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Caixa ataca organização dos trabalhadores

Banco usa sistemática da Promoção por Mérito para penalizar empregados que têm compromisso com o banco e com a melhoria das condições de trabalho



Na terça-feira (8), a reunião da Mesa Permanente de Negociações entre a Comissão Executiva dos Empregados (CEE) da Caixa Econômica Federal e a direção do banco sobre Promoção por Mérito terminou em impasse. Como já havia informado na última reunião do Grupo de Trabalho específico, a direção da Caixa aceita pagar um delta para todos os trabalhadores, que não possuem impedimentos, em 2021. No entanto, insiste em manter a falta não justificada como um dos pontos de impedimento. A decisão penaliza empregados que tiveram uma única falta não justificada e ataca diretamente a organização dos trabalhadores. A Caixa informou em mesa o encerramento das negociações.

Os representantes dos empregados classificaram a decisão unilateral da direção da Caixa como uma afronta além de prática antissindical. “A direção da Caixa simplesmente encerrou a negociação com os trabalhadores. Essa decisão unilateral é um ataque para a organização dos trabalhadores, ao movimento como um todo e aos nossos direitos. Já tivemos impasses num passado não tão distante e que foram resolvidos negocialmente. Essa posição da direção do banco é lamentável”, destacou a coordenadora da CEE/Caixa, Fabiana Uehara Proscholdt.

Como forma de protesto, cada federação que compõe a CEE se manifestou na mesa de negociações mostrando sua contrariedade ao posicionamento da direção da Caixa. Para a Comissão, desta forma, a direção de Pedro Guimarães impõe a estagnação na carreira de muitos empregados como forma de retaliação. Como decisão, a Comissão tomará todas as providências possíveis.

Na avaliação do representante da Federação dos Trabalhadores em Instituições Financeiras de Santa Catarina (Fetrafi-SC) na CEE/Caixa, Edson Heemann, que participou da mesa de negociação “mais uma vez, a direção da Caixa, insensível aos seus empregados que tanto se doaram desde o início da pandemia, penaliza aqueles que lutaram por uma Caixa 100% pública deixando-os de fora da conquista da Promoção por Merecimento 2021, independentemente de como foram os seus desempenhos ao longo do ano. Mesmo quem muito se esforçou para bem atender a população foi maldosamente deixado de fora. Essa irredutibilidade da empresa demonstra novamente a arbitrariedade que já é marca desta gestão de Pedro Guimarães. A defesa da Caixa como empresa pública e a serviço dos brasileiros jamais deveria ser motivo para perseguição de seus empregados.”

Os representantes da comissão também reforçaram o protesto contra a utilização do programa de Gestão de Desempenho de Pessoas (GDP), pois não o veem como uma ferramenta de desenvolvimento e sim como um instrumento de assédio aos trabalhadores.

Proposta da Caixa

A proposta a ser implementada irá distribuir o primeiro delta para todos os empregados que não têm impedimentos como:

  • Menos de 180 dias de efetivo exercício em 2021;

  • Estar com contrato de trabalho suspenso na data da apuração da promoção;

  • Ter penalidades no ano-base (advertência, suspensão, censura ética);

  • Apresentar falta não-justificada;

  • Estar na última referência salarial.

Já o segundo delta será distribuído para os empregados que atingirem a avaliação “desempenho excelente” no ciclo 2021, de acordo com o programa de Gestão de Desempenho de Pessoas (GDP).

Outras cobranças

  • Saúde Caixa: mais uma vez a CEE cobrou a mesa de negociação do Saúde Caixa. Ainda segue um alto número de reclamações pelo país sobre problemas de autorizações, reembolsos, credenciamentos entre outros;

  • PCDs: a CEE cobrou um posicionamento da Caixa quanto a contratação dos concursados de 2021, que ainda aguardam a avaliação de recurso pela Caixa para serem chamados;

  • Restruturação: houve denúncias de possíveis reestruturações na Caixa. De acordo com o Acordo Coletivo de Trabalho (ACT), a informação deve ser passada antecipadamente para o movimento sindical;

  • Outro ponto foi a retomada do debate sobre teletrabalho e banco de horas.

Fonte: Fenae, com edições da Contraf-CUT