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Fetrafi/SC apresenta impactos da reestruturação do BB em audiência junto à presidência da Alesc

Componentes da direção da Fetrafi/SC participaram de agenda, na manhã desta quinta-feira (18), junto ao gabinete da presidência da Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc), para tratar das medidas de reestruturação do Banco do Brasil. As mudanças na estrutura do banco trarão consequências diretas à economia de vários municípios catarinenses, principalmente de pequeno e médio porte.


As medidas anunciadas pela diretoria do Banco do Brasil no início de janeiro são preocupantes. Entre outras ações, está previsto o fechamento de centenas de agências e pontos de atendimento. Fechar uma agência do BB causa impactos na economia da comunidade afetada, diminuindo a circulação de dinheiro e prejudicando o comércio local, por exemplo.


Na audiência, o presidente da Alesc, Mauro de Nadal, foi representado por seu assessor direto André Luiz Bernardi, que comprometeu-se a levar as demandas apresentadas ao conhecimento do parlamentar.


“Os municípios não podem sofrer com ações que simplesmente venham ‘de cima para baixo’. Vamos fazer um trabalho conjunto com as Câmaras de Vereadores e pautar os prejuízos que as cidades afetadas poderão ter com essas medidas de reestruturação do Banco do Brasil”, ressaltou Bernardi.


Moção contra o Plano de Reestruturação do BB


Recentemente, a Alesc aprovou por unanimidade a moção apresentada pelo deputado Fabiano da Luz (PT), contra o fechamento de agências do Banco do Brasil em diversas cidades catarinenses. O documento expõe o posicionamento contrário dos parlamentares às medidas previstas no Plano de Reestruturação do Banco do Brasil e foi enviado ao presidente da República, ao presidente do Banco do Brasil, e aos presidentes do Senado e da Câmara Federal.


Em busca de apoio


Na segunda-feira (15), uma reunião também foi realizada com o diretor do Procon estadual, Tiago Silva, para tratar das demandas relacionadas ao Banco do Brasil, oportunidade em que foi apresentada a situação da instituição financeira, com aspectos sobre a abertura e fechamento de unidades e horário de atendimento.


Para além das questões relacionadas ao BB, Tiago Silva comprometeu-se em articular uma reunião com a representação dos demais bancos em Santa Catarina, juntamente com a representação sindical dos trabalhadores, para tratar de problemas relacionados ao atendimento bancário durante a pandemia.



Saiba mais sobre os efeitos da Reestruturação do BB


Desemprego


O aumento do desemprego é uma consequência direta do fechamento de agências do Banco do Brasil. Conforme o plano da diretoria do BB, a intenção é o desligamento de cinco mil funcionários de carreira do banco. Porém, há os terceirizados, como vigilantes, serviços gerais e telefonistas. Segundo estimativa do Dieese, o impacto desse plano de reestruturação deverá chegar a 1.500 trabalhadores terceirizados demitidos.


Agricultura familiar


O fomento à agricultura e à pecuária é uma das principais áreas de atuação do BB. O BB responde por 80% do montante destinado à agricultura familiar, uma área que pouco interessa aos bancos privados. Foram aproximadamente R$ 104 bilhões disponibilizados por meio do BB em linhas de crédito financiando os Programas Nacionais de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp) e de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf). Fechar agências do Banco do Brasil traz graves consequências para toda a cadeia produtiva de insumos, equipamentos e máquinas.


Presença nos municípios


O Banco do Brasil possui atuação em 98,8% dos municípios brasileiros. Além disso, os bancos públicos, como o BB, estão em locais onde os privados não desejam estar. De acordo com o Departamento de Informações do Sistema Financeiro do Banco Central (Desig/Bacen), até março de 2020, 990 municípios, ou 17,67% do total, só contavam com agências de bancos públicos estaduais ou federais. Ao mesmo tempo, só 58,1% dos municípios brasileiros possuíam pelo menos uma agência bancária.