Buscar

A falácia de que o país vai bem porque os 4 bancos mais rentáveis do mundo são brasileiros

“Está mais do que na hora de os campeões da exploração e dos lucros retornarem para a sociedade parte dos seus resultados”, afirma Marco Silvano



A imprensa brasileira divulgou, no mês passado, que 4 dos bancos mais rentáveis do mundo são brasileiros. Santander (Brasil), Itaú Unibanco, Banco do Brasil e Bradesco estão entre os dez mais lucrativos do mundo, segundo o levantamento da empresa Economatica, que analisa dados financeiros. EUA e Canadá são os países dos outros seis.


Mas qual o motivo de o Brasil estar ao lado de países economicamente muito mais desenvolvidos? Conforme alegam economistas ouvidos pela mídia, dois fatores são os principais responsáveis pela rentabilidade das instituições bancárias: a alta concentração do mercado e os juros altos.


É preciso entender que a colocação do Brasil nesse ranking não é motivo de orgulho, mas de preocupação. Nada melhor que um país em crise para os banqueiros surfarem na economia aumentando as taxas de juros. Quanto pior a crise, melhor para os donos do capital encherem seus cofres através da exploração dos seus trabalhadores e da alta taxa de juros cobradas de seus clientes.


Se o povo brasileiro continuar dependendo dos bancos, a economia seguirá em queda e a inflação, em alta, aumentando ainda mais os juros e deixando a população ainda mais pobre. No entanto, é inegável a importância do processo de bancarização na inclusão das pessoas no sistema bancário ao permitir a democratização do acesso ao crédito e demais serviços financeiros, até porque a maioria das transações financeiras (recebimento de salários, transferências de valores e pagamento de produtos e serviços) ocorre através de contas bancárias.


Porém, não tem sido nada fácil à população brasileira sobreviver ao modelo de negócios implantado pelos bancos no Brasil, baseado na limitação da oferta de crédito e de taxas de juros extorsivas. Por isso, é muito importante discutir sobre o papel do Sistema Financeiro Brasileiro e os reflexos das políticas econômicas adotadas pelo atual governo.


O secretário geral da Fetrafi-SC, Marco Silvano, explica a relação da colocação dos bancos do Brasil no topo desse ranking com a política nacional implantada pelo governo Bolsonaro. "Para entendermos como funciona esse Sistema, precisamos compreender que a Economia é a ciência que estuda a produção e a distribuição das riquezas. Sabemos que são os trabalhadores e trabalhadoras, através do seu esforço, quem criam e produzem essa riqueza.”


Ele explicou que o capital, as máquinas, equipamentos e outras propriedades, como a terra, por exemplo, são apenas o meio para se atingir esse objetivo. “Quanto menor o número de proprietários desses meios de produção, menor será o valor da força de trabalho”.


No Brasil, a renda dos trabalhadores vem caindo ano a ano, situação agravada ainda mais pelas recentes reformas trabalhista e previdenciária e pelo aumento dramático do desemprego e do desalento. Com poucos recursos para a sua sobrevivência, Marco relatou que a população tem necessitado recorrer aos bancos para cumprir com os seus compromissos mais básicos como moradia, educação dos filhos, saúde da família, e não poucas vezes, supermercado e até mesmo botijão de gás.


E o que fazem os bancos e o governo? Conforme o sindicalista, “reduzem brutalmente a oferta do crédito e aumentam absurdamente as taxas de juros. Para termos uma ideia, muitos brasileiros perderam grande parte da sua renda com a atual crise econômica, elevando como nunca antes o nível de endividamento das famílias”.


Segundo levantamento da Confederação Nacional do Comércio, 67% das famílias brasileiras estão endividadas, principalmente quando recorrem ao cartão de crédito, cujas taxas de juros alcançam mais de 300% ao ano. Para Silvano, “se quisermos superar a atual crise econômica, o país precisa imediatamente de um Sistema Financeiro que participe do processo de reorganização social, financiando desenvolvimento, gerando renda e empregos e ampliando o crédito com taxas reduzidas de juros”.


“Está mais do que na hora de os campeões da exploração e dos lucros retornarem para a sociedade parte dos seus resultados, hoje concentrados nas mãos dos especuladores e acionistas”, finalizou o dirigente.