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CEE Caixa recusa criação de banco de horas para trabalhadores no modo presencial

Atualizado: 25 de ago.

“A Caixa só nos enrolou hoje”, desabafou o representante da Fetrafi-SC na CEE Caixa, Edson Heemann

A Comissão Executiva dos Empregados (CEE) da Caixa Econômica Federal voltou a recusar, em mesa de negociação, a proposta sobre teletrabalho apresentada pelo banco, e a reunião desta terça-feira (23) terminou sem avanços. O banco insistiu em condicionar o acordo de teletrabalho à criação de banco de horas para empregados que trabalhem presencialmente. O imbróglio já havia acontecido na reunião do dia 16 de agosto.

Na avaliação do representante da Fetrafi-SC na CEE Caixa, Edson Heemann, a Caixa só enrolou hoje. “Imaginávamos que o banco apresentaria algum avanço, mas não, a Caixa segue querendo a compensação das horas de quem está em teletrabalho e não concordamos com isso.”

O dirigente explicou que, com isso, o que a Caixa quer realmente é criar um banco de horas. Para quem estiver nas agências, essa medida pode gerar banco de horas em que os gestores poderão solicitar aos empregados que retornem para suas casas em dias menos movimentados ou que não vão trabalhar em outro dia produzindo horas negativas para serem usadas num momento futuro quando precisarem de horas extras. Heemann foi categórico: “Somos contra banco de horas tanto positivas quanto negativas.”

“Não existe previsão legal num contrato de trabalho para horas negativas. Todo o trabalhador é contratado para produzir horas positivas, ou seja, para trabalhar. Portanto, é uma ilegalidade produzir horas negativas no trabalho,” explicou. E foi além: “é um absurdo que um gestor solicite a um empregado que vá embora mais cedo sem nenhum respeito a sua jornada de trabalho para que poderia usar esse tempo de uma forma melhor se estivesse se programado para isso. Isto pode causar um sério problema por exemplo, caso o empregado acumule horas negativas e sofra algum tipo de acidente que o impeça de repor estas horas. Neste caso, se ficar com horas negativas, será prejudicado financeiramente porque terá desconto salarial dos dias que não conseguir compensar por apenas atender o pedido do seu chefe.”


O dirigente ainda afirmou que a Caixa novamente não trouxe uma proposta de ajuda de custo para os empregados que estão em teletrabalho.


O coordenador da CEE, Clotário Cardoso, disse que a Caixa resolveu deixar de lado o que já estava sendo negociado, para propor pontos prejudiciais aos empregados. “Nós viemos negociar teletrabalho. Não podemos vincular esse ponto a criação de um banco de horas para os trabalhadores que estão em modelo presencial”, afirmou.

O representante da Federação dos Empregados em Estabelecimentos Bancários da Bahia e Sergipe (Feeb-BA/SE), Emanoel de Souza, lembrou que “em negociações realizadas anteriormente, ficou combinado que não seria criado banco de horas. Quem está no presencial deve receber pelas horas trabalhadas a mais”.

“A Caixa quer criar banco de horas para o presencial porque há sobrecarga de trabalho. Ao invés de contratar mais para não haver necessidade de os empregados trabalharem além do horário, estão querendo normalizar a sobrecarga sem ter que pagar pelas horas trabalhadas”, completou o representante da Federação dos Bancários do Estado do Rio de Janeiro (Federa/RJ), Rogério Campanate.

A proposta da representação dos empregados é a garantia de todos os direitos dos(as) empregados(as) que trabalham presencialmente àqueles(as) que exerçam suas funções em regime de teletrabalho, bem como o registro de ponto, a remuneração das horas extras, além dos direitos e garantias previstos na minuta entregue à Federação Nacional dos Bancos (Fenaban), com ajuda de custo pelos gastos hoje assumidos pelos trabalhadores (energia, internet, água etc).

Campanha ilegal

Antes do início da reunião, a CEE denunciou a presidenta da Caixa Econômica Federal, Daniella Marques, de estar usando os empregados do banco para fazer campanha eleitoral para o presidente da República, Jair Bolsonaro. De acordo com os representantes dos trabalhadores, os empregados estão sendo assediados a enviar liberação do uso de imagem para a campanha.

As negociações sobre o teletrabalho foram interrompidas e serão retomadas posteriormente.


Fonte: Contraf-CUT, com edição da Fetrafi-SC