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Crise econômica para os brasileiros; mas não para os banqueiros

A crise econômica do País, agravada pela pandemia, tem acentuado a cada dia as dificuldades da população brasileira. Um dos indicativos desse agravamento é o retorno da fome nos patamares anteriores à criação do Programa Bolsa Família. O aumento do desemprego é outro fator de destaque. O número de desocupados cresceu 19,7% em 2020.


Entretanto, nem todos os setores estão sentindo essas dificuldades. Prova disso são os balanços do 1° trimestre dos bancos Itaú, Santander, Bradesco e Banco do Brasil, divulgados na última semana. A esta altura, você deve estar se perguntando como isso é possível, se considerarmos que o Brasil enfrenta uma das maiores crises econômicas da história.


No caso dos bancos, um dos fatores relevantes para o aumento da lucratividade foi a redução das despesas. O problema é que isso se deu por meio do fechamento de agências e principalmente pela demissão de trabalhadores. Os bancos privados inclusive quebraram um acordo firmado com os sindicatos de não demitir durante a pandemia.


Juntos, Santander e Bradesco fecharam mais de 10,9 mil postos de trabalho entre março de 2020 e o mesmo mês de 2021. Isso demonstra a relação direta entre demissões e aumento da lucratividade. O resultado, porém, são trabalhadores sem emprego, sobrecarga de trabalho para aqueles que ficaram, com reflexos na qualidade do atendimento ao cliente e usuários.


Mas, o aumento dos lucros não está apenas na redução de despesas. As instituições financeiras são as principais detentoras dos títulos da dívida pública. Ou seja, recebem dinheiro público do governo em forma de pagamento de juros. Além disso, cobram as maiores taxas de juros bancários do mundo, ganhando muito à custa dos clientes.

Resultados


O Bradesco registrou um lucro líquido recorrente de R$ 6,5 bilhões no primeiro trimestre de 2021, um aumento de 73,6% em relação ao mesmo período do ano passado. Mesmo com o excelente resultado, o banco fechou 8.547 postos de trabalho em doze meses e 888 no trimestre. Em doze meses, foram fechadas 1.088 agências.


O banco Santander obteve no Brasil um lucro líquido gerencial de R$ 4,012 bilhões no primeiro trimestre de 2021. O valor é 4,1% maior do que o obtido no mesmo período em 2020 e 1,4% maior do que o obtido no trimestre passado. É o maior lucro trimestral do banco desde o segundo trimestre de 2010. Mesmo com o aumento do lucro, o banco espanhol eliminou 2.386 postos de trabalho em doze meses, encerrando o primeiro trimestre de 2021 com 44.806 empregados. Foram fechadas 140 agências e 91 Pontos de Atendimento Bancário no período.


O Itaú Unibanco teve lucro recorrente gerencial de R$ 6,4 bilhões no primeiro trimestre de 2021. O resultado apresentou uma alta de 63,5% em relação ao mesmo período do ano passado e de 18,7% na comparação com o trimestre anterior. O Itaú fechou 115 agências no País em um ano.


O Banco do Brasil obteve lucro líquido de R$ 4,9 bilhões nos três primeiros meses de 2021, alta de 44,7% na comparação com o mesmo período do ano passado. Em relação ao trimestre passado, o crescimento foi de 33%.


A atual direção do BB assumiu afirmando que os funcionários seriam valorizados, porém, nada fez para reverter o processo de reestruturação que levou à queda do seu antecessor. São medidas que reduzem a capacidade do banco cumprir sua função de banco público, prejudicando estados, municípios e todos os brasileiros.


Em 12 meses, o número de clientes do Banco do Brasil (correntistas, poupadores e beneficiários do INSS) cresceu 3,7 milhões. Na contramão deste crescimento, estas pessoas sofrem com a redução da estrutura de atendimento. O banco fechou 279 agências e reduziu o tamanho do quadro de pessoal em 4.881 funcionários.


A precarização do atendimento, com o fechamento de agências e a redução drástica do quadro de pessoal, tem levado muitos clientes a procurar outras alternativas, como as cooperativas de crédito, fintechs e mais recentemente as bigtechs. Este indicativo deve servir de alerta aos banqueiros que se preocupam somente com os altos lucros, para que mantenham uma estrutura adequada, que sirva às necessidades dos usuários, ou serão ainda mais afetados.