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Encontro Nacional dos Funcionários do Santander define plano de lutas contra ataques do banco

Defesa dos planos fechados de previdência, análise dos dados do balanço do banco e das empresas da holding e propostas de atuação fizeram parte da pauta.


Com o tema “Contra a precarização, em defesa da vida e do emprego”, o Encontro Nacional dos Funcionários do Santander, realizado na terça-feira, 3, pela Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT) e pela Comissão de Organização dos Empregados (COE) do banco, trouxe aos delegados o debate sobre os planos de previdência fechados, os ataques que os mesmos vêm sofrendo, tanto da parte dos bancos quanto do governo, e a análise dos resultados do balanço do banco e da holding de empresas do grupo.

Ataques aos direitos dos seus funcionários e práticas antissindicais

Pela parte da manhã, o destaque foi a truculência do banco. A presidenta do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, Ivone Silva, que é uma das coordenadoras do Comando Nacional dos Bancários, afirmou que “infelizmente o banco tem procurado uma via de confronto com o movimento sindical. Isso tem prejudicado os trabalhadores, mas o movimento sindical não tem deixado o banco fazer o que quer sem lutar contra estes desmandos. Nestas últimas semanas, conseguimos importantes vitórias na luta diária que temos contra o Santander, tanto via COE (Comissão de Organização dos Empregados), quanto via Comando Nacional dos Bancários.” Ivone também destacou a importância do encontro no sentido de pensar e organizar a luta, seja via negocial, ou nas batalhas sindicais e judiciais contra as medidas tomadas pelo banco.

Já o ex-diretor eleito da Previ e ex-vice-presidente da Anapar, José Ricardo Sasseron, disse que “há um forte ataque aos planos fechados, com os bancos querendo ocupar espaço para vender planos privados de previdência complementar e o governo tentando reduzir suas responsabilidades com a pensão dos trabalhadores.” Para ele, há uma disputa muito grande entre os bancos e os fundos fechados de previdência.

Sasseron disse ainda que a Previc, que é quem deveria regular o funcionamento dos planos fechados de previdência, está atualmente mais ao lado das empresas patrocinadoras dos fundos de pensão do que dos participantes, inclusive em relação ao desrespeito aos contratos entre os participantes e as empresas patrocinadoras dos planos, citando as mudanças pretendidas nas leis complementares 108 e 109, para permitir que as empresas possam patrocinar mais do que um plano de previdência e liberar a administração destes por bancos e outras empresas financeiras.

O debate sobre os ataques aos planos de previdência continuou com apresentações sobre os planos fechados do Santander (Banesprev, Sanprev, SantanderPrevi e Bandeprev).


Dados do balanço

Na parte da tarde, a economista do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), Catia Uehara, apresentou dados sobre o balanço do banco e informações importantes sobre empresas que fazem parte da holding do Santander.

No segundo trimestre de 2021, o Santander obteve lucro líquido gerencial de R$ 4,171 bilhões, crescimento de 98,4% em relação ao obtido no mesmo período do ano passado. O lucro obtido nos primeiros seis meses no Brasil representou 22,5% do lucro global do conglomerado, que foi de € 4,205 bilhões.

“É importante ressaltar que foi o maior lucro trimestral alcançado pelo Santander no Brasil”, observou a economista do Dieese. “O banco continua acelerando a tendência de forte crescimento já vista nos últimos anos”, completou.

Entretanto, Catia também destacou a redução de postos de trabalho bancários e a contratação de trabalhadores não bancários por empresas que fazem parte da holding. “São contratações com representações de outras categorias, que não possuem Convenção Coletiva de Trabalho nacional como os bancários, então, pode haver diferenças de direitos conforme o estado e até a cidade onde as empresas estão estabelecidas”, disse.

Plano de lutas

Ao final do encontro, os delegados apresentaram propostas de ações para resistir aos ataques contra os direitos dos trabalhadores e avançar na conquista de novos direitos.

“O Santander vem adotando uma postura intransigente, com ataques aos direitos e tomada de medidas sem que haja negociações com a representação dos trabalhadores. Muitas propostas foram apresentadas para lutarmos contra isso. A COE vai analisar cada uma delas e sintetizá-las para a mobilização dos trabalhadores na ação contra estes desmandos do banco”, disse a coordenadora da COE, Lucimara Malaquias.

Tanto o plano de lutas, quanto os documentos e apresentações feitas durante o encontro serão disponibilizados aos representantes da COE e das entidades sindicais que fazem parte do Comando Nacional dos Bancários, que se encarregarão de fazer o repasse para suas bases.

Fetrafi-SC atenta aos debates

Para o representante da Fetrafi-SC na Comissão de Organização dos Empregados (COE) do Santander, Luiz Fernando Moreira, “o encontro dos funcionários do banco possibilitou ampliar o conhecimento sobre os planos de previdência fechados patrocinados pelo Santander, além de dar a real dimensão sobre os desafios impostos ao movimento sindical e aos funcionários na defesa dos interesses dos participantes dos planos. Além disso, os delegados apresentaram propostas para a organização da luta sindical no momento em que o Santander atinge o maior lucro trimestral de sua história no Brasil e os trabalhadores sofrem com a falta de funcionários e com cobranças por metas abusivas, o que tem levado muitos ao adoecimento.”

Já a diretora da Fetrafi-SC e do Sindicato dos Bancários de Florianópolis e Região, Jozi Fabiani Mello, afirmou que “o debate sobre as empresas do conglomerado do Santander é fundamental, pois descaracteriza a categoria bancária que hoje não contrata mais bancários. É a terceirização que chega diminuindo os salários, mas com os mesmos direitos, apesar de não estarem amparados na nossa Convenção Coletiva de Trabalho. Sabemos que, hoje, há muitos terceirizados trabalhando dentro das agências, com apenas 4 ou 5 funcionários, sendo que o restante é terceirizado, que acabam exercendo as mesmas atividades dos bancários. Então, esse é um grande desafio que as entidades representativas da categoria terão que enfrentar pela manutenção dos postos de trabalho, ou seja, esse é o efeito da terceirização.”

“É importante destacar também que, durante a pandemia, o banco digital cresceu bastante, o que é muito preocupante no que se refere a postos de trabalho. Como se não bastasse o número de fechamento de agências serem superior ao de aberturas, reduzindo ainda mais os postos de trabalho, desde 2012, o banco vem reduzindo drasticamente os postos de trabalho, aumentando ainda mais a terceirização,”afirmou a dirigente sindical.