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Fetrafi-SC reúne com BB após “convite” para os funcionários retornarem ao trabalho presencial



Diante do comunicado do Banco do Brasil, emitido no dia 15, de que seus funcionários deveriam voltar ao trabalho presencial a partir de 20 de setembro, a Fetrafi-SC iniciou o debate sobre o tema com os sindicatos filiados. A preocupação dos dirigentes aumentou ainda mais diante do “convite de retorno voluntário”, até mesmo para bancários e bancárias que ainda não se vacinaram ou completaram as duas doses do imunizante.


O movimento sindical entende ser precoce qualquer movimento de retorno ao trabalho presencial enquanto não haja um percentual de 70% de pessoas completamente imunizadas, conforme orientação da Organização Mundial da Saúde (OMS). Além disso, o BB atropela as negociações com a mesa única da Fenaban e Comando Nacional dos Bancários que negociam um protocolo único de retorno do teletrabalho para todos os bancos. Sendo que na última reunião ficou acertado entre as entidades que não haveria nenhum retorno antes do acerto na mesa de negociações.


Para esclarecer as questões referentes ao comunicado, a Fetrafi-SC realizou uma reunião com o Gerente de Gestão de Pessoas (Gepes) do Banco do Brasil de Santa Catarina, Luis Felipe Pires, nesta terça-feira, 21, através da plataforma Zoom.


Os dirigentes solicitaram esclarecimentos sobre o público alvo e unidades em SC que serão afetadas; a situação dos autodeclarados pertencentes ao grupo de risco; os normativos e protocolos vigentes que deverão ser cumpridos (distanciamento, uso de máscara, etc.) e quanto ao Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) Emergencial da Covid-19.


A Federação alerta que o banco não deve flexibilizar o cumprimento do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) Emergencial da Covid-19, estabelecido logo no início da pandemia. O tele trabalho serviu para reduzir a circulação de pessoas e adequar os locais de trabalho aos protocolos de segurança contra o Covid-19. O afastamento dos trabalhadores foi fundamental para minimizar os riscos de contágio e evitar que houvesse focos de contaminação. Mesmo assim, segundo resultado da pesquisa realizada na base do Sindicato dos Trabalhadores do Ramo Financeiro de Florianópolis e Região, houve um índice médio de 36% de contaminação para os bancários que estão em trabalho presencial e chegando a 50% em determinadas unidades.


Segundo o representante da Gepes, atualmente o BB tem em torno de 30.000 funcionários em tele trabalho. Destes, 13.000 são autodeclarados do grupo de risco e, portanto, não estão sujeitos ao retorno ao trabalho presencial, conforme estabelece o ACT Covid. O grupo de risco somente retorna voluntariamente após avaliação do Serviço Especializado em Engenharia de Segurança e em Medicina do Trabalho (SESMT). E poucos funcionários nesta situação estão conseguindo liberação para retornarem ao trabalho presencial.


Quanto aos demais funcionários que não são grupo de risco, segundo o representante do BB, eles estão sendo convidados a voltar ao trabalho presencial e ratifica a posição do banco de que esta situação vai se tornar mais frequente a partir de agora. Em Santa Catarina, este “convite” vai atingir cerca de 100 funcionários lotados principalmente na Central de Relacionamento em São José – CRBB, área jurídica - Ajure SC, Recuperaçao de Ativos – Gecor e na própria Gepes SC.


Os dirigentes da Fetrafi-SC destacam que a pandemia ainda não acabou e que as novas variantes continuam trazendo riscos aos trabalhadores. Além disso, orientam os funcionários que os protocolos estabelecidos pela Portaria Ministerial Conjunta nº 20 do Ministério da Economia/Secretaria Especial de Previdência e Trabalho/Ministério da Saúde de 18 de junho de 2020 continuam em vigor.


Para o dirigente, Luiz Toniolo, representante titular da federação na Comissão de Empresa - CEBB, “o Banco do Brasil precisa fornecer todas as condições para que seja garantida a segurança e a saúde dos bancários, tanto para aqueles que já estão na linha de frente, como para os que retornarem ao trabalho presencial. Vamos fiscalizar e esperamos que os bancários que se sentirem assediados ou pressionados pelos gestores devem procurar os respectivos sindicatos de vinculação para denunciar”, concluiu Toniolo.


Outro aspecto foi levantado pelo dirigente do Sindicato de Chapecó e membro da CEBB, Sebastião Araújo. Para ele, "há uma preocupação que o fato de o retorno ser voluntário seja apenas uma nova forma de o banco cobrar novamente metas, visto que já há denúncias em vários locais do país de que os funcionários estão sendo convocados indiscriminadamente. Precisamos garantir que os funcionários sejam respeitados e o retorno ao trabalho presencial seja feito com segurança e prudência".