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Coletivo Sindical do Sindicato dos Bancários de Joaçaba debate atual conjuntura

Economista técnico do Dieese, Maurício Mulinari, esclareceu sobre a importância da atuação sindical neste ano de eleições

Na noite desta segunda-feira, 8, o Coletivo Sindical de Joaçaba e Região promoveu um curso de formação sindical com o economista e técnico do Dieese, Maurício Mulinari, para debater sobre a importância da atuação sindical na atual conjuntura. A atividade contou com a presença de mais de 60 dirigentes. A coordenação do Coletivo é exercida atualmente pelo Sindicato dos Bancários de Joaçaba e Região.


Mulinari fez uma retrospectiva da conjuntura econômica resgatando o histórico da atuação sindical no Brasil até os dias de hoje. Assim que o debate foi aberto, alguns colegas fizeram intervenções que prontamente foram esclarecidas, reafirmando a importância de descriminalizar o movimento sindical, muitas vezes visto de forma pejorativa pela população.


Rodney Tosi, presidente do Seeb Joaçaba, foi firme ao dizer que é preciso se impor diante da população que assume o discurso do atual presidente da República, contra o movimento sindical. “Não somos dirigentes para ter apenas a estabilidade de emprego, mas para nos contrapor às agressões que ocorrem contra os trabalhadores e contra o próprio sindicato. Temos que ter consciência que, enquanto sindicalistas, devemos lutar por direitos para os trabalhadores sem assumir discurso de patrão, sempre com o intuito de honrar nossa tarefa de dirigente sindical. É urgente elegermos candidatos que estejam comprometidos com a luta da classe trabalhadora”.


Mulinari destacou ainda a importância de se ter clareza sobre a forma como a contra Reforma Trabalhista de 2017 afetou negativamente o processo de organização e enfrentamento dos trabalhadores contra o grande capital. “Ela [Reforma] foi criada com o sentido de ampliar a margem de lucro dos grandes setores capitalistas e retirar direitos individuais e coletivos dos trabalhadores, além de reduzir a capacidade de organização do movimento sindical, atacando tanto a questão financeira dos sindicatos, mas também o acesso à Justiça do Trabalho e destruindo questões importantes como, por exemplo, a ultratividade das convenções coletivas de trabalho, o que garantia que a Convenção anterior se mantivesse até o fechamento da Convenção seguinte”.


O economista também enfatizou que a classe trabalhadora se encontra extremamente empobrecida por conta deste quadro, que só se agravou nos últimos dois anos. “Nesta última década, vivemos o pior momento de avanço da desigualdade social, de renda e riqueza dos últimos cem anos. E isso ocorre justamente por conta desse conjunto de contra Reformas que foram adotadas nesse período e que agora, com a inflação, se tornam ainda mais agressivas”. Cerca de 63% dos brasileiros não conseguem fechar um mês com o que ganha de salário, explica.


Uma das pautas defendidas pelos trabalhadores, e que deve ser retomada imediatamente pelo movimento sindical, é a redução da jornada de trabalho sem redução de salários, o que resultaria na abertura de novas vagas e contribuiria para a diminuição do desemprego, que atinge índices alarmantes no país atualmente.


Além disso, é urgente priorizar a revogação das medidas que foram adotadas na última década e que resultaram somente na precarização das condições de trabalho. Combater o subemprego e a informalidade deve estar na agenda prioritária do governo, com medidas imediatas para a geração de postos de trabalho formais, tendo a CLT como principal forma de contratação.


Fica evidente a necessidade de os trabalhadores se organizarem nos seus sindicatos, pois as entidades sindicais continuam sendo um importante instrumento de defesa das condições de vida e de salários. O Brasil precisa retomar o protagonismo dos trabalhadores no rumo da sociedade brasileira.