Buscar

2022: Para reencontrar um novo caminho é preciso saber as razões da estrada


Imagem: br.freepik.com

De acordo com o último Boletim Conjuntura Dieese, disponível em www.dieese.org.br, as perspectivas para o país em 2022 indicam que teremos “mais do mesmo”, diante dos riscos de novas variantes do coronavírus e da continuidade da equivocada política econômica do governo federal.


Num cenário de baixo crescimento econômico, a inflação seguirá corroendo a renda dos trabalhadores, os juros elevados e o mercado de trabalho ainda mais deprimido e precarizado.


Enquanto as pesquisas de opinião buscam antecipar as tendências e os resultados para as eleições de outubro, o final de ano de grande parte da população evidencia os descaminhos do país, desde o impedimento da presidenta eleita em 2016.


De lá para cá, a unidade de interesses entre a mídia corporativa, grandes setores econômicos, governo federal e centrão conseguiu aprovar as reformas da Previdência e Trabalhista, além do congelamento do orçamento público por vinte anos, reduzindo direitos e ampliando a pobreza e a desigualdade social.


Depois da semeadura, a previsível colheita era inevitável.


O país voltou a fazer parte do mapa da fome, pequenos e médios empresários sucumbiram diante da impossibilidade de manterem seus empreendimentos, enquanto milhões de trabalhadores não tiveram alternativa senão sobreviver na insegurança da informalidade e do subemprego.


Também não podemos esquecer que, embalados pela falsidade do discurso moralista de combate à corrupção, parte da sociedade foi conduzida a apoiar a ilegalidade dos processos de desmonte do estado brasileiro e a destruição da nossa soberania, liderados por setores nada republicanos do judiciário e do Ministério Público.

Porém, como costuma dizer Frei Beto, guardemos o pessimismo para dias melhores.

Em 2022, nossa tarefa é recuperarmos a capacidade de dialogarmos no campo da racionalidade, encarando a dura realidade de uma sociedade que se movimenta a partir do confronto entre os interesses de sua elite econômica e as urgências civilizatórias de sua população.


Em que pese a fragilidade de acesso à informação e as condições desiguais no debate público em nosso país, todos sabemos que a composição dos executivos e parlamentos federal e estadual serão fundamentais para recuperarmos as condições mínimas de intervenção do estado na economia, retomando a trajetória do crescimento sustentado e da geração de empregos.


Além do enfrentamento à pandemia e das graves sequelas de ordem sanitária e econômica, 2022 nos reserva o desafio da renovação da nossa Convenção Coletiva e dos acordos específicos, num cenário de aceleração dos investimentos em tecnologia por parte do Sistema Financeiro, de mudanças no comportamento de acesso aos serviços de clientes e usuários e de contínua redução dos postos de trabalho.


Por mais certezas que tenhamos em relação ao modelo de organização e negociação da nossa categoria, responsável pela manutenção de direitos em meio às instabilidades econômicas e políticas da última década, a conjuntura nos imporá a antecipação do calendário de mobilização e de uma revisão das nossas estratégias de enfrentamento.


Se quisermos de fato alterar os rumos do país, não podemos repetir a recente trilha de equívocos, cujas escolhas corresponderam muito mais às decepções individuais e aos preconceitos de toda ordem, do que a legítima e fraterna busca por uma sociedade melhor para todos.


Marco Aurélio Silvano

Secretário Geral Fetrafi/SC