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Congresso recompõe Colegiado Executivo e Conselho Fiscal, além de atualizar o Estatuto da entidade

A Federação dos Trabalhadores em Instituições Financeiras do Estado de Santa Catarina (Fetrafi-SC) realizou o II Congresso Extraordinário no sábado, 6, de forma virtual. A mesa foi coordenada pelos diretores da entidade Edson Heemann, Jozi Fabiani Mello e Ernesto Valmórbida.



A atividade iniciou com a leitura do Regimento Interno e, logo após, foram feitas as alterações no Estatuto da entidade. O companheiro Jacir Antonio Zimmer, falecido em Junho deste ano por complicações causadas pela Covid-19, foi homenageado. O novo Colegiado Executivo e Conselho Fiscal foram empossados durante o Congresso.


Clique AQUI para ver a nominata atualizada da nova direção.


Marco Silvano, dirigente do Sintrafi e recém eleito secretário geral da Fetrafi-SC, destacou a importante tarefa de fortalecer as entidades de representação dos trabalhadores e os representantes nas mesas de negociação. Na avaliação do dirigente, “precisamos superar nossas diferenças em prol da categoria porque devemos estar todos unidos para enfrentar o difícil ano que teremos pela frente. É necessário, mais do que nunca, aproximar a categoria das entidades sindicais porque, em 2022, será necessária muita unidade entre nós porque enfrentaremos um ano de crise econômica, além da crise sanitária, e ainda teremos a campanha nacional dos bancários e eleições gerais no país.”



O dirigente que assumiu a coordenação da Fetrafi-SC desde o falecimento do companheiro Jacir, Denilson Machado, agradeceu a confiança de todos neste período em que esteve à frente da coordenação da entidade.



Atualização do Estatuto


O estatuto da Federação foi atualizado para dar conta de uma demanda que, inclusive vem sendo debatida nacionalmente a partir da Contraf, que é a necessidade de ampliação da representação para o ramo financeiro. A categoria bancária vem sendo reduzida drasticamente, mas os trabalhadores do ramo financeiro vêm aumentando muito. Alguns, até por artimanhas dos bancos que criam empresas não bancárias para prestar o mesmo serviço da categoria, mas com trabalhadores com outras representações. As entidades sindicais vêm trabalhando no sentido de ampliar a representação dos demais trabalhadores do ramo financeiro.


Metamorfoses da classe trabalhadora no Brasil e padrão de resposta do movimento sindical



O debate político foi feito pelo assessor jurídico da Federação, Prudente José Silveira Mello. O palestrante fez um resgate histórico do movimento sindical. No século XVIII, época da industrialização, as relações de trabalho eram desequilibradas, sendo marcadas por jornadas extenuantes, trabalho infantil, insalubridade e condições desumanas.


Todos esses fatores fizeram com que os trabalhadores se unissem para reagir através da criação de cooperativas, entidades de socorro mútuo, sociedades recreativas e de resistências, considerados os embriões sindicais.


Com a criação da OIT, em 1919, os princípios de liberdade sindical são internacionalizados. A evolução deste processo se consolidou com a incorporação nos textos constitucionais, do reconhecimento jurídico dos sindicatos.


A partir da crise econômica dos anos 70, começaram a surgir ideias baseadas no pensamento neoliberal. A globalização econômica que estava em curso acaba com os postos de trabalho, demarcada pela lógica da competição e de um falso conceito de meritocracia. Para Mello, “a implementação de reformas (previdência, trabalho e outras) também colaborou para fragilizar as políticas sociais, inclusive com a participação de governos sociais democratas. Junto com os ataques aos direitos, começam também os ataques ao movimento sindical, porque poderia ser este o principal setor a resistir a este modelo econômico perverso.”


Um dos destaques feito pelo assessor jurídico da entidade é que “estamos vivendo a transferência de riquezas dos pobres aos mais ricos, que ficaram muito mais abastados, agravando as desigualdades entre as nações e fortalecendo capital em detrimento do trabalho.” E encerrou lamentando que “o mundo está para poucos. Estamos vivendo um processo que é demarcado por destruição de direitos sociais, difusão de informações, inclusive, distorcidas e mentirosas na mídia, as famosas fake news que marcaram as últimas eleições, a difusão de intolerância desde 2013 através de ideias autoritárias e truculentas. Esse processo passa pelas reformas como, por exemplo, a Justiça do Trabalho, que se conforma em aplicar a Reforma Trabalhista e é atacada sob a lógica de que ela beneficia os trabalhadores, o que não é verdade. O papel dela é cumprir a legislação.”


Ao final, foram aprovadas algumas Resoluções. Estas resoluções aprovadas no Congresso e a íntegra do Estatuto atualizado serão divulgados tão logo forem disponibilizados pela Mesa organizadora do evento.