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Coletivo de Saúde analisa condições de trabalho e saúde da categoria na volta ao trabalho presencial

Retorno dos trabalhadores de grupo de risco, sequelas da Covid-19, protocolo de ambiente de trabalho seguro e mesa permanente de negociações foram os principais pontos da pauta

O Coletivo Nacional de Saúde da Contraf-CUT se reuniu na sexta-feira, 17, para analisar as condições de trabalho e saúde da categoria. Para os integrantes do Coletivo, o momento de retorno presencial do grupo de risco ao trabalho não é seguro e deve ser negociado porque a pandemia ainda não está controlada. A preocupação foi consenso entre eles.


O Coletivo não considera o momento adequado de volta ao trabalho presencial, uma vez que a vacinação está longe do que pregam os especialistas, ou seja, pelo menos 70% da população vacinada com as doses completas. Ainda há um número alto de óbitos, a vacinação está lenda e desigual e novas variantes surgiram preocupando as instituições sanitárias. Os integrantes lembraram que os bancos se comprometeram que uma eventual volta seria negociada com o movimento sindical e seria feita apenas no momento em que as condições fossem adequadas.


O coordenador de Saúde e Condições de Trabalho da Fetrafi-SC, Orlando Flávio, que participou da reunião, avalia que “o retorno dos bancários(as) deve ser negociado, principalmente pelo fato que a pandemia ainda não está controlada. Somente quando a vacinação atingir pelo menos 70% da população, estaremos mais protegidos. O Brasil ainda apresenta um alto número de óbitos e segue com a imunização lenta e desigual, além de novas variantes surgindo, não sendo recomendado o retorno do grupo de risco.”


Controle médico e garantia de tratamento


A volta do grupo de risco deve ocorrer somente quando a situação estiver segura, com a vacinação completa e com a realização de exames de retorno para avaliar as reais condições de saúde. Outra preocupação é com as sequelas causadas pela Covid-19. Há relatos de colegas que voltam ao trabalho com limitações causadas por sequelas, impactando na sua atividade profissional e na sua saúde. O Coletivo cobrou que os bancos, através do serviço médico, avalie as reais condições de todos os trabalhadores que tiveram Covid-19, garantindo afastamento e tratamento adequado, caso seja necessário.


Protocolo base para garantir ambientes de trabalho seguros


Foi externada a preocupação permanente com as condições do ambiente laboral para quem está trabalhando de forma presencial. É vital que haja protocolos de segurança transparentes e que seja garantido que não tenha aglomeração, que tenha distanciamento, assim como fornecimento de máscaras, higienização constante, afastamento de casos suspeitos, confirmados e dos contatantes, além de haver circulação de ar adequada nos ambientes de trabalho, entre outras medidas. Para isso, é importante que a negociação de um protocolo base para servir de parâmetro das medidas protetivas necessárias seja finalizada.


Conscientização


Também foi debatida a necessidade de intensificar a campanha de conscientização dos trabalhadores sobre os riscos trazidos pela pandemia, como a manutenção dos cuidados, o uso constante de máscaras e a importância da vacinação completa.


Retomar a mesa permanente


A resolução da última Conferência Nacional foi lembrada, em que se aponta a necessidade da retomada da Mesa Permanente de Saúde entre o movimento sindical e a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban). Mais do que nunca, os temas que estavam sendo tratados antes da pandemia ganham relevância.


É premente que seja garantida uma política adequada de prevenção com um Programa de Controle Médico e Saúde Ocupacional (PCMSO) efetivo. As LER/DORT continuam preocupantes, mas o adoecimento psíquico causado pela pressão por resultados, metas abusivas e assédio moral torna-se preocupação central.


É preciso retomar o debate sobre as metas abusivas, pois a pressão não arrefeceu com a situação ficando mais grave diante da própria pandemia e das reestruturações praticadas pelos bancos com demissões e descomissionamento. Isso tudo, somado aos perigos da pandemia, tem causado muito sofrimento, incerteza, insegurança e adoecimento.


Os serviços médicos dos bancos precisam mudar de postura e se voltar para atender, acompanhar e garantir tratamento às pessoas e não ser um apêndice dos departamentos de pessoal e jurídico. Isso é extremamente necessário neste momento, pois o grau de adoecimento é elevado e tem um novo risco, o biológico, a Covid-19, com as inúmeras sequelas. Tudo isso demanda uma atenção adequada para avaliar os ambientes, acompanhar a saúde dos trabalhadores, garantir um tratamento adequado e evitar que haja perda salarial e na carreira, caso algum bancário tenha que se tratar.


Por isso, é inaceitável que continue a postura de dificultar o acesso a tratamento e assistência previdenciária através de uma série de empecilhos.

Também foi sugerido ao Comando Nacional dos Bancários que seja elaborado um documento para ser enviado aos bancos marcando a posição do Coletivo sobre a volta do grupo de risco. Por fim, foi sugerida a realização de um seminário sobre Saúde Mental em novembro.