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Governo de Santa Catarina descumpre orientação do Ministério da Saúde

Estado não cumpre o Informe Técnico que orienta a reserva de 20% das doses de imunizantes contra Covid-19 para bancários e trabalhadores dos Correios



Não é de hoje que as entidades representativas da categoria bancária vêm lutando pela inclusão dos bancários nos grupos prioritários do Plano Nacional de Imunização (PNI). Antes mesmo de o programa de vacinação ser implantado no país, no final do ano passado, o Comando Nacional dos Bancários, instância da qual a Fetrafi-SC faz parte, vem debatendo sobre a vacinação e coordenando todas as ações da categoria em nível nacional sobre este tema.

No início deste ano, quando iniciou a vacinação no país, a mobilização das entidades se intensificou. Foram inúmeras as reuniões realizadas com a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) para cobrar que as instituições financeiras pressionassem o governo federal nesse sentido. O serviço bancário foi considerado essencial por decreto do governo federal ainda no início da pandemia.

Após diversas ações, a coordenação do Comando Nacional conseguiu espaço em reunião entre o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, e a Fenaban. Na ocasião, Queiroga recebeu ofício dos bancários cobrando a priorização, inclusive com laudo médico indicando o risco da atividade em ambientes fechados, para os trabalhadores e para a população.

No dia 6 de julho, o Ministério anunciou a priorização da categoria por meio de Informe Técnico orientando que fosse reservado 20% das doses para bancários e trabalhadores dos Correios.

No dia 19 de julho, a Fetrafi-SC enviou correspondência à Secretaria de Saúde cobrando o cumprimento da orientação técnica, repassando à Fenaban os contatos para envio das listas de bancários em cada base. No entanto, o pedido foi negado pelas autoridades de saúde do Estado e componentes da Comissão Intergestores Bipartite (CIB). Ou seja, o governo do Estado de Santa Catarina está descumprindo a orientação do Informe Técnico.

A vacinação é extremamente importante para os bancários, visto que eles atendem toda a população e precisam de segurança sanitária para si, mas também para os próprios clientes.

Os dados são chocantes.

Conforme levantamento divulgado em maio deste ano pelo Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese), entre mais de 20 setores econômicos analisados, as “Atividades Financeiras, de Seguros e Serviços Relacionados”, na qual os bancários estão enquadrados, foi o terceiro com maior variação no número de desligamentos por morte no 1º trimestre de 2021 em relação ao mesmo período de 2020, com variação de 114,6%.

Isso significa que o número de desligamentos de trabalhadores do setor em razão de falecimento cresceu mais que o dobro no 1º trimestre deste ano na comparação com mesmo período do ano passado.

Em pesquisa de campo realizada recentemente na base do Sindicato dos Trabalhadores do Ramo Financeiro de Florianópolis e Região (Sintrafi), o resultado apontou que cerca de 36% dos bancários em trabalho presencial foram infectados com o coronavírus. Em alguns locais de trabalho, este índice chegou a ser de 50% de contaminados, o que revela que os problemas não ficam somente do lado de fora das agências bancárias.

Enquanto isso, 30 mil militares foram vacinados sem priorização do Ministério da Saúde, mas sob a ordem das mesmas autoridades que, irresponsavelmente, não agiram para garantir o distanciamento social, liberando as atividades não essenciais, não garantindo renda e emprego durante a crise sanitária e econômica. Ao contrário, gastaram milhões em recursos públicos em medicamentos ineficazes e em suspeitas transações para aquisição de respiradores.

É inexplicável que os trabalhadores do sistema financeiro, em atividade essencial, estejam sendo ignorados pelas autoridades do Estado e membros da Comissão Intergestores Bipartite (CIB).

Conforme avança a CPI da Covid, cresce a certeza na sociedade que a responsabilidade pelas mais de 500 mil mortes tem endereço nos palácios de governo. No momento em que o mundo todo volta suas atenções para o que pode significar as novas cepas e a sua gravidade, no Brasil, a pandemia continua sendo tratada a partir de interesses políticos e econômicos escusos.