo, gerando uma cobrança cada vez maior na velocidade da informação. “Diante deste ambiente digital, é preciso reafirmar os direitos fundamentais e o equilíbrio de poderes, valores e princípios que permeiam, guiam e informam, além do processo de construção de medidas normativas e regulação jurídica”.



Rosângela Vieira dos Santos, técnica do Dieese, abordou aspectos relacionados aos cuidados necessários quando se trata de inteligência artificial. Ela reforça que a preocupação neste caso deveria estar voltada também às pessoas mais vulneráveis, o que, na avaliação da especialista, é algo ainda muito incipiente.


A técnica do Dieese também apresentou dados sobre os impactos para o setor financeiro a partir das mudanças tecnológicas e trabalhistas, que, por consequência, impactam na dinâmica do sistema capitalista. Exemplo disso, é o que Rosângela chamou de “ondas de inovação no setor financeiro”, começando pelo back-office, no passado, até a criação das chamadas fintechs atualmente. Mesmo com inúmeros avanços na área da tecnologia, Rosângela é enfática sobre o tema inteligência artificial: “As relações humanas ainda são mais relevantes do que algo robotizado”.



Após a apresentação dos expositores, os delegados e delegadas da Conferência puderam interagir e participar do debate a partir de questionamentos. Questões como o adoecimento dos trabalhadores, provocado pela intensidade do trabalho, a necessidade de reinvenção da ação sindical e a discriminação ainda presente nas políticas de contratação e encarreiramento nos bancos, entre outros temas, também foram trazidas ao debate nesta manhã.


A programação do período da tarde da 25ª Conferência Estadual da Fetrafi-SC prevê a realização dos encontros por banco, quando os trabalhadores colocam em pauta e discutem assuntos relacionados à cada instituição financeira onde atuam.



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